
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]
Redes Sociais
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Não Sei se é Amor que Tens
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Só pro MEU Prazer

Não fala nada, deixa tudo assim por mim
Eu não me importo se nós não somos bem assim
É tudo real nas minhas mentiras,
E assim não faz mal
e assim não, me faz mal não...
Noite e dia se completam, no nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto, eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você, minha maior ficção de amor
Eu te recriei
só pro meu prazer, só pro meu prazer...
Não vem agora com essas insinuações
Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você, não é nada que eu penso
E também se não for, não faz mal
Não me faz mal, não.
[Leoni]
^^
Tempo será:
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Sessão pipoca - A aposta
"E me devora viva ali na mesma hora
Me diz no ouvido: a vida é devoração"...
[Luka]
^^
Remissão
tua poesia, pasto dos vulgares,
vão se engastando numa coisa fria
a que tu chamas: vida, e seus pesares.
Mas, pesares de quê? perguntaria,
se esse travo de angústia nos cantares,
se o que dorme na base da elegia
vai correndo e secando pelos ares,
e nada resta, mesmo, do que escreves
e te forçou ao exílio das palavras,
senão contentamento de escrever,
enquanto o tempo, em suas formas breves
ou longas, que sutil interpretavas,
se evapora no fundo de teu ser?

[Carlos Drummond de Andrade - in: Claro Enigma - 1951]
segunda-feira, 4 de outubro de 2010

[Dostoievski - Em "Notas do subterrâneo"]
domingo, 3 de outubro de 2010
Coisas da Vida
Quando a Lua apareceu,ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde, mas a noite é uma criança
distraída.
Depois que eu envelhecer,
ninguém precisa mais me dizer
como é estranho ser humano nessas horas de partida.
Ah, é o fim da picada
Depois da estrada começa uma grande avenida
No fim da avenida, existe uma chance, uma sorte, uma nova saída.
Qual é a moral? Qual vai ser o final dessa história?
Eu não tenho nada pra dizer, por isso digo
Eu não tenho muito o que perder, por isso jogo
Eu não tenho hora pra morrer, por isso sonho
Ah, são coisas da vida...
Ah, e a gente se olha e não sabe se vai ou se fica...
Ah, são coisas da vida...
Ah, e a gente se olha e não sabe se vai ou se fica...
[Composição: Rita Lee]
^^
Azul

Se vem de Deus
Do céu ficar azul
Ou virá
Dos olhos teus
Essa cor
Que azuleja o dia...
Se acaso anoitecer
E o céu perder o azul
Entre o mar e o entardecer
Alga marinha, vá na maresia
Buscar ali um cheiro de azul
Essa côr não sai de mim
Bate e finca pé
A sangue de rei...
Até o sol nascer amarelinho
Queimando mansinho
Cedinho, cedinho (cedinho)
Corre e vá dizer
Pro meu benzinho
Um dizer assim
O amor é azulzinho...
[Composição: Djavan]
Fragmentos

os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso.
[Vladimir Maiakóvski]
Mulher sentada

Essa mulher sentada de ribeiro de pavia
nas maçãs salientes risco ao meio e ancas arqueadas
(das pernas nada digo pois sou púdico e além disso há a mesa de permeio)
essa mulher durante tantos anos perseguida e só muito raras vezes conseguida
no mínimo desenho do pintor alentejano
finalmente perdida como tudo com a vida essa mulher amendoada
(...) e de dois olhos
possivelmente obtidos a partir desse lápis-lazúli
ainda não há muito visto mesmo mais que entrevisto
em dois botões de punho que o hernani me deixou ao voltar para o chile
entre compreensivos conviventes versos sobre a mesa do meu quarto
de solteiro e amiúde solitário
da casa do brasil onde em madrid envelheci um ano
esse lápis-lazúli que eu esquecera em roma numa mesa de oratório
e tão bem conhecia do antónio nobre onde me conhecera
não menos que em courelas do guerreiro ou do costa alemão
(já não sei qual dos dois) concretamente se chamava
silicato complexo de alumínio e sódio
(que forma mais complexa se utiliza - lembro-me - pensava -
pra nomear uma só pedra embora rara baça sonhadoramente azul
que já de si se chama de maneira complicada)
essa mulher sentada jamais pode conhecer
quem envelhece ao fim do corredor dos dias
e acaba de passar ao lado de umas árvores moldadas despenteadas pelo vento
sob a macia abóbada do lusco-fusco
num carro porventura expressamente encarregado
de difundir esse quarteto salvo erro número dois de haydn
entre as íntimas ervas dos velados campos
onde perdeu coisas concretas como a sua juventude
um búzio um rancho de mulheres ou o varejo da azeitona
alguns cabelos uma chave ou uma rima original
Raios a partam e depois de todos estes digressivos versos
essa mulher na mesma ali sentada e assentada
sozinha à minha espera à espera de um sentido para a vida
à espera de um marido à espera do natal.
[Ruy Belo - Transporte No Tempo]
^^
Se




Mas também não tem certeza que sim
Quer saber?
Quando é assim
Deixa vir do coração
Você sabe que eu só penso em você
Você diz só que vive pensando em mim
Pode ser
Se é assim
Você tem que largar a mão do não
Soltar essa louca, arder de paixão
Não há como doer pra decidir
Só dizer sim ou não
Mas você adora um se...
Eu levo a sério mas você disfarça
Você me diz à beça e eu nessa de horror
E me remete ao frio que vem lá do sul
Insiste em zero a zero e eu quero um a um
Sei lá o que te dá, não quer meu calor
São Jorge por favor me empresta o dragão
Mais fácil aprender japonês em braile
Do que você decidir se dá ou não.
[Djavan]
^^
Amizade

A amizade é suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção sob os estímulos do entendimento fraternal.
Inspiradora de coragem e de abnegação. a amizade enfloresce as almas, abençoando-as com resistências para as lutas.
Há, no mundo moderno, muita falta de amizade!
O egoísmo afasta as pessoas e as isola.
A amizade as aproxima e irmana.
O medo agride as almas e infelicita.
A amizade apazigua e alegra os indivíduos.
A desconfiança desarmoniza as vidas e a amizade equilibra as mentes, dulcificando os corações.
[Joanna de Ângelis]
^^
Só você sabe bem quem sou
E por isso é seu o meu coração
Só você me faz perder a razão
E por isso que onde você queira eu vou
Não acredito que o mar algum dia
Perca o sabor de sal
Não acredito em mim ainda
Não acredito no azar
Só acredito no seu sorriso azul
No seu olhar de cristal
E nos beijos que você me dá
E em tudo o que você fala
Só você sabe bem quem sou
E por isso é seu o meu coração
Só você me faz perder a razão
E por isso que onde você queira eu vou
Se eu falo demais
Não se esqueça de que ninguém mais
Amará você
Assim como eu
Não acredito em Vênus nem em Marte
Não acredito em Karl Marx
Não acredito em Jean-Paul Sartre
Não acredito em Brian Weiss
Só acredito no seu sorriso azul
No seu olhar de cristal
E nos beijos que você me dá
E falem o que quiser
[Shakira]
^^
sábado, 2 de outubro de 2010

Cada manhã traz uma bênção escondida, uma bênção que só serve para esse dia e que não se pode guardar nem desaproveitar.
Se não usarmos este milagre hoje, ele vai se perder. Este milagre está nos detalhes do cotidiano; é preciso viver cada minuto porque ali encontramos saída para as nossas confusões, a alegria de nossos bons momentos, a pista correta para a decisão que tomaremos.
Nunca podemos deixar que cada dia pareça igual ao anterior porque todos os dias são diferentes, porque estamos em constante processo de mudança.
[Paulo Coelho]
constantes apelos sensoriais (metáforas, sinestesias, aliterações e assonâncias).
Rômulo rema no rio.
A romã dorme no ramo,
a romã rubra. (E o céu.)
O remo abre o rio.
O rio murmura.
A romã rubra dorme
cheia de rubis. (E o céu.)
Rômulo rema no rio.
Abre-se a romã.
Abre-se a manhã.
Rolam rubis rubros do céu.
No rio,
Rômulo rema.

[Cecíla Meireles]
^^
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Elogiemos as Mulheres Estúpidas

Não vivem no mundo real, dizemos para nós próprios ternamente, mas que raio de critica é essa? Se elas conseguem não viver nele, melhor para elas. Nós também preferíamos não viver. E de facto elas não vivem nele, porque tais mulheres são ficção: compostas por outros, mas mais frequentemente por elas próprias, embora mesmo as mulheres estúpidas não sejam tão estúpidas como querem aparentar: elas fingem por amor.
Os homens amam-nas porque elas fazem com que mesmo os homens estúpidos se sintam espertos; as mulheres pela mesma razão, e porque são relembradas de todas as coisas estúpidas que elas próprias fizeram; mas acima de tudo porque sem elas não haveria história.
Nenhuma história! Nenhuma história! Imaginem um mundo sem histórias.
Hypocrite lecteuse!Ma semblable! Ma soeur!
[Margaret Atwood]
^^
De Volta Ao Começo
E o menino com o brilho do solNa menina dos olhos
Sorri e estende a mão
Entregando o seu coração
E eu entrego o meu coração
E eu entro na roda
E canto as antigas cantigas
De amigo irmão
As canções de amanhecer
Lumiar e escuridão
E é como se eu despertasse de um sonho
Que não me deixou viver
E a vida explodisse em meu peito
Com as cores que eu não sonhei
E é como se eu descobrisse que a força
Esteve o tempo todo em mim
E é como se então de repente eu chegasse
Ao fundo do fim
De volta ao começo
Ao fundo do fim
De volta ao começo
[Composição: Gonzaguinha]
^^
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Sessão pipoca - Alejandro
Eu sei que somos jovens
E eu sei que você pode me amar
Mas simplesmente não posso ficar com você desse jeito
Alejandro !
(...)
Você sabe que eu te amo, garoto
Quente como o México,
Alegrem-se!
Neste momento eu tenho que escolher
Nada a perder
Não chame o meu nome
Não chame o meu nome
Alejandro...
[Composição: Lady GaGa / Red One]
^^
terça-feira, 10 de agosto de 2010
segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ouçam a sua garganta e a sua pele de terra,
a voz completamente seca dos pimentos
enquanto eles palpitam como anúncios.
Os pequenos animais do bosque
estão a levar as suas máscaras funerárias
para uma estreita caverna de Inverno.
O espantalho arrancou
os seus dois olhos como diamantes
e caminhou para a aldeia.
O general e o carteiro
tiraram as suas mochilas.
Tudo isto já aconteceu antes
mas nada aqui é obsoleto.
Tudo aqui é possível.
Por causa disto talvez uma jovem rapariga tenha despido
as suas roupas de Inverno e sentou-se
ao acaso num ramo de árvore
que está por cima de um lago no rio.
Ela foi vertida para o ramo,
rente à casa dos peixes
enquanto eles nadam para dentro e para fora do seu reflexo
e para cima e para baixo das escadas das suas pernas.
O seu corpo leva as nuvens até casa.
Ela está a olhar para a sua cara feita de água
no rio onde os homens cegos
vêm tomar banho ao meio dia .
Por causa disto
o chão, esse pesadelo de Inverno
curou as suas chagas e rebentou
com pássaros verdes e vitaminas.
Por causa disto
as arvores entregam as suas valas
e seguram pequenas chávenas de chuva
com os seus dedos esguios.
Por causa disto
uma mulher está ao pé do seu fogão
a cantar e a cozinhar flores.
Tudo aqui é amarelo e verde.
Com certeza que a Primavera vai permitir
que uma rapariga nua
se vire suavemente na sua luz solar
e não tenha medo da sua cama.
Ela já contou seis
flores no seu espelho verde verde.
Dois rios fundem-se debaixo dela.
A cara da criança enruga-se
na água e desaparece para sempre.
A mulher é tudo o que pode ser visto
na sua beleza animal.
A sua pele acarinhada e obstinada
permanece profundamente debaixo da árvore feita de água.
Tudo aqui é completamente possível
e os homens cegos também podem ver.
[Anne Sexton]
Um dia
A Esperança

Nos atinge nessa vida,
E a dor parece que não tem mais fim?
E parece impossível,
Outra vez, ser feliz...
Se ouvesse em nós um meio
De mudar as circunstâncias,
Se estivesse em nossas mãos esse poder...
E apesar de parecer não ter sentido,
Eu vou dizer:
Que existe uma esperança
Que existe uma saída,
Que existe um bom motivo pra viver...
A esperança é Jesus Cristo
É consolo, Graça, Abrigo
E em suas mãos está todo o poder...
[Composição: Ludmila Ferber]

escapados de nós mesmos, foragidos,
em busca do lugar onde
nos apelavam os sentidos.
Mas tão depressa nos perdemos, tão depressa
a memória das coisas nos fugiu
que, rápida, a estranheza
do tempo nos tomou, como se um rio,
em passando por nós, nos esquecera.
Não é fácil amar-te, não é fácil
possuir-se a ausência de si mesmo.
Mais difícil, porém, é sempre o espaço
a vencer de regresso ao que esquecemos.
[Torquato da Luz]
^^
domingo, 8 de agosto de 2010
Um Dia Perfeito

Há menos de vinte e duas horas atrás
Hoje a gente fica na varanda
Um dia perfeito, com as crianças.
São as pequenas coisas que valem mais
É tão bom estarmos juntos
E tão simples : um dia perfeito.
Corre, corre, corre
Que vai chover
Olha a chuva!
Não vou me deixar embrutecer
Eu acredito nos meus ideais
Podem até maltratar meu coração
Que meu espírito
Ninguém vai conseguir quebrar...
[Legião Urbana]
^^

mais tarde na memória - é tudo o que me resta: estar
de noite às escuras a pensar em ti
E se me lembro mal, se troco as vezes, naquela
quinta-feira o dia do amor em vez de ser
na quarta, o erro surge-me gigante,
um peso carregado como Atlas
Por isso é que preciso de lembrar coisas
exactas, como aconteceu tudo; não só
transpor depois na ficção recolhida, sou eu
que te preciso e dos teus dias
que me foram meus
Lembrar-me exactamente como foi, o que usei
nesse dia e o que usei no outro, até que horas
tudo, se havia gente ou não
e em que dia. Porque as palavras depois se
reconstroem
O que se disse então torna-se fácil.
Assim dito parece coisa pouca,
lugar comum e
fácil, mas as noites são grandes
E lembrar-se
exactamente,
de uma forma correcta
É-me tão importante
dentro das noites a pensar em ti
sabendo: não te vejo nunca mais
[Ana Luisa Amaral]
sábado, 7 de agosto de 2010
Sessão pipoca - Ode To My Family
Entenda as coisas que eu digo, não vire as costas para mim
Porque eu passei metade da minha vida lá fora, você não faria diferente
Você me compreende? Você compreende?
Você gosta de mim? Você gosta de mim ficando lá?
Você percebe? Você sabe?
Você me compreende? Você me compreende?
Alguém se importa?
Infelicidade havia quando eu era jovem e nós não dávamos importância
Porque nós fomos educados para ver a vida como diversão e levá-la se pudermos
Minha mãe, minha mãe, ela me abraça, ela me abraçou quando eu estava lá fora?
Meu pai, meu pai, ele gostava de mim, oh, ele gostava de mim, alguém se importa?
Entenda no que eu me tornei, esse não era meu projeto
E pessoas de todo lugar pensam alguma coisa melhor do que eu sou
Mas eu sinto sua falta, eu sinto falta
Porque eu gostava disso, porque eu gostava disso quando eu estava lá fora
Você percebe? Você sabe?
Você não me encontrou, você não encontrou
Alguém se importa?
Infelicidade havia quando eu era jovem e nós não dávamos importância
Porque nós fomos educados para ver a vida como diversão e levá-la se pudermos
Minha mãe, minha mãe, ela me abraça, ela me abraçou quando eu estava lá fora?
Meu pai, meu pai, ele gostava de mim, oh, ele gostava de mim
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
Alguém se importa?
[The Cranberries]
^^

insuspeitos de amor
ou generosidade.
Outrora transbordámos de palavras
hoje amamos a dor.
Coração repleto
jamais reconhece a abundância.
O espelho doméstico ensaia
o côncavo sorriso
crua necessidade
de um tempo de pausa
em que me revejo
e ausento.
Mas haverá beleza na imobilidade?
[Ana Marques Gastão]
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
(...)

com uma vontade de mexer os dedos
criar paisagens com as mesmas palavras
Em pequenos pedaços pelas mãos acima
remendar a pele com frases em sequências de fuga
Ontem e hoje são definições imóveis
num Inverno sem folhas
prendem a luz quando
ainda falta uma hora para o fim da tarde
[Maria Sousa]
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Sessão pipoca - Beautiful
Todos sabem que vivemos num mundo
Em que eles dão nomes ruins para coisas belas
Todos sabem que vivemos num mundo
Onde não damos ao belo uma segunda olhada
Só o Céu sabe que vivemos num mundo
Onde chamamos de bonito só o que está em promoção
Pessoas rindo atrás das suas mãos
Enquanto aos frágeis e aos sensíveis
Não são dadas chances
E as folhas tornam do vermelho pro marrom
Pra serem pisadas... para serem pisadas
E as folhas tornam do vermelho pro marrom
Caem no chão... caem no chão
Nós não temos que viver num mundo
Onde damos nomes ruins a coisas belas
Nós deveríamos viver num mundo belo
Deveríamos dar ao que é belo uma segunda chance
E as folhas tornam do vermelho pro marrom
Pra serem pisadas... para serem pisadas
E as folhas tornam do verde, vermelhas e marrons
Caem no chão... e são chutadas
Você é forte o suficiente pra ser
Você tem a fé suficiente pra ser
Insano o suficiente pra ser
Honesto o suficiente pra dizer
Não tem que ser o mesmo
Não tem que ser desse jeito
Vamos lá, e assine o seu nome
Você é louco o suficiente pra se manter belo?
Belo...
E as folhas tornam do vermelho pro marrom
Pra serem pisadas... para serem pisadas
E todos nos tornamos verde, vermelhos e marrons
E caímos no chão... mas podemos mudar isso
Você é forte o suficiente pra ser
Por que não se levanta e diz
Se dê um tempo
Eles irão rir de você de qualquer forma
Então por que você não se levanta e seja: Belo.
Preto, branco, vermelho, dourado e marrom
Estamos presos neste mundo
Sem ter prá onde ir
Dê a volta por cima
Do que você tem medo?
[Marillion]
^^
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Marcas que são como mapas

por todas estas casas
onde dormem velhotes e pequenas crianças zombam
dos vizinhos.
Procurei porque nada havia para fazer, e
nada do que fizesse me poderia trazer aqui.
Por isso, perdi-me.
Quando entrava pelas casas, julgava que te via
num quadro,
numa janela,
num retrato
onde me parecia demasiado semelhante a figura dos
lábios ou das pálpebras.
Aprendi que nada era assim. Hoje, seguro
com força os pedaços de papel que se rasgaram
quando comecei a caminhar
e ainda hoje caminho.
As ruas tornaram-se pedaços molhados da minha
consciência - não acredito em nada do que me dizem,
entre as janelas de paredes calcinadas.
A tinta que as rege cai.
Costumo pôr-me a olhar para elas, pensando
quiçá como seria se te desenhasse nelas, ou no
chão. Respondi-me que não poderia fazê-lo, porque
assim o mundo teria demasiado peso para suportar
demasiadas caras que apagar.
Suportamos o silêncio hoje, porque as palavras
já escoam fora do nosso corpo; perdemos o rio que
as mãos se tornam quando nascemos - perdemos a
inocência dos nossos rostos - e agora
vou para ali
para longe
de onde vim.
Perder-me-ei porque assim parece que se torna
necessário para viver.
Vou pedir-te que tenhas um nome antes
de adormecer. Vou ver-te - onde, não sei - mas,
antes disso, antes desse momento - em que se tornem
exíguos os nossos corpos - não direi nada:
não grito.
Permite-me que ecoe por aqui o que se
escreve dentro de mim: escrevo praias onde
nunca mergulhei, ouço conversas dos vizinhos que
doem como gritos, como criticas, como armas
arremessadas contra a minha sombra.
Como te disse: permite-me que me ecoe.
Evitei que me descongregasse pela terra, pensei
que assim poderia tocar-te no ombro e dizer-te
que estou aqui, onde tu não podes ver
onde as crianças não conseguem chegar
onde os velhos não conseguem viver.
Estou por aqui, enquanto te deixo permanecer
no cheiro que trago nas vestes, enquanto me dispo
e deixo que me vejas.
Agora tenho em lugar das minhas mãos uma grande
mancha azulínea, que me recorda que um dia aqui existiu
o mundo e que agora não há mais tempo
para nada.
[Sérgio Xarepe - Em lugar das mãos o mundo]
^^
Sem respostas

Tire um pouco o peso das minhas costas
Falta pouco tempo para eu ir embora
E eu nem sei se vou voltar
Trilhe seu caminho, faça suas apostas
Mas não me deixe aqui sozinha sem respostas
Que eu nem sei onde encontrar
Eu sou apenas uma criança indefesa
Você parece uma caixinha de surpresas
E se for assim meu bem (Adeus)
Eu não tô te pedindo pra ficar
E não vou te encher de promessas
Eu te quero bem, mas no amor eu tenho pressa
Vá se acostumando com a minha ausência
Faça logo as pazes com sua consciência
E veja se você errou
Trilhe seu caminho, faça suas apostas
Mas não me deixe aqui
Buscando as respostas que você nunca encontrou...
[Luka]
^^
terça-feira, 3 de agosto de 2010
AbOrTo, um Ato de Covardia!

Em contra partida, se o aborto é a consequência de um estupro, má formação de feto(e o bebê não sobreviveria ao nascer), é essencial que a mulher tenha o direito de decidir sobre o próprio corpo e de ser assistida pelos hospitais públicos. Além disso, é preciso garantir que a população brasileira tenha acesso à educação sexual, aos métodos anticoncepcionais, assistência psicológica e tenha a possibilidade de escolher ter filhos ou não. Nenhuma mulher deve ser obrigada a ser mãe de um filho que foi fruto de uma violência, tão brutal, como um estupro! Toda vez que a mãe olhar pra a criança lembrará da violência sofrida. A maternidade só é plena se voluntária, livre e desejada.
Entretanto, quando a decisão de abortar é em nome de um egoísmo absoluto de pessoas covardes, para mim é crime.
Perguntinha: As mulheres sujeitam-se ao aborto e sujeitam os seus filhos a estas torturas por quê? Em nome de quê?
*Medo que os outros descubram a gravidez?
*Preocupações de natureza econômica?
*Pressão dos pais e/ou namorado/pai da criança?
*A gravidez interferia com a vida/planos/sonhos?
*Julgar-se sem preparação para ter um filho?
Ora, ora, ora! Pensasse nisso, antes... Até por que, há tantos métodos para evitar gravidez, tantos meios de informação como internet, livros, revistas, etc. Reivindicar o direito ao aborto e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade. O bebê tem o direito de ser livre, de viver. Nós não somos Deus para decidir sobre a vida do outro.
À princípio, selecionei algumas fotos de fetos, totalmente, despedaçados depois de serem abortados, entretanto, achei tão chocante e tão triste, que resolvi não publicá-las... então, deixarei essas "imagens do bem" e essas seguintes reflexões:
O aborto é uma intervenção muito perigosa. Mesmo quando feito em hospitais e com todas as condições o resultado é este: Poucos riscos em obstetrícia são tão certos como aqueles a que a grávida se expões quando aborta após a décima quarta semana de gravidez.
Para ajudar à "festa macabra", durante o aborto o bebê sofre horrivelmente:
"(...)logo que o mecanismo da dor aparece no feto - possivelmente 45 dias após a fecundação - os métodos usados para abortar vão-lhe causar dor. A dor é tanto mais profunda e persistente quanto mais tardio for o aborto. É mais severa e prolongada no caso de o método usado ser envenenamento por solução salina... Eles padecem numa agonia de morte."
"Quando os médicos começaram a invadir o útero, não sabiam que o bebê não nascido reagiria à dor como qualquer criança nascida. De forma alguma o bebê não nascido apareceu como um vegetal, tal como muitas vezes tinha sido pintado; o bebê dentro do útero sabe perfeitamente quando é magoado e reage tão violentamente como qualquer bebê num berço."
*Alucinações relacionadas com o aborto;
*A mãe é periodicamente visitada pelo bebê abortado;
*Pesadelos relacionados com o aborto;
*Abuso de álcool e de drogas ;
*Tendências suicidas; [algumas tentadas e outras conseguidas]
*Sentir-se louca e/ou a enlouquecer;
*Inibição sexual;
*Flashbacks do aborto; [o cheiro, a cama, o barulho do aspirador, etc.]
*Desconforto na presença de crianças/bebês;
*Diminuição da capacidade de sentir emoções;
*Perda da capacidade de comunicação;
*Ataques de choro frequentes;
*Preocupação pela criança abortada;
*Medo de que o aborto venha a ser descoberto;
*Sentimentos de culpa;
*Raiva;
*Depressões;
*Tristeza/sentimento de perda.
Só para vocês terem uma ideia, encontrei em alguns registros de pesquisa o funcionamento da personalidade, sentidos, pensamentos, emoções, sonhos, intencionalidade e o choro dos bebês nos primeiros meses dentro do útero da mãe. Vejam o resultado:A personalidade
A personalidade e muitos traços psicológicos começam a definir-se antes do nascimento:
"Em última análise a forma como ele se vê a si próprio e, consequentemente, age como uma pessoa triste ou alegre, agressiva ou ponderada, segura ou ansiosa, depende, em parte, da leitura que ele fez de si próprio dentro do útero".
Os Sentidos
O bebê no útero tem sentidos e usa-os:
"Entre a sexta e sétima semana (...) se tocarmos suavemente os lábios, o bebé responde virando o corpo para um lado e fazendo um movimento rápido com os braços. A isto chama-se "total patern response" porque envolve a maior parte do corpo e não uma parte localizada."
Os Pensamentos
"Quando um adulto prepara algum movimento a partir de uma posição de repouso, a sua pulsação sofre um aumento alguns segundos antes do movimento. Da mesma forma, a pulsação do bebê aumenta seis a dez segundos antes de iniciar um movimento."
As Emoções
"Hoje sabemos que o bebê dentro do útero é um ser-humano ATENTO ao seu meio e INTER-AGINDO com ele. Sabemos também que a partir do sexto mês (e eventualmente antes disso) tem uma vida emocionalmente ativa."
Os Sonhos
"Usando ultrasons foi possível mostrar que os REM (rapid eye movements), que são característicos dos momentos em que se sonha, estão presentes em bebês com 23 semanas de gestação. Ou seja, o bebê sonha, não como nós, mas, sonha com suas impressões que sente dentro do útero em relação ao mundo externo.”
A Intencionalidade
O Dr. Freud acompanhou mais de 10000 ecografias e, segundo ele, "Parece que o feto tem muitíssima intencionalidade" Uma vez foi-lhe mesmo possível observar dois gêmeos à luta (o que, naturalmente, supõe intenção!)
O Choro
Os Bebês, antes de nascer podem chorar como qualquer bebê nascido. Só não se ouve por falta de ar, mas...
"(...) [o médico] injetou uma bolha de ar dentro da bolsa de líquido amniótico e depois fez uma radiografia. Aconteceu, porém, que o ar cobriu a rosto do bebê. Todo o processo, sem dúvida, o perturbou, pelo que no momento em que ele teve ar para inalar e exalar ouviu-se claramente o protesto de uma "baleia" vindo de dentro do útero. Na mesma noite a mãe telefonou ao médico para dizer que quando ela se deitava para dormir a bolha de ar voltava à cabeça do bebê e ele estava a chorar tão alto que nem ela nem o marido conseguiam dormir."
Para terminar, uma chamada de atenção:
O aborto não é inaceitável pelo fato de ser muito perigoso, pelo fato de o bebê sofrer horrivelmente ou pelo fato de arrasar a mulher que aborta. Todas estas razões são SUFICIENTES para tornar o aborto inaceitável, mas, contudo, não são razões NECESSÁRIAS. Ainda que o aborto fosse seguro como apanhar flores, ainda que o bebê abortado se deliciasse como quem come chocolate, ainda que a mulher abortada ficasse profundamente realizada e feliz, o aborto seria sempre o triunfo de uma pessoa forte sobre uma inocente, frágil e completamente indefesa: sem outra justificação que não a força! Ninguém tem o direito de decidir a existência do outro. É o mesmo que tirar a vida dos pais, do amigo, do homem em pé na esquina, da criança no parquinho, de um idoso sentado na praça... Não é pelo fato de um feto, ainda, não ter identidade, CPF, ser um cidadão conhecido, que ele se torna menos humano por está “escondido” dentro da barriga da mãe, longe dos olhos da lei. Isso, só aumenta o nível de covardia que uma “mãe”(?) pode chegar...
"Mas eu sinto que o maior destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança - um assassinato direto da criança inocente - assassinato pela própria mãe. E se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo sua própria criança, como nós podemos dizer para outras pessoas que não matem uns aos outros?..." [Madre Teresa de Calcutá]Danni^^

Pequeno insecto da memória de quem sou
Ninho e alimento? Se eu te pedisse a
Paz, a pedra do silêncio cobrindo-me
De pó, a voz rubra dos frutos, que me
Darias respiração pausada de outro
Corpo sob o meu corpo?
Perdoa-me por ser tão só, e falar-te
Ainda do meu exílio. Perdoa-me se não
Te peço a paz. Apenas pergunto: que me
Darias se a pedisse?
A sabedoria?
Um cavalo de olhos verdes?
Um tronco de madeira para nele gravar o teu nome junto ao meu?
Ou apenas uma faca de fogo, intranquila, no centro do coração?
Nada te peço, nada. Visito, simplesmente, o teu corpo de cinza.
Falo-lhe de mim, entrego-te o meu destino. E dele me liberto só
De perguntar: que me darias se eu te pedisse a paz e soubesses
De como a quero revestida por uma crista de sol em liberdade?
[Casimiro de Brito]
^^
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Não
Não, não tente se desculpar
Não volte a insistir
As desculpas já existiam antes de você
Não, não me olhe como antes
Não fale no plural
A retórica é sua arma mais letal
Vou te pedir que não volte mais
Sinto que você ainda me causa dor aqui
Por dentro
E que na sua idade já saiba bem o que é
Partir o coração de alguém assim
Não se pode viver com tanto veneno,
A esperança que me deu seu amor
Não me deu mais nada,
Te juro, não minto
Não se pode viver com tanto veneno
Não se pode dedicar a alma
A acumular tentativas
Pesa mais a raiva que o cimento.
Espero que não espere que eu te espere
Depois dos meus 26
A paciência já me esgotou.
E vou despetalando margaridas
E olhando sem olhar
Para ver se assim, você se irrita e se vai
Vou te pedir que não volte mais
Sinto que você ainda me causa dor aqui
Por dentro
E que na sua idade já saiba bem o que é
Partir o coração de alguém assim
Não se pode viver com tanto veneno,
A esperança que me deu seu amor
Não me deu mais nada,
Te juro, não minto
Não se pode morrer com tanto veneno
Não se pode dedicar a alma
A acumular tentativas
Pesa mais a raiva que o cimento
[Shakira]
^^
domingo, 1 de agosto de 2010
s.a.u.d.a.d.e

estar em nós daquilo que é distante,
desejo de tocar que apenas pensa,
contorno doloroso do que era antes.
Saudade é um ser sozinho descontente
um amor contraído, não rendido,
um passado insistindo em ser presente
e a mágoa de perder no pertencido.
Saudade, irreversível tempo, espaço
da ausência, sensação em nós premente
de ser amor somente leve traço
num sonho vão de posse permanente.
Saudade, desterrada raiz, vida
que se prolonga e sabe que é perdida.
[Lupe Cotrim]
sábado, 31 de julho de 2010
Sessão pipoca - Big Girls Don't Cry
O cheiro de sua pele está grudado em mim agora
Você está provavelmente no seu voo de volta para sua cidade natal.
Eu preciso de algum abrigo para minha própria proteção, baby
Ficar comigo mesma concentrada, lúcida,
em paz, serena
Eu espero que você saiba, eu espero que você saiba
Que isso não tem nada a ver com você
Isso é pessoal, eu mesma e eu
Nós temos que ajeitar algumas coisas
E eu sentirei sua falta como uma criança sente falta do seu cobertor
Mas eu tenho que seguir em frente com a minha vida
Chegou a hora de ser uma garota crescida
E garotas crescidas não choram
Não choram,
não choram,
não choram...
O caminho que eu estou trilhando, eu devo ir sozinha
Eu tenho que dar pequenos passos até estar totalmente amadurecida
Contos de fada nem sempre têm finais felizes, não é?
E eu prevejo a escuridão à frente se eu ficar
(...)
Como um colega de escola no pátio da escola
Nós jogaremos cartas
Eu serei a sua melhor amiga
E você será meu namorado
Sim, você pode segurar minha mão, se quiser
Porque eu quero segurar a sua também
Nós seremos parceiros e amantes e compartilharemos nossos mundos secretos
Mas chegou a hora de eu ir pra casa
Está ficando tarde, está escuro lá fora
Eu preciso ficar sozinha concentrada, lúcida,
em paz, serena...
(...)
[Fergie]
^^
Como te amo?

Amo-te ao mais fundo, amplo e alto
Minh'alma pode alcançar, além dos limites visíveis
E fins do Ser e da Graça ideal.
Amo-te até ao nível das mais diárias
E ínfimas necessidades, à luz do sol e das velas.
Amo-te com liberdade, como os homens buscam por Justiça;
Amo-te com pureza, como voltam das Preces.
Amo-te com a paixão posta em uso
Nas minhas velhas mágoas e com a fé da minha infância.
Amo-te com um amor que me parecia perdido.
Com meus Santos perdidos - amo-te com o fôlego,
Sorrisos, lágrimas, de toda a minha vida! - e, se Deus quiser,
Amar-te-ei melhor depois da morte.
[Elizabeth Barrett Browning]
sexta-feira, 30 de julho de 2010

Fartas me sobem dor e palavras.
De vidro, nozes, de vinhas, me sobem dores
Tão tardas, tão carecentes.
Por que te fazes antigo, se nunca te demoraste
Na terra que preparei, nem nas calçadas
Da casa? Me vês e me pensas caça?
Ai, não. Não me pensas. Eu sim, nas noites
Que caminhadas. Que sangramento de passos.
Que cegueira pretendendo
Seguir teu próprio cansaço. Olha-me a mim.
Antes que eu morra de águas, aguada do que inventei.
[Hilda Hilst]
















