Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


Um crime à minha porta
sou ouro em teu olhar
serei o pai do teu prazer até ao dia
em que o amor for para nós
a última fatia
e se o trago é difícil
e a veia entope
só nos resta a nós os dois
a hemorragia

- Primeiro que eu compreendesse o meu corpo! Sempre tive muito cuidado com ele, porque sempre senti que fazia parte de mim. Nunca o desprezei e nunca o retirei da minha vida... Hoje tenho a sensação de que o cuidei como quem cuida duma casa vazia, só a pensar que é um lugar de calor e de carinho à espera de quem aí possa morar. Eu acho que um dia as pessoas ainda vão descobrir o que podem fazer com o corpo porque os sentimentos, quando estiverem purificados, vão ajudar-nos muito. Julgo que vamos viver melhor quando nos ligarmos mais pelos sentimentos do que pelos saberes. Tenho a certeza de que nunca usaria o meu corpo com leviandade mas, como a palavra, o corpo é um lugar de risco... A gente nem sempre encontra quem mereça as nossas palavras, não admira que custe a encontrar quem mereça o nosso corpo... Mas julgo que, antes de descobrirmos o corpo, temos outras coisas para descobrir.

(...)

- Julgo que o mais importante são as palavras. Quando se vive a solidão, sabe-se que, por causa duma palavra verdadeira, caem muitas vezes as muralhas que levantamos à volta das nossas almas.


Uma palavra verdadeira pode ser um milagre: é a solidão derrotada.



[António Alçada Baptista]


^^

domingo, 31 de janeiro de 2010

[...]


Não devia ter-te deixado entrar assim na minha vida, não devia. Mas não pude. Entraste em mim num assalto e foi doce resistir. Agora quero expulsar-te, e não consigo. Perdi-me em ti, por descuido. Agora não me encontro sem ti.

De tudo nada ficou como prova: nem uma linha com a tua caligrafia, nem uma fotografia em que estivéssemos os dois, nem um dos teus lenços preferidos. Por vezes julgo, enlouquecida, que nem sequer exististe. Fecho os olhos e faço por fixar uma só imagem na memória, um só movimento curto dos teus braços, um sorriso na tua cara, uma única palavra, boa ou má, e não consigo. A imagem escorrega, desfaz-se no centro ou nos cantos. Quanto mais tento, mais me escapa. Volto atrás e recomeço. O que me vem não é o mesmo. Não quero abrir os olhos para não ter que não te encontrar.

Quando me encontraste não precisava de ti. Já tinha ouvido dizer o teu nome e não fiquei curiosa. Quando me telefonaste disse-te que sim, como diria que não, por tédio. Como tu conheci muitos. No jantar aborreceste-me com as tuas conversas em que só falavas de ti, directa ou por interposta pessoa. Conhecia o teu género e não me agradava. Nem sequer chegavas a ser bonito ou frágil. Bebias demasiado. Estavas cheio de ti. Quando chegou o fim do jantar digo-te que o que senti foi alívio.

Telefono-te e tu não atendes. Sei que estás lá. Sei ainda que sabes que sou eu. E não atendes. Telefono a meio da noite para te acordar, para te obrigar a pensar em mim. Mal ou bem, é-me indiferente. Sim, chama-me nomes: sou eu.

Tudo foi por acaso. Achei ridícula a tua insistência ao telefone. Disse-te para não vires, e tu desobedeceste. Chovia muito. Eu chorava, por razões que nunca saberás, que nem sequer quiseste saber. Agarraste-me os braços, armado em protector. Nem sequer ouvia o que me dizias quando te deitaste ao meu lado no sofá. Ouvia só o som da tua voz, esse sim, confesso, a encantar-me. E depois tomaste-me como um ladrão, fazendo de cada recusa um avanço. Não era o teu nome que eu sussurrava entre dentes enquanto julgavas que me tinhas.

Deixaste-me de uma maneira tão cobarde. Na véspera, depois de uma discussão horrível, voltaste a prometer-me tudo. Sabia que mentias. E quando de manhã te deixaste ficar na cama e te despediste de mim lembrando-me que tínhamos um cinema combinado para a noite, também sabia que mentias. Quando voltei soube que tinhas dito a verdade quando repetias que não me merecias. Sobre a cama um postal com uma frase escrita à máquina: Fica querida com um beijo que não passe. Só te vou perdoar quando te esquecer.

Não sei quanto tempo demoraste a perceber que estares ali comigo não era uma vitória tua e que usava da companhia do teu corpo e dos seus préstimos para outras coisas tão banais como seja ires comigo à lavandaria. Mas sei que quando o soubeste e partiste uma primeira vez, a verdade era outra, e muito pior para mim. Houve essa noite em que soube que já não podias partir sem estragos, que já não suportaria perder-te sem dor.

Foram dois meses? Três? Em viagem o tempo é mais veloz ainda. Enquanto conduzias adormecia facilmente no teu colo. E nos hotéis protestavas contra tudo, envergonhando-me. Deixavas-me pagar as contas todas, e nada tinha demasiada importância. As paisagens eram belas, as cidades silenciosas, as estradas largas. Só tu eras o contrário do que devias ser e encalhei em ti como uma náufraga. Bebias sempre demasiado. Alternavas as palavras mais carinhosas com uma violência despropositada. Irritavas-te comigo, contigo, com o empregado de balcão. Fazias-me chorar. Aprendeste depressa demais todos os segredos do meu prazer e abusavas deles. A tua ideia do futuro era a de um planeta só habitado por loucos e criminosos. Confessavas muitas vezes que o nosso encontro tinha de ser breve para se manter belo. E enquanto durava ias estragando tudo.

Sei agora que o que me fascinava em ti era a tua desilusão. Tinhas estudado matemáticas em Atenas mas só admiravas os poetas. Ganharias dinheiro facilmente, mas recusavas-te. Nunca falavas de outras mulheres, o que era pior ainda. Os teus olhos, turvos por detrás das lentes, ajudavam ao mistério. Quando bebia contigo levavas-me para sítios tão inóspitos que tinhas de me trazer de volta, e eu tinha tanto medo como quando era criança e o meu pai me fazia atravessar o corredor sem luz. Assustavam-me as tuas bruscas mudanças de humor, as tuas súbitas ausências. Nunca te vi ler um livro. A vez que te vi mais entusiasmado foi diante da televisão a ver um jogo de futebol. Mas às vezes, inesperadamente, recitavas Homero, em grego antigo, sem que eu entendesse uma só palavra, e eu sabia então como nunca da minha paixão.

Já não te escrevo cartas. Tenho a certeza de que não as abres e que as deitas para um canto junto com as contas por pagar e a publicidade de enciclopédias. Gasto demasiado dinheiro a mandar-te telegramas. Perdi toda a vergonha. Suplico-te que voltes. Ofereço-me como escrava. Faz de mim o que quiseres. E tu não fazes nada. Se ao menos tivesses medo de mim, como tive de ti, e o perdi.

Presente, ainda te conseguia assustar. Lembras-te como te pus a sangrar com o estalo que te dei no carro, quando me disseste que restava sempre uma maneira radical e definitiva para escapar de ti? Quando o carro parou saí do carro a correr para dentro da floresta de castanheiros. Tu tentaste seguir-me, mas depressa deixaste de me ver. Muito quieta ouvia a tua voz a chamar por mim. Eu sei que estavas assustado. A tua voz traía-te. Gosto de me lembrar dessa voz a chamar por mim. Agora já não te posso assustar assim. Esperavas-me no hotel, onde cheguei bastante mais tarde, num quarto cheio de fumo, com uma garrafa de Gin no fim, que acabei. E quando te deitei, tu pediste-me perdão, se bem que já não te lembrasses disso na manhã seguinte. Foi a única vez que te senti meu.

Adio tudo tanto quanto posso. Tiro férias adiantadas. Deixo as coisas mais simples por fazer: buscar o relógio que está a arranjar, levar a roupa à lavandaria. O atendedor automático regista o que, ao fim do dia, apago sem ouvir. O gato passa a fome que eu não tenho. Fico horas dentro da banheira a ouvir o mesmo lado do mesmo disco e tu sabes qual é. Envelheço muito. Não sabia que isto podia acontecer. Começo a odiar-te, o que não me livra de ti.

Também sabias ser terno e atencioso. Levavas-me pelo braço em visitas guiadas aos museus para revermos sempre os mesmos quadros que com as tuas palavras transformavas em lições de história e de moral. Passeavas-me pelos parques nos dias muito frios com o teu cachecol encarnado, inventando o nome das árvores, beijando-me sem pudor diante de grupos de velhos. Sabias levar-me à felicidade para depois melhor sentir a tua distância gelada, a tua crueldade física. Muitas vezes preferi que me batesses a que me deixasses assim, e disse-to.

Fazias-me sentir uma menina, e depois uma estranha, mais tarde um bicho. Mas nunca era eu. Não me reconhecia nas poucas palavras que dizias de mim. Rias-te de mim. Eu nunca me ri de ti.

Tive hoje um apetite que não soube identificar. Houve qualquer coisa que procurei e que não encontrei. Pouco a pouco volto a mim. Dou de comer ao gato. Não ouço mais o nosso disco, que se partiu. Abro as janelas e deixo entrar o vento e sabe-me bem. Mais tarde ou mais cedo serás uma recordação, nada mais. Não depende sequer de mim. É uma coisa fisiológica. Desculpa-me. Se tivesse mão nestas coisas não seria assim.

Poucas vezes falavas do que tinhas sido. Do comunismo, o mais belo dos sonhos, que te tornara patente para sempre a miséria insuperável dos homens. Dos teus trabalhos de geometria, cinco meses a comer papas e a dormir três horas para ficares doente um ano inteiro com uma tese que não serviria nunca para nada. Da morte do amigo querido que desistiu disto tudo. Odiavas francamente as opiniões e as soluções teóricas. Dizias que os esquimós eram mais sabedores do que nós e davas exemplos. O progresso era a pior coisa que podia acontecer à humanidade. Não concordava com os teus exageros. Dizia-to, e tu respondias que quanto a isso eras pior do que eu, que não compreendias nada. Não me lembro de quase nada do que me dizias.

Acordavas de manhã e bebias sumo de laranja com vodka. Acordavas de noite para fumar. Dormias de manhã até eu voltar. Havia noites que passavas de pé, a andar de um lado para o outro, como um animal enjaulado. Como um animal me agarravas, te saciavas, me deixavas. Voltavas dois dias depois. Quando não sabias inventavas. Não havia amor possível, dizias, o tempo não deixava. Não acreditavas. Vomitavas. A vida não é uma coisa que se deseje a alguém, insistias. Fui eu quem disse que tinha de partir, que já não aguentava. E foste tu que fugiste, cobardemente, sem te despedires, sem nada deixares a não ser duas leves marcas no meu corpo que, durante semanas, escondi.

Onde estiveres não penses em mim. Deixa-me de todas as maneiras, as mais subtis. Tem muito cuidado com os cigarros, sobretudo não adormeças a fumar. Sinto uma paz grande que me vem pouco a pouco agarrar. Estou cansada. Vou dormir e quando acordar tu já não existirás em sítio algum dentro de mim. Juro.

[Pedro Paixão]

^^

sábado, 30 de janeiro de 2010

É a Distância...


"...o parágrafo dos olhos."

[Maria Teresa Horta]

^^

Descoberta do EU


Às vezes, devemos nos auto avaliar. Nesses momentos descobrimos que temos defeitos intermináveis. Também descobrimos, que a vida é difícil e nossa jornada complicada. Mas, aí , nesse exato momento, lembramos que temos sorte. Temos em nossos corações o mais importante da vida. Sabemos que em todos os momentos estamos acompanhadas de pessoas verdadeiras, que nos querem bem e realmente se importam com a nossa felicidade. E então, descobrimos que a vida é uma jornada ao conhecimento e devemos mergulhar de cabeça nesse caminho.
O conhecimento é tudo o que precisamos para fazer as pessoas felizes.
E nesses momentos de reflexão descobrimos que verdadeiros amigos são raros e que precisamos conservá-los com o fundo de nossas almas. E que nossas vidas são repletas, pois temos pessoas verdadeiras ao nosso lado, para juntas caminhar e compartilhar experiências.

E aí nesse exato momento a vida passa a ter sentido, pois concluímos que

nossa existência é primordial para as pessoas que nos amam.

^^

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Só se vê bem com o coração.


"Um segredo que me deixara mais alerta para as vozes que, nos livros e na vida, para além da sabedoria, repartiam a confiança e o amor. Um segredo que continuava a convidar-me para ir ao íntimo de mim própria e que, lentamente, me fazia entender que fora exactamente a vivência de desamor (nunca desejada, mas real) que me levara a procurar, procurar, uma outra maneira de ver o mundo. Reconciliar-me com ele.
E que me assegurava que o desamor podia não ser fatal. E para sempre.
Bem pelo contrário.
O desafecto também podia ensinar: a valorizar ainda mais as cores do afecto, a tecer histórias (aliás, se não tivesse sido aquele encontro com a mágoa, poderia até ter sido tecedeira de histórias, mas talvez não acarinhasse tanto o fio da ternura), a enfrentar o medo. Para o vencer. E também para o conhecer. As suas várias faces. Como demorei a descobrir que até o medo podia ter um avesso! Uma face protectora. Aquela que protegia de magoar os outros. De se magoar a si próprio. O desafecto.
Afinal, fora ele que me levara a procurar, a procurar...
Na incessante procura, tinha encontrado - e como isso, para mim, era essencial - o Príncipe, a Eterna Criança, e o seu amigo principezinho que não se cansavam de me lembrar: Só se vê bem com o coração.

O Céu pode estar dentro de nós."

[Graça Gonçalves]

^^

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Como se alonga o verão, quando a cor do vento varia?
Deambulam frases sobre dias parados

Como prenúncio de um tempo rigoroso,
as cores amarelecem sobre as ruas onde o céu
se desencontra com o vento

Há quanto tempo chamo os pássaros sem resposta?
E como fumo de um cigarro mal aceso,
as nuvens contrastam com o olhar que se vê ao espelho...


[eue]


^^

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Para-dig-ma


Paro no abrir de duas ou três janelas do esquecimento. Do outro lado da rua um gato atravessa-me as arestas do tempo. Há noite a escorrer pelos cabelos, lentamente, sem lua a serpentear os telhados das casas. Na ponta do cigarro uma estrela. É verdade. Coleciono despedidas nas raízes dos dedos e ninguém, mas ninguém mesmo, me salva da vontade de partir. Nessa fração de íntimo recolher de salivas e desejos não sou cais nem âncora. Crescem-me caminhos nos pés. Absurdo paradigma de nunca chegar.


^^

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Vem pra cá


Não ver você, não tem explicação
é caminhar pela escuridão
ficar a fim e não poder falar
querer o sim e não se acostumar
com a solidão, o medo de amar
estranho vazio no seu olhar
eu tento achar em algum lugar
o amor que você deixou pra trás

Vem pra cá !!!!


[Composição: Léo Henkin/Serginho Moah]


^^

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os Primeiros Encontros


Cada momento passado juntos
Era uma celebração, uma Epifania,
Nós os dois sozinhos no mundo.
Tu, tão audaz, mais leve que uma asa,
Descias numa vertigem a escada
A dois e dois, arrastando-me
Através de húmidos lilases, aos teus domínios
Do outro lado, passando o espelho.

Pela noite concedias-me o favor,
Abriam-se as portas do altar
E a nossa nudez iluminava o escuro
À medida que genufletia. E ao acordar
Eu diria “Abençoada sejas!”
Sabendo como pretenciosa era a benção:
Dormias, os lilases tombavam da mesa
Para tocar-te as pálpebras num universo de azul,
E tu recebias esse sinal sobre as pálpebras
Imóveis, e imóvel estava a tua mão quente.

Rios palpitantes por dentro do cristal,
A montanha assomando na bruma, mar enfurecido,
E tu com a bola de cristal nas mãos,
Sentada num trono enquanto dormes,
— Deus do céu! — tu pertences-me.
Acordas para transfigurar
As palavras de todos os dias,
E o teu discorrer transbordante
De poder revela na palavra “tu”
o seu novo sentido: significa “rei”.
Simples objectos transfigurados,
Tudo — a bacia, o jarro —, tudo
Uma vez de sentinela entre nós
Se torna límpido, laminar e firme.

Íamos, sem saber para onde,
Perseguidos por miragens de cidades
Derrotadas construídas no milagre,
Hortelã pimenta aos nossos pés,
As aves acompanhando-nos o voo,
E no rio os peixes á procura da nascente;
O céu, a nós se abrindo.
Porque o destino seguia-nos o rastro
Como um louco com uma navalha na mão.

[Arsesii Tarkovskii]
^^

domingo, 24 de janeiro de 2010



Nem sempre a noite vem ao nosso encontro, para reconhecermos como uma luz acesa ao nosso lado traz consigo as mesmas recordações. Talvez acabe a solidão por ser ali menor. Estas são as imagens que conosco se confundem, quando nos aproximamos devagar uns dos outros, e reparamos na claridade que fica à nossa volta. Repetimos as palavras que tínhamos esquecido há muito. Sabemos que elas nos pertencem. Mas depois perdemo-las de novo.



Para se unirem, as mãos têm que estar vazias?



[Fernando Guimarães]


^^



A Púrpura dos Dias


Falar-te-ei de como se erguem
em flor as sementes,
de como o luar pode desfalecer
a solidão de um nome
e atirar-nos para o lugar das mãos

Ao longe a púrpura dos dias,
do ar respirado, da vida
que não pára de bater
em cada grão de terra
- nas tuas mãos, o meu
coração de lã e o frio
que não mais te tocará
por ser possível ser feliz.

[Vasco Gato]
^^

Jornal A Céu Aberto - 1ª Edição apresenta:

Passe lá no Céu e confira essa novidade!

^^


sábado, 23 de janeiro de 2010

Loba - Shakira

Regresso


Sem mais nem menos
surgiu o passado,
corpo intranquilo
feito de sons semelhantes
aos rostos que amei,
universo donde me excluí,
mar desprovido de cais
na obliquidade dos contrastes.

Esta noite voltei à minha infância:
menina rosada de sonhos nos bolsos,
bailarina de corda na caixinha de som.

À infância regressa-se solitariamente,
subindo um rio sem margens,
até ao lugar em que a nascente
se confunde com o tempo
e o tempo se transforma em espanto.

Procuro, teimosamente,
o rasto da brisa
que me invade o corpo
e apenas sei que o sonho
é um risco inquietante,
quando a solidão tem rosto
e se conhece a posição das estrelas
no âmago das palavras.

Reinicio a infância
no esboço do poema
e circunscrevo o litoral
fragmentado do que sou.

Quem foi que descodificou
o céu no meu olhar
e me deixou na alma
um deus imaginado?

Quando o espaço do sonho é circular
como o tempo das cerejas,
ou da migração dos pássaros
que fendem o infinito,
inadiado é o rito da poesia.

Se eu fosse uma gaivota, dançaria
na proa dos veleiros
até à hipnose
de abraçar a maresia.

[Graça Pires]

^^

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Saudade - Sentimentalismo


Saudade é um sentimento presente até demais em mim...
Um sentimento egoísta para nós, da língua portuguesa, cuja palavra não emprestamos para um país de "primeiro mundo" como os Estados Unidos da America [unft! que coisa, não?!]. I miss you não é saudade.
Eu sinto sua falta não é saudade. Saudade é muito mais... Saudade é um dos sentimentos mais prazerosos, mesmo que dolorido. E não, eu não sou masoquista. Ou sou?! Bem, não importa... Ou importa?!
Saudade é a lembrança daquela pessoa, daquele momento, daquilo que se viveu, do lugar que se foi, daquela viagem...
Saudade para mim, mas não passa nem quando [re]vejo a pessoa ou quando vou ao lugar.
É o chamado gostinho de quero mais! E a pior das saudades é aquela em que não se pode ver a pessoa novamente [ainda não vivi isso, ainda bem], ou não se pode viver o momento de novo nem ir àquele lugar novamente [sou feita disso]. Feita de nostalgia.
E veja você também um dos significados de saudade no dicionário; "Bot. Designação comum a diversas plantas da família das dipsacáceas, principalmente da espécie Scabiosa marítima, e às suas flores; escabiosa, suspiro."

^^

Silêncio


Digo: claridade. E tu repetes, no meio do sonho: claridade.
Digo: sangue do meu sopro. E tu repetes: sangue do meu sopro.
Digo: estou aqui. E tu devolves-me: ausência.

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O teu silêncio esmaga-me."


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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Só faço o que EU quero!


"É preciso reviver o sonho e a certeza de que tudo vai mudar."

"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver."

Por isso, eu só faço o que eu quero, só vou para onde quero, quando quero, com quem quero e não faço nada que eu não queira muito. Não adianta insistir.

^^

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

\o/


"Liberta o grito que trazes dentro, e a coragem e o amor. Mesmo que seja só um momento... Mesmo que traga alguma dor!..."

[Mafalda Veiga]

Faltam-me as palavras. (E os gestos!...) E as nuvens. E as estrelas.
(Sem importância. De qualquer maneira, o que importa?)

^^

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


Tinham passado um dia e uma noite inteiros nus, juntos, e durante a maior parte desse tempo não mais do que alguns centímetros afastados. Desde bebé que ninguém, além dele próprio, tivera tanto tempo para examinar como era feito. Como não havia no longo e pálido corpo dela nada que ele não tivesse observado, nada que ela tivesse ocultado e nada que ele não conseguisse recordar agora com uma percepção de pintor, com o conhecimento estético meticuloso e excitado de um amante, e como passara o dia inteiro não menos estimulado pela presença dela nas suas narinas do que pelas suas pernas abertas nos olhos da sua mente, a conclusão lógica era que não podia haver no corpo dele nada que ela não tivesse absorvido microscopicamente, nada naquela extensa superfície onde estava gravada a sua singularidade evolutiva auto-adoradora, nada na sua configuração única como homem, na sua pele, nos seus poros, nas suas patilhas, nos seus dentes, nas suas mãos, no seu nariz, nas suas orelhas, nos seus lábios, na sua língua, nos seus pés, nos seus testículos, nas suas veias, no seu pénis, nas suas axilas, no seu rabo, no emaranhado dos seus pêlos púbicos, no cabelo da sua cabeça, na penugem do seu corpo, nada na sua maneira de rir, dormir, respirar, nada nos seus gestos, no seu odor, no modo como estremecia convulsivamente quando se vinha que ela não tivesse registado. E recordado. E reflectido sobre.
A causa disso era o acto em si, a sua intimidade absoluta quando não só estamos dentro do corpo da outra pessoa como ela nos envolve estreitamente? Ou era a nudez física? Tiramos a nossa roupa e deitamo-nos na cama com alguém, e é na verdade aí que vai ser descoberto o que quer que escondamos, a nossa particularidade, seja ela qual for e seja como for que esteja codificada, e é aí também que está a origem da timidez e o que toda a gente receia. Quanto de mim está a ser descoberto nesse louco lugar anárquico?
Agora sei quem és.

[Philip Roth]
^^

Dentro
de mim
há uma planta
que cresce
alegremente
que diz
bom dia
quando nos amamos
ao entardecer
e boa noite
quando florimos
à alvorada
uma árvore
que não está com o tempo,
este tempo
a que chamamos
nosso...

[Pedro Oom]


^^


Em algum lugar (...)

(...)
Deve existir
Eu sei que deve existir
Algum lugar onde o amor
Possa viver a sua vida em paz
E esquecido de que existe o amor
Ser feliz, ser feliz, bem feliz.

[Vinícius de Moares]

^^

domingo, 17 de janeiro de 2010

E se fosse só hoje???


E se fosse só hoje?
só um dia como os de antes.
só um.
só hoje.
sem os para sempre que nos mata[ra]m
só esta noite.
[e a maldita palavra proibida sempre a bailar-nos na boca]

^^

Eu conheço


... as minhas liberdades pois a vida não me cobra o frete.

^^

Um pouco de Luis Fernando Veríssimo


Pros erros há perdão;
pros fracassos, chance;
pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

[Luis Fernando Veríssimo]

^^

Viajar é tão bom! =)

Estou colocando o pé na estrada. Quer saber o destino?
Visite A Céu Aberto - da Boca
^^

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010


A poesia não é síntese, é fragmento - é diferente. Não afirma, interroga, mesmo quando é afirmativa. Nunca é definitiva. Como qualquer procura, é a gestão de um vazio.
*
A poesia, mais do que qualquer outra forma de delinquência, só pode ser incompleta. Não há quem, começando um poema, o termine. O seu fim incerto é uma competência exclusiva de quem lê, não de quem escreve. Pode ser um jogo sujo, como em qualquer jogo onde não existem regras. Mas é de lei.
*
Há quem não entenda que não é a quebra do verso que nomeia a poesia. A quebra de linha é uma respiração, não um artifício. Se nada se consegue ler nesse intervalo onde nada está escrito, algo falhou. Na mão que antes escreveu ou nos olhos que agora lêem.

[Pedro Jordão]
^^

domingo, 10 de janeiro de 2010

Agradecimento


Obrigada...
Aos de sempre, aos de há pouco tempo, aos de hoje, aos que vão, de certeza, ficar para sempre no meu coração...
Obrigada por gostarem de mim como sou.
Obrigada pela sensação de segurança que estou sentindo.

Obrigada pela orientação prestada.
Os amigos são mesmo a melhor coisa do mundo...
Quem tem amigos verdadeiros, tem TUDO!


^^

Recebi esse Poema de um Homem mais que Especial... \o/


Este poema começa com um homem de tronco nu
à sua mesa de trabalho e hiante
a esta hora em que de oriente a ocidente
se acendem lâmpadas trémulas e bárbaras e ferozes
e o mar é o teu nome a esta hora pétala a pétala
em que subirei de avião para ir beijar-te os olhos
e ver no meio do deserto o único
o magnífico devorador de rosas a comer um pão
enquanto do oceano resta apenas
o silêncio de uma lágrima caindo nos joelhos de uma criança
Espera-me onde um nome há no ar escrito com saliva azul
com raiva azul
como a urina violenta dos amantes
com a sua flor azul à superfície onde crepita a morte

Choverá muito eu sei choverá muito
e não porei uma pedra branca sobre o assunto digo
sobre o tremor de terra em que tu danças
na tua roda de cigarros cada vez mais depressa
cada vez mais depressa
e lento o peixe de plumas de águia letra a letra
dá a volta ao mundo dos teus olhos
enquanto a dentadura cintilante pronuncia o grande uivo
de oriente a ocidente

Certas palavras muito duras quando a noite cai
não devem ter outra origem sabes tão bem como eu
porque agora a lava das lágrimas ao crepúsculo
são as rosas com que o poeta fala
à multidão em volta do crocodilo o animal repugnante
de costas para a luz contra o grande uivo:
de oriente a ocidente a mesma flor podre o estado
segredos de estado as razões de estado a segurança do estado
o terrorismo de estado os crimes contra o estado
e o equilíbrio do terror
de oriente a ocidente meu amor de oriente a ocidente

Digo não eu digo não
digo o teu nome que diz não

No entanto às portas da cidade e ao pé de cada árvore
à espera que tu chegues ou passes simplesmente
estão os grandes do império com o chapéu na mão
para cumprimentar-te
Então passas tu com a lua no peito
dividindo distribuindo os alimentos

Passas tu devagar atirando as moedas
que os dias não aceitam e gastamos depressa
noite mil e uma noites de quem espera

Meu amor países pátrias têm todos um nome
de letras imundas que não é para escrever
Se ainda podes ouvir o búzio da infância
ouvirás com certeza o sinal de partir

No comboio multicor sobre carris ferozes e azuis
que há mil anos dá a volta ao mundo
sou eu o homem que viaja nu porque eu sou
o arco-íris e a rosa no trapézio
e tu toda a paisagem que atravesso
como se fosse de bicicleta
como se fosse sílaba a sílaba
a primeira frase sobre a terra

Tu com as tuas luvas de amianto ao lado do vulcão
com a tua máscara de olhar a aurora boreal
de me olhares para sempre nua eu a tempestade
de coração a coração
Roda sórdida da razão cínica e canto de galos
depenados vivos que cantam nos intervalos da morte
no meu livro de horas deste século
está escrito que o homem livre fará o seu aparecimento
sob a forma de um cometa de cauda fascinante
que arrastará os amorosos até ao centro do mundo
donde partirão na rosa-dos-ventos e este será o sinal.

[António José Forte]


^^

Semana de Novidade No Céu Aberto - da boca \o/\o/\o/

Não deixe de conferir essa semana muito especial!
^^

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Os Olhos contam histórias

Os gestos mecanizam-se, o olhar nunca!...
^^

Se tantas pessoas dão a entender que vivem sem sonhos, é porque talvez haja um lugar, dentro de nós, onde eles se guardam, sem que se dê por isso. Não sei onde fica, reconheço. E, às vezes, intriga-me que o seu caminho e o nosso pareçam desencontrados. Imagino-o como uma longa despensa, mais ou menos esconsa (e fresca), de luz acolhedora, mas sem o bulício de uma praça de gente atarefada, onde se atropela quem esbraceja, fervilhante, e quem, do alto de uma janela, espreita, sereno, a vida lá em baixo. Em todas as pessoas, por mais que não pareça, há uma despensa de sonhos. Alguns, que depois de sonhados, se foram guardando, mais ou menos amarrotados e por escovar. Outros que lá foram parar embrulhados no papel colorido com que pousaram em nós, de surpresa. Posso estar enganado, mas acho - com convicção - que o mundo seria um lugar melhor (e mais bonito) se as pessoas se perdessem na despensa dos seus sonhos. pelo menos, de vez em quando.

Suponho que sempre que não podemos dizer, com simplicidade, abraça-me e não me perguntes porquê, há uma parte de nós que se esgueira para a despensa dos sonhos. E por lá fica, num já não sei se sei sentir. É aí que, sem ser fácil de entender, uma tristeza nos revolve, devagarinho. Não tanto pela dor com que magoa, mas pela vida de que nos separa (deixando que a rotina se desmazele nos sonhos e vá convencendo a vida a deixar de trocar mimos connosco).

Não sei se o grande privilégio dos sonhos será o de nos antecipar o futuro. Na verdade, imagino que eles sirvam para deixar que ele aconteça. Quanto mais preciosas são as pessoas que estão na primeira fila do nosso coração mais se tornam, perigosamente, abandonantes. Esperamos tanto que elas vão sempre um pouco mais à frente dos nossos sonhos que - quase sem querer - podem levá-los do júbilo para um canto, esquecido, na despensa dos sonhos. Quem não compreende um olhar nunca entenderá uma longa explicação. E será por isso, acho eu, que - depois de confiados à despensa - escasseiam as pessoas junto de quem os sonhos se possam confessar, dando vida ao seu desejo de serem nossos, outra vez (com a inocência, discreta de uma ave que encontra, em pleno voo, as suas asas). Na verdade, precisamos de ter quem olhe por nós para cuidarmos dos sonhos (com a audácia de quem, ao guardá-los num livro, altera - sempre que queira - a forma como ele acaba só para nós).

O mais enigmático dos sonhos não passa por viverem guardados numa despensa. Mas por só descobrirmos que ela existe quando alguém, abraçando-nos sem perguntar porquê, os descobre e os solta. E, dessa forma, nos sossega quando mostra que o grande privilégio dos sonhos não passa por antecipar o futuro mas por deixar que ele aconteça.

[Eduardo Sá]

^^

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010


Sinto muito
Mas não vou medir palavras
Não se assuste
Com as verdades que eu disser

Quem não percebeu
A dor do meu silêncio
Não conhece
O coração de uma mulher


Eu não quero mais ser
Da sua vida
Nem um pouco do muito
De um prazer ao seu dispor

Quero ser feliz
Não quero migalhas
Do seu amor


Quem começa
Um caminho pelo fim
Perde a glória
Do aplauso na chegada

Como pode
Alguém querer cuidar de mim
Se de afeto
Esse alguém não entende nada?


Não foi esse o mundo
Que você me prometeu
Que mundo tão sem graça
Mais confuso do que o meu

Não adianta nem tentar
Maquiar antigas falhas
Se todo o amor
Que você tem pra me oferecer
São migalhas, migalhas...

[Compositor: Eramo Carlos]



^^

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O Sábio Chico


A vida é sempre aquela dança aonde não se escolhe o par. E depois de tantas voltas já não sabemos se somos nós que rodamos ou o salão, e tudo anda às voltas e tudo é indefinido. Não escolhemos o par, nem a dança. Apenas seguimos, ao sabor do que aparece. Eu trago o peito tão marcado das lembranças do passado. Não me deixam mais, as cicatrizes ficaram. As lições, não sei se as aprendi. E o passado não é assim tão longe. Sei que além das cortinas são palcos azuis. Mas é tão longe e espreitar através das cortinas não passa disso, de espreitar. Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll. (E que haja muito samba nesta vida). Eu cultivo rosas e rimas. Sempre gostei mais de palavras do que de flores, embora ambas sirvam para os mesmos fins: enganar uns, pedir perdão a outros, demonstrar sentimentos aos derradeiros. E pela minha lei a gente era obrigada a ser feliz. Mas nem a mim própria sei impor a minha lei. Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz. É mais testemunha do bem e do mal que eles me fizeram (e cada beijo guardado no canto de pele em que ele tocou). Uma festa acabou, nosso barco partiu. Outras festas me aguardam, outros barcos chegarão. Bateu uma saudade de ti. Porque bate sempre que oiço palavras de quem sabe o que foi gostar.O seu luar de prata virou chuva fria. E aprendi a não mais confiar em luar nenhum. Porém é bem melhor sofrer em dó menor do que você sofrer calado. E então canto, quando ninguém me pode ouvir. E mesmo quando me ouvem, canto baixinho. Pelas noites sem luar eu errei. Pelos dias sem luz também. O meu tempo inteiro só zombo do amor. E no fundo, sou a mais romântica deles todos. O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração. E já não sei ter tempo nem o que fazer dele. Amou daquela vez como se fosse a última. Que é melhor amar assim do que como se fosse a primeira. Hoje estou crescido, já não choro não. Descobri novas formas de chorar. Que a dor é tão velha que pode morrer. E é como se já fosse uma parte de nós. Tomei o calmante, o excitante. E esperei conseguir esquecer. Me embriagar até que alguém me esqueça. Mas nunca me esquecem. Pior, eu nunca me esqueço. Como fiz estradas de me perder... E sempre me perdi, e sempre me reencontrei. Meia-noite ela jura eterno amor. Eu aprendi a só o jurar para dentro. Viu morrer alegrias, rasgar fantasias. E viu nascer tristezas e brotar certezas. E saudades fúteis, saudades frágeis. Que tempo nenhum cura, apenas acalma. Os meus vinte anos, o meu coração. São meus, mas partilho-os com o mundo, até os vinte anos que ainda não fiz. Solta as unhas do meu coração. Antes que ele fique pequenino demais. Tem mais samba o perdão que a despedida. Mas a despedida tem mais bossa-nova que o perdão. O que não tem vergonha nem nunca terá. E será sempre cru e duro, mas risonho se natural. E que me aperta o peito e me faz confessar. Nem que seja para dentro, confessamos sempre. Quantos homens me amaram bem mais e melhor que você. Mas amamos sempre os piores amantes, os que nos amam demais na cama e demenos na rua, na sala, no peito. Até segundo aviso você prometeu me amar. Mas tantas promessas são quebradas... Vou cobrar com juros, juro. E juro não mais jurar. Antes que o amor acabe, traga-me um violão. Para sabê-lo cantar quando chegar o seu fim. É preciso não chorar, maldizer não vale a pena. E eu choro e maldigo e desaprendo a ser feliz.
Amaram o amor urgente. Porque só é amor quando a urgência se sente. A dor que a gente finge e sente. E finge que não sente e sente mais fingindo. Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração. E arranham sempre. Mas afaguei meu peito e aliviou. Porque alivia sempre, também. Já confudimos tanto as nossas pernas. O meu andar já nem é mais o meu. E cada qual no seu canto, em cada canto uma dor. E cada um com a sua, tão grande e tão pequena. Você vem feito criança p'ra chorar o meu perdão. E eventualmente um dia eu aprenderei a dizer 'não'. Mereça a moça que você tem. E aquela(s) que virá a ter. Seja lá como for, venha sorrindo. E ao sorrir tudo parecerá mais bonito. Diz que me ama e eu não sonho mais. Mas diz, por favor.

A vida ainda vale o sorriso que eu tenho p'ra te dar. "


^^

E se tivesse(s) respondido que, afinal...
É possível roubar os olhos de uma pessoa e tê-los na cabeça...?!

É melhor
fechares
os olhos, meu
amor,
antes que o
mundo
inteiro seja um
incêndio.

Os ventos todos
fechados dentro
da minha mão.
Quantos ciclones
queres?

Procurava
nos outros a
ternura, mas
só encontrava
poços cheios
de ódio e
nitroglicerina.


Aquele
poema,
ao contrário
dos outros,
tinha pólvora.
só lhe faltava
o rastilho.

Éramos
rebeldes por
sistema, a sonhar uma
revolução por dia. À
tardinha, na esplanada,
bebiamos um
cocktail molotov.

O terrorista
apaixonado
carregava, às
escondidas,
uma bomba-
relógio. Era
no peito. Era o

Coração.


[José Mário Silva]

^^

Primeiro esqueci o cheiro
E ao acordar já não senti o sabor da sua boca

Depois o corpo tornou-se memória
Em vez de impressão
Esfumado, perdido, inglório..

O seu rosto desaparecia
Ficavam quase nem os contornos

E no fim sentia só uma tristeza
De promessa feita e não tornada.

[Miguel Soares]

^^

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Meu Silêncio


Nunca tive tão pouca vontade de me comunicar com alguém. Apetece-me apenas o silêncio, o conforto dos meus pensamentos, o refúgio sólido do meu 'eu'. Tenho saudades das pessoas, mas não tenho vontade de estar com elas. Ou melhor, até tenho, mas não quero falar com elas. Quero apenas senti-las ao pé de mim, sem ter que trocar uma palavra. Até me assusto a mim própria... Sempre senti necessidade de falar, sempre tagaralei, sempre falei pelos cotovelos, sempre deitei tudo cá para fora com alguém. E agora, os pensamentos são tão nítidos na minha cabeça e não tenho a mínima vontade de os deitar cá para fora. Apenas quero sentir o abraço de alguém, dessas pessoas especiais de quem já sinto muito a falta e, no entanto, com quem não me apetece falar. Sinto é falta do contato físico, dum abraço, dum aconchego... Sem ter que falar, sem ter que fazer conversa de chacha, sem ter que abrir a boca. Não sinto falta disso.Acho que estou farta das palavras. Dos seus significados, do que elas escondem, do que elas são e do que elas trazem. Complicam demais, provocam mal entendidos, estragam amizades e romances. Eu uso demasiado as palavras, faço a minha vida girar em torno delas, falo e digo tudo em vez de agir. E agora cansei-me... Cansei-me de falar, cansei-me de escrever, cansei-me de comunicar através das palavras. Mas também não sinto vontade de agir. Só tenho vontade de encostar a cabeça num ombro amigo. E talvez chorar... Porque não? Não que me sinta triste, nada disso. Apenas porque acho que perdi o controle das palavras, perdi o dom da comunicação, pelo menos momentaneamente. Só consigo chegar aos outros através das emoções... Seja a chorar, a pedir um carinho, ou a sorrir. Só preciso de silêncio e duma mão amiga. Sem perguntas, sem diálogos, sem conversa.

Só quero apreciar o silêncio... Com aqueles de quem gosto. As palavras? Essas, já não as consigo usar.

^^

A mão Feliz


Há palavras que têm no poema uma função teatral
como as palavras com que se sai de cena.
É então que a mão pousa a caneta
pensando ser capaz de pegar na chávena
ou regar as plantas
nua.
A mão feliz está rodeada por palavras até à ponta dos dedos.
Sentamo-nos à mesa com elas
o nosso modo de amar depende delas
e os nossos beijos são a língua delirante do poema.
Depois da cena inútil da caneta pousada sobre a mesa
em que a mão sente que sofre um sofrimento
que não é de ninguém
um milagre acende o gesto que se perde na distância
de um "lá" que ninguém olha,
maravilhosa palavra com que saio do poema.

[Rosa Alice Branco]

^^

domingo, 3 de janeiro de 2010

Pa-ra-bó-li-ca


... ♪ Se a Tv estiver fora do ar, quando passarem os melhores momentos da sua vida...
Pela janela alguém estará de olho em você." ♪


^^

Meio cheio - Meio vazio


À medida que o tempo passa, percebo que estamos irremediavelmente sós. A única pessoa que nunca nos abandona é o nosso EU.
E isso é assustador e reconfortante...

^^




Por hoje,
prefiro estender o meu olhar sobre a ponte imensa que é o meu peito.

^^

O Céu está mais Azul do que Nunca! \o/

O aquecimento global nunca foi tão discutido como no ano que passou. E como sabemos, no verão ficamos ainda mais expostos às radiações solares, que estão cada vez mais intensas, devido à ação do homem na natureza. Enquanto as autoridades do mundo inteiro discutem como resolver essa questão, devemos reforçar algumas medidas para nos proteger dos danos do sol. Prevenção é a palavra de ordem desse verão.

Mas, não é só a pele que precisa ser blindada contra os raios ultravioleta. Olhos, boca e cabelo também exigem atenção. Para preservar sua saúde e beleza, descubra o que você deve fazer para manter cada parte do corpo protegida e as atitudes que você deve tomar antes de colocar os pezinhos na areia.

Nunca se pesquisou tanto o protetor solar como agora. E, para a nossa sorte, os estudos estão sendo pautados pela praticidade e pelo sensorial, para garantir o prazer na hora do uso do protetor. Afinal, surgem cerca de 115 mil novos casos de câncer de pele por ano, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O principal causador da doença é a radiação ultravioleta A. presente ao longo de todo o dia, mesmo quando o céu está nublado, altera o DNA das células de forma irreversível e responde por 75% do envelhecimento cutâneo, já que aumenta a produção de radicais livres e destrói o colágeno e a elastina. A radiação do tipo B, presente entre 10 e 16 horas, também favorece o surgimento do câncer e causa queimaduras. Com o tipo C você ainda não precisa se preocupar – apesar de tóxica, ela é barrada pela camada de ozônio.

Em nome da proteção integral da pele dos caros leitores do blog, mostrarei os cuidados básicos que devemos tomar no verão. Parece retórica, mas prevenir é a melhor solução.

Lábios merecem atenção: A pele da boca é muito sensível e recebe mais radiação por estar num dos pontos mais altos do rosto. Daí a importância do protetor labial. Ele ajuda a prevenir herpes solar e até o câncer de pele. Mas, para isso é preciso ser aplicado também ao redor dos lábios. No dia-a-dia, o FPS 30 é o mais indicado. Na praia, a proteção deve ser maior, feita a cada duas horas e após o mergulhar, suar, tomar líquidos ou beijar.


Óculos escuros sempre: Catarata pterígio (tecido que cresce sobre a córnea e prejudica a visão), conjuntivite, degeneração da retina e câncer de pele nas pálpebras podem surgir com o abuso do sol. As alterações oftalmológicas são silenciosas, cumulativas e podem levar à perda da visão. A prevenção é uma só: óculos escuros, que bloqueiam entre 99% e 100% da radiação ultravioleta. Entretanto, cuidado com os vendidos em camelô que, além de não ter FPS, são escuros de mais. Isso faz com que a pupila dilate e permita maior entrada de luz. Na hora da compra, vá a uma loja de confiança, confira se o modelo tem selo de certificação e faça um teste no fotômetro, aparelho capaz de medir quanto de radiação as lentes são capazes de bloquear.


Para manter os cabelos lindos: A radiação ultravioleta atinge a proteína capilar e deixa as escamas abertas, favorecendo a perda de água. Resultado: o cabelo fica quebradiço, ressecado, sem brilho, desbotado e com pontas duplas. A perda de proteína chega a ser duas vezes maior quando o fio não está protegido os loiros sofrem até quatro vezes mais que os castanhos. Então, já deu pra perceber que um protetor específico para o cabelo é imprescindível, certo? Não deixe de usar, existe opções como spray, creme para pentear ou leave-in com FPS quaternizado.(Esse tipo de tecnologia, que está descrita no rótulo, garante maior adesão do produto e aumenta sua resistência à água.) Na falta dela, o silicone é uma boa pedida, já que forma um filme protetor ao redor da fibra capilar. Só não esqueça de enxaguar a cabeça com água doce a cada mergulho e reaplicar o cosmético. Melhor ainda é usar um chapéu de tramas fechadas. Além de ser um charme, protege.


Corpo uniforme e sem queimaduras: O fator de proteção solar varia de 1 a 100 e esse número indica quantas vezes mais a sua pele vai estar protegida do sol com o uso do cosmético. Na prática, quem fica vermelha após dois minutos de exposição solar vai demorar 15 vezes mais tempo, ou seja, meia hora, ao lançar mão de um FPS 15. Por isso, na hora da compra, é necessário levar em consideração a cor da sua pele. E nunca se esqueça de passar nos pés, ele também faz parte do seu corpo.

Um protetor para cada rosto:
Usar uma textura que não combina com a sua pele pode resultar em vermelhidão, coceira, excesso de oleosidade e até acne.

Para acertar na escolha, confira as indicações de acordo com o tipo de pele:

*Pele seca e envelhecida
*Produto ideal:
creme
Porque é mais gorduroso e forma um filme sobre a pele que impede a saída da água.
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*Pele desidratada
*Produto ideal:
loção ou emulsão
Porque combina óleo e água, proporciona uma hidratação prolongada.
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*Pele oleosa, mista ou tendência à acne
*Produto ideal:
gel
Porque é rico em água e livre de gordura e álcool. Além disso, tem textura fina que é absorvida rapidamente.
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*Pele normal, oleosa ou sensível
*Produto ideal:
sérum, fluido ou gel-creme
Porque é elaborado com água e óleos leves, conferindo toque seco e suave.
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*Pele normal
*Produto ideal:
splay
Porque tem boa textura e ganha pontos extras pela facilidade de aplicação em áreas difíceis de alcançar, como as costas, e por resistir â água e ao suor, já que contém óleo.

O blog recomenda: Aproveite bem o verão, mas não abra mão da sua proteção. Afinal de contas:

É como um sol de verão
Queimando no peito
Nasce um novo desejo
Em meu coração
É uma nova canção
Rolando no vento
Sinto a magia do amor
Na palma da mão
É verão!
Bom sinal!
Já é tempo
De abrir o coração
E sonhar...


[Composição: Thomas Roth - Lulu Guedes]


Danni^^

sábado, 2 de janeiro de 2010

Obrigada DEUS por mais um dia...

Você acorda de manhã, trabalha, estuda, faz um monte de coisas o dia inteiro, de noite, algumas coisas dão certas, outras não. Você fica uma boa parte do dia alegre e tranqüilo e outra fica triste e nervoso; mas o que deve ser lembrado, é que a cada parte do seu dia, DEUS esta junto com você, te ajudando. E você a cada dia, antes de se deitar pra dormir, pensa no que aconteceu no seu dia; e diz: Obrigado Deus por mais um dia.
Apesar das dificuldades que passamos, que vivemos, alegrias, decepções, sucessos, fracassos, vitórias e perdas; sempre buscamos força para contornar a situação...
Uma simples derrota não é o fim, é só você não desistir, por isso ,você almeja novas conquistas, e sempre agradece a Deus por estar junto de nós.
Então eu sempre agradeço à DEUS, por sua misericórdia, sua proteção e por sempre me abençoar....Todos os dias da minha vida.

Obrigada DEUS por mais um dia na sua presença!!!!!

^^