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"Por um instante tudo vacilou, tudo mergulhou numa atmosfera de ambígua incerteza, como se uma grande mariposa flutuando no quarto tivesse ensombrecido com as suas asas trementes a imensa solidez das cadeiras e das mesas."
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"Não me deem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre."



"Quiseste tanto o Outono, mas agora não sabes o que fazer da tristeza da tua imagem refletida nos vidros sem cor das montras da cidade. Talvez o poeta estivesse a falar de ti quando dizia, quero sempre estar da maneira que não estou, ou talvez as pessoas nasçam com uma espécie de rótulo, no teu caso que te impede de ser permanentemente feliz, apesar de todas as coisas boas que te aconteceram nos últimos tempos. De todo o modo, sabes que apenas o toque, quem sabe a voz da maior delas te poderá devolver o brilho dos dias solarengos..."
Nas linhas da minha mão escrevo o nome da tua alma, e imagino-a, funda e amarga, presa nas minhas muitas paredes. Sopra o primeiro grito mal se apagam as estrelas do céu, e assim fica, até que o vento quente da noite pinte o amarelo da lua. Aí, pára de gritar, escondendo a sua vida secreta e fugitiva. No silêncio cortante da noite, sonha e esquece as linhas da tua mão, onde pousa o nome da minha alma. Sonha e esquece o acorde agudo da minha alma, que por tantas vezes foi tocado pelas linhas marcadas da tua mão.
Perguntaste-me 
"Tenho razão de sentir saudade,
"Homens que são como lugares mal situados^^
"Bienvenido has llegado
"Que farias do meu corpo, se despido das palavras? Que farias?, se eu apenas o bê a bá no presente do indicativo, sem um futuro do subjuntivo ou um pretérito mais que perfeito?
"Não te conheço e, no entanto, a tua voz derrapa cá dentro sem me encontrar um fim, como o momento interminável que precede o acidente, aquele em que adivinhamos que nada será o mesmo depois de. Sei-te um embate inevitável, sei-te o estrondo metálico que antecipo na estrada antes de me entregar nas mãos escorregadias do destino (digo eu) ou de deus (dizes tu), embora não saiba em concreto que verdade existe no razoável interesse que demonstras pela minha pessoa neste espaço estranho que não nos aquece nem nos pertence.
"Perguntas-me se quero boleia e convidas-me a entrar. Sento-me ao teu lado e vem-me um cheiro a pinho e ao teu peito agitado e húmido (como sempre quando me antecipas). Cerro as pernas e cruzo piamente as mãos antes que se me escapem para a tua braguilha de ganga engelhada, a roçar no volante a cada vez que o viras. Inclinas-te para o meio e para mim, escolhes um posto de rádio, não há nada de jeito, e é cada vez menos o cheiro do pinho brise natureza eficaz por seis semanas e cada vez mais o cheiro do teu peito que escorre abarbelado pelo desejo, eficaz a vida inteira, não precisa de recargas.
"Procuro a forma da tua boca na arquitetura da cidade, enquanto deslaço o sentimento agreste que antecede a perda. Guardo segredos só por ti desvendados e sorrio aos passantes, atirando-lhes à cara a arrogância de quem possui algo de único e de reservado, de exclusivo e de impraticável, como uma estância de luxo ubicada nas águas turquesa de outro continente qualquer. Trago-te em estado líquido, tanto de ti que te queixas entre as minhas pernas quando ando, com medo de caíres estatelando-te no passeio, e eu às vezes a alargar o passo só para provocar o teu medo e sentir que te agarras com força às minhas virilhas molhadas. Algures, um oráculo ecoa na decrepitude dos prédios e ordena-me que corra para longe, sob pena de as vísceras dos animais anunciarem derrotas e outras desgraças. Vejo o teu sexo nos pilares e nas cornijas, em evocações fálicas que me divertem e acendem, alheia que estou à mediocridade das analogias, embora o enunciado de tragédia que leio nas nuvens que dealbam o céu me devesse acautelar o riso e a desvergonha. A tua língua, o voo nervoso daquele pássaro, uma arvéola que hesita entre um beirado derruído e a estátua suja de um pedagogo. Quando finalmente me escorreres pelas pernas e, caído no passeio, eu seguir sem olhar-te, voltarei a sentir pequenos espasmos de alegria com a nova temporada da minha série favorita e retornarei ao cronometrar seguro de todos os momentos do meu dia, sentindo-me velha esmarrida mas em casa, de novo em casa. Apressar-me-ei a limpar as janelas por dentro e por fora com o detergente adequado e aposto que consigo até lavar a roupa na máquina sem a deixar toda da mesma cor. Em breve, quando me cansar das traições, das indecências e do teu pulsar dentro de mim, deixarei de ser a pessoa vernacular em que me transformaste para regressar ao mundo das horas contadas, das cortesias sem sentido, dos contarelos familiares e dos frescos no hipermercado."
'Vou vestir a minha loucura
Não me interessa saber o que fazes para ganhar a vida. Quero saber o que desejas ardentemente, se ousas sonhar em atender aquilo pelo qual o teu coração anseia.
"Arranco os meus olhos por todas as vezes que no meio da anônima multidão te detectei, como uma flor no meio das ervas daninhas. Por todas as vezes que me perdi no teu olhar.
Focalize seu olhar no ponto preto. A névoa em volta irá abaixar.
Vários Animais?!
Conte os pontos pretos na imagem acima. Vamos lá! Você consegue!

Quero ir pra outro planeta
Quero cores além do violeta
Eu vou voltar pra querência,
cansei da violência"No pain, no gain" é o que dizem
Então vem.....
Até onde a vista alcança não vejo ninguém
Nos dois pratos da balança... tudo bem.
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Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
a vida seca, os olhos úmidos
Entre duas pessoas
Entre quatro paredes
Tudo fica claro
Ninguém fica indiferente
Ninguém = Ninguém
O que me "encanta" é que tanta gente
Sinta (se é que sente) ou
Minta desesperadamente
A mesma Mentira
São todos iguais
E tão desiguais
uns mais iguais que os outros."
[Composição: Humberto Gessinger]
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Surrealismo parece-me a palavra exata para descrever esta semana e o toda a falta de sentido que tenho atravessado... Não sei transformar isto em palavras.
Fica a imagem, fica o caos.
"Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,