Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

Redes Sociais

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Quando morrem...



Quando morrem, os cavalos - respiram,
Quando morrem, as ervas - secam,
Quando morrem, os sóis - se apagam,
Quando morrem, os homens - cantam.



[Velimir Khliebnikov]


^^

terça-feira, 14 de junho de 2011

Afinal, o que é Fobia Social???



Caracteriza-se como fobia social o medo persistente de contatos sociais ou de atuações em público, por temer que essas situações resultem embaraçosas.


Leia sobre esse assunto aqui.



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As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões




As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres - ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que se abrigam.

É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas

Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos - no pescoço das mães - ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos

As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração.



[Daniel Faria - de Homens Que São Como Lugares Mal Situados (1998)]


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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Queremos a presença das coisas.



É tão simples, isto: queremos as coisas próximas, íntimas, como as peças de roupa pousadas na cadeira ao nosso lado. Próximo e íntimo, desse mesmo modo, o que nos pertence ainda mais de perto: a evidência viva do mundo. E toda inteira, já agora. Queremos aberta a porta do ser - que há-de ter certamente uma porta. Vendo bem, porque não haveria essa porta? Há, em certos dias, em certos lugares do mundo, uma tão certa harmonia entre a temperatura do corpo e a do ar que quase se perde a noção de entre uma coisa e outra ser a pele uma fronteira.
O ar parece então levemente texturado, suave como algodão em rama. Dir-se-ia que o trazemos vestido. É qualquer coisa como isto, o que queremos. Algo de que esse envolvimento fosse a imagem ou - melhor ainda - simplesmente um caso muito concreto.


[Rosa Maria Martelo]


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Primeira Imagem



Numa tarde de sol,
dispôs-se no bordado e a bordar.
É que a luz da varanda era tão forte
que os olhos se detinham,
implodindo.
“Um sonho”, desejara.
E alguém, sorrindo,
Lentamente afastou-se,
monte acima.



[ANA LUÍSA AMARAL, Imagens, Campo das Letras, 2000: 11]


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domingo, 12 de junho de 2011

Sessão pipoca - No More Lonely Nights


Eu não posso esperar mais um dia, antes de te ligar
Você pendurou meu coração numa corda
E tudo está balançando
Mas outra noite solitária, pode durar para sempre
E nós só podemos culpar a nós mesmos
É tudo o mesmo para mim, amor
Porque eu sinto, que estou certo

Chega de noites solitárias, chega de noites solitárias
Você é a luz que me guia
Dia ou noite eu sempre estarei lá

Não quero perder a emoção
De estar perto de você
E mesmo que demore alguns anos
Para transformar suas lágrimas em sorrisos
Eu farei o que sentir, que está certo

Chega de noites solitárias, chega de noites solitárias
Você é a luz que me guia
Dia ou noite eu estarei lá

E não vou embora até você me mandar
Não, eu nunca irei embora
É, eu sei, que o que sinto, é certo
Chega de noites solitárias


[Paul McCartney]

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Diálogo em alguns Atos - Podemos ter Tudo?

-Podemos ter tudo?
-Não podemos não...

-Podemos aspirar a tudo.

-Mas não conseguimos só porque queremos...

-Eu prefiro passar a vida perto dos pássaros à desperdiçá-la sonhando ter asas.

-É tenho que fazer alguma coisa...

-Então faça. Mas não pense que é a escolha certa, porque isso não existe.

-Eu faço minhas escolhas...

- Eu também faço as minhas...

-Você não é como eu. Talvez você tenha asas... E você quer que a sua vida tenha importância...Que tudo valeu à pena.

-Sim. Eu não quero só fazer o trabalho braçal, apertar parafusos e seguir instruções... como se a vida fosse uma manual a seguir. Quero algo, fazer com que alguma coisa ou alguém seja diferente, por ter acrescentado algo de valor, graças a mim. Isso sim, é fazer valer à pena...



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Sabe o que mais gosto quando o dia acaba?



É que amanhã começa tudo de novo...



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Tenho amigos santos e loucos



Prostitutas e poetas
Bêbados e drogados aos montes.

Tenho amigos que
não sei que são meus amigos.

Tenho amigos que mentem.
E eu acredito que eles precisem
que eu acredite.
E por que não acreditar?

Tenho amigos que não perdoo os
defeitos que são mais meus do que deles.

Tenho amigos que não
são meus amigos.

Tenho amigos que
deveriam ser amores, e são.

Tenho amigos
que são borboletas.
Suas cores me pintam.

Tenho amigos que não entendo
nada do que eles falam, e
sinto tudo o que eles sentem.

Tenho amigos que brigo.
Por não saber dizer que os amo.

Tenho amigos que são amigos.
Mas não são meus.

Tenho amigos que
são variações da minha
própria existência.

Tenho amigos que são tudo
o que o mundo precisa para
sobreviver.

Tenho amigos que são
o melhor que há em mim.



[Sintia Lira]


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sábado, 11 de junho de 2011

E pensar...

...que uma palavra ou um gesto, seu ou meu, seria suficiente para modificar nossos roteiros.


[Caio Fernando Abreu]


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Meu coração online‏



Poetas entendem de amor virtual porque tem em si a inspiração dos amores platônicos. Esse termo é usado porque Platão, filósofo grego, acreditava na existência de dois mundos: o das idéias e o finito, mundo material. No mundo das idéias, tudo seria perfeito e eterno. Assim os amores platônicos são uma espécie de idealização do outro. O mesmo pode acontecer com o amor virtual, quem está do outro lado do “tubo” pode não ser tão perfeito assim. Eu em meus dias já tive amores platônicos, a virtualidade daquilo que sonhava em meu coração que fosse realidade. Posso dizer que as vezes que o virtual tornou-se real jamais me decepcionei, porque tinha na mente esse conceito, que o outro não é perfeito.
As pessoas de carne e osso têm defeitos e qualidades, as virtuais justamente pela barreira da distancia, ainda que a conversa seja em tempo real, nem sempre nos deixam ver sua verdadeira face. Para conquistar precisamos mesmo só mostrar o nosso melhor. Sempre soube que amor ou paixão não são para principiantes, muitas vezes as pessoas se apaixonam é por si mesmas, pela sua capacidade de seduzir e se envolver, e não pelo outro, que é sempre tão complicado, cheio de carências e de expectativas.
Explicando como se eu fosse um médico(será algum tipo de fantasia?) entendo de amores platônicos e reais, de paixões verdadeiras ou virtuais por que já senti todos eles com muita intensidade, mas há uma espécie de síndrome com alguns amores virtuais pra mim. Eles se pretendem reais, mas mostram-se só até uma parte, se o “livro” delas tem 100 páginas, você só conhece até a pagina 45 no máximo. Elas não cofiam, tá certo o mundo é mesmo um perigo, as pessoas não são mesmo confiáveis. Mas a gente quando sabe da gente e percebe que o outro não confia o caminho fica interrompido, a conexão cai mesmo e o coração fica offline.
Sou um pouco autobiográfico no que escrevo, mas tá tudo lá nas entrelinhas, dá vontade de colocar um sinal tipo * quando é 100% por cento, pra sinalizar que “olha isso aqui é literal”, mas daí perderia a graça.
A parte tóxica do meu sangue inscreve no muro que “eu só sei amar se for pra sentir dor ou pra sentir prazer, isso significa que vou te fazer me odiar e me amar, mas juntos vamos sentir com toda a intensidade que esse sentimento tem”.
Amigos meus sempre me perguntam: “Você não te medo de se expor? De ficar vulnerável, das pessoas te ferirem? As pessoas sabem mais de você do que você sabe sobre elas”
Eu sempre respondo que não.

“Qual o seu nome?/Quero teclar com você/ O meu coração online/Não dorme sem navegar/Meu arquivo secreto (só meu)/Só tem mensagem de amor/Salva, não me deleta/Vê se me gravo em você...Eu sou seu site romântico/A senha do mapa astral/ Do outro lado do atlântico/Distante e em tempo real/Save-me Baby,save- meeeeeee” (Karynn- Amor virtual)


[Texto de Andre Luis Aquino]


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sexta-feira, 10 de junho de 2011

É preciso




É preciso fechar todas as portas, as gavetas, as janelas, as torneiras, desligar o fogão, acertar a dobra do lençol, prender o cabelo, tapar todas as canetas, desmarcar todos os livros, lavar as mãos, torcer o papel de todos os rebuçados. Depois, voltar a verificar tudo. Algum tempo depois deixei de dormir para o fazer. É preciso evitar atormentar, sem razão, o coração.



[Margo Pinto]







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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Esquizofrenia



Esquizofrenia Paranóide (F20.0)
Esquizofrenia Hebefrênica (F20.1)
Esquizofrenia catatônica (F20.2)
Esquizofrenia indiferenciada (F20.3)
Depressão Pós-Esquizofrenia (F20.4)
Esquizofrenia Residual (F20.5)
Esquizofrenia simples (F20.6)

Confira cada uma aqui.




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Poetas, homens da arte em geral.




Foram e sempre serão como uma ponte
Entre o imaginário antigo e o real presente.
Como bons feiticeiros trazem
Ás almas insatisfeitas como que uma porção mágica
Que causa um breve delírio voluptuoso
Um extasiar fugaz, que alivia os ais,
Dos inconformados com a realidade contemporânea.
Todavia seu ungüento não dura mais que alguns instantes
Seu efeito curador se converte em um maior pesar
Maior que a dor atroz do passado.
Portanto, dou um conselho aos amantes das belas artes.
Não deem ouvidos aos artistas do presente
Sejam vocês mesmos uma ponte e o viajante
Para ir ao mundo da pura arte...
Vão ao encontro do elixir da eterna melancolia
Na fonte, na sua origem, onde jorra com perfeição,
Tanto o bem, quanto o mal dos seus sublimes criadores.


[Evan do Carmo]


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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Nunca fui como todos...



Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...


[Florbela Espanca]


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terça-feira, 7 de junho de 2011

Não sou nada.



Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo...

[Álvaro de Campos]



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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Jean Piaget

O cientista suíço revolucionou o modo de encarar a educação de crianças ao mostrar que elas não pensam como os adultos e constroem o próprio aprendizado.




Conheça sua influência na educação infantil aqui.



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À Vida




Não roubarás minha cor
Vermelha, de rio que estua.
Sou recusa: és caçador.
Persegues: eu sou a fuga.


Não dou minha alma cativa!
Colhido em pleno disparo,
Curva o pescoço o cavalo
Árabe -
E abre a veia da vida.


[Marina Tsvietáieva]






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domingo, 5 de junho de 2011

Diálogo em alguns Atos - As coisas são como são...


Porque você está aí parado?


-Como sabe que sou eu que estou aqui?


-Posso sentir seu cheiro.


-Sim. Como um campo de rosas... Você precisa saber que o mundo é feio. As pessoas mentem, matam, e sentem fome.


-Por que está me dizendo isso?


- Porque o mundo não é tão feio como pensa. Vai ficar tudo claro. Antes, tudo que você via era desbotado, cinzento. O que sei, é que você não via o que os outros viam...


- E agora? As coisas serão bonitas?


- As coisas serão como são, pelo que são.


-Sei.



-Olha pra mim. Como estou?


- Parece triste.






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Meus amigos



Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril.

[Fernando Pessoa]






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