Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

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terça-feira, 18 de maio de 2010

Sessão pipoca - Gypsy



Partiu meu coração na estrada
Passei fins de semana costurando as partes de volta
Lápis e bonecas passaram por mim
Andar a pé fica muito chato quando você aprende a voar

Não é o tipo que volta pra casa
Tire a blusa e quem sabe o que você pode encontrar
Não vou confessar todos os meus pecados
Você pode apostar todas tentando, mas você não pode ganhar sempre

Porque eu sou uma cigana, você vem comigo?
Eu poderia roubar suas roupas e usá-las se elas servissem em mim
Nunca fiz acordos, exatamente como um cigano
E eu não vou recuar porque a vida já me mordeu
E eu não vou chorar, sou jovem demais para morrer se você for desistir de mim
Porque eu sou uma cigana

Eu não posso esconder o que fiz
Cicatrizes me lembram o quão longe que eu vim
A quem possa interessar
Só corra com uma tesoura quando você quiser se machucar

E eu digo
Ei você, você não é tolo. Se você diz que não
Não é assim que a vida acontece
As pessoas temem o que eles não sabem
Venha para o passeio
Venha para o passeio

Porque eu sou uma cigana, você vem comigo?
Eu poderia roubar suas roupas e usá-las se elas servissem em mim
Nunca fiz acordos, exatamente como um cigano
E eu não vou recuar porque a vida já me mordeu
E eu não vou chorar, sou jovem demais para morrer se você for desistir de mim
Porque eu sou uma cigana

[Shakira]


^^

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A vitória nossa de cada dia


Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer pelo menos não fui tolo e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.

[Clarice Lispector]


^^

domingo, 16 de maio de 2010


(...)

Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho(a)
Entenda!
Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.

E é só você que tem
A cura pro meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

[Legião Urbana]


^^

Saudade - de quem já partiu...

A saudade é o limite da presença,
estar em nós daquilo que é distante,
desejo de tocar que apenas pensa,
contorno doloroso do que era antes.
Saudade é um ser sozinho descontente
um amor contraído, não rendido,
um passado insistindo em ser presente
e a mágoa de perder no pertencido.
Saudade, irreversível tempo, espaço
da ausência, sensação em nós premente
de ser amor somente leve traço
num sonho vão de posse permanente.
Saudade, desterrada raiz, vida
que se prolonga e sabe que é perdida.


[Lupe Cotrim]


A senhora que foi duas vezes mãe...
duas vezes carinho...
duas vezes amor...
duas vezes compreensão...
o que mamãe fez por mim, você fez por ela também..
A senhora que foi exemplo de paz, de amor e de afeto...

Em seus lábios sempre encontrei
palavras de alívio para todos os sofrimentos.
E é reconfortante saber que a terei sempre presente no meu coração...

Obrigada por tudo!
Conselhos, exemplo de vida a copiar. Colo. O sorriso em seu semblante. Sinceridade. Proteção.

Em minhas lembranças estarão presentes todos os momentos de ternura, a sua necessidade de UNIÃO... De ver a família reunida... Obrigada pelos seus 87 anos de vida. Obrigada pelos elogios e incentivos. Obrigada por permitir todos os beijos e abraços apertados que eu pude te dar nessa vida.




Meu coração é só saudade, saudade, saudade... de ti, vovó.


Danni^^

sábado, 15 de maio de 2010


Suspensos na saudade
(moldada a medo)

deslizam pelo silêncio espelhos
em tons monocromáticos

criam sonhos desconexos
em pontas dos pés

onde a morte das abelhas envelhece as sombras
e peixes vermelhos brilham na violência do vento

delírios electrificados onde a luz canta baixinho
e as imagens dançam em desordem

é difícil acordar no interior da noite
(pintada em tons de sonho)
quando a luz amadurece nos corpos adormecidos

mergulhando num abismo de abelhas e peixes
sonhos cambaleando pela dor da respiração
numa ressaca onde acordo e apago memorias

ouvindo ainda restos da tua voz
perfumando o silencio.

[eue]


^^

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Um louco de Juízo

Que é loucura: ser cavaleiro andante
ou segui-lo como escudeiro?
De nós dois, quem o louco verdadeiro?
O que, acordado, sonha doidamente?

O que, mesmo vendado,
vê o real e segue o sonho
de um doido pelas bruxas embruxado?

Eis-me, talvez, o único maluco,
e me sabendo tal, sem grão de siso,
sou — que doideira — um louco de juízo.

[Carlos Drummond de Andrade - (Quixote e Sancho, de Portinari, 1974)]

^^

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Guerra Que Aflige Com Os Seus Esquadrões o Mundo



A guerra que aflige com os seus esquadrões o Mundo,
É o tipo perfeito de erro da filosofia.
A guerra, como tudo humano, quer alterar.
Mas a guerra, mais do que tudo, quer alterar e alterar muito
E alterar depressa.

Mas a guerra inflige a morte.
E a morte é o desprezo do universo por nós.
Tendo por conseqüência a morte, a guerra prova que é falsa.
Sendo falsa, prova que é falso todo o querer-alterar.

Deixemos o universo exterior e os outros homens onde a Natureza os pôs.
Tudo é orgulho e inconsciência.
Tudo é querer mexer-se, fazer cousas, deixar rasto.
Para o coração e o comandante dos esquadrões
Regressa aos bocados o universo exterior.

A química direta da Natureza
Não deixa lugar vago para o pensamento.

A humanidade é uma revolta de escravos.
A humanidade é um governo usurpado pelo povo.
Existe porque usurpou, mas erra porque usurpar é não ter direito.

Deixai existir o mundo exterior e a humanidade natural!
Paz a todas as cousas pré-humanas, mesmo no homem!
Paz à essência inteiramente exterior do Universo!

[Fernando Pessoa]

^^

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A hora da partida


A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

[Sophia de Mello Breyner Andresen]


^^

Chocolate


Chocolate, chocolate, chocolate
Eu só quero chocolate... Só quero chocolate
Não adianta vir com guaraná pra mim
É chocolate que eu quero beber...

Não quero chá, não quero café
Não quero coca-cola, me liguei no chocolate
Eu me liguei, só quero chocolate
Não adianta vir com guaraná pra mim
É chocolate que eu quero beber

Chocolate, chocolate, chocolate
Eu só quero chocolate.... Só quero chocolate
Não adianta vir com guaraná pra mim
É chocolate que eu quero beber.
[Marisa Monte]

^^

terça-feira, 11 de maio de 2010

A Miragem


Ah, se pudéssemos contar as voltas que a vida dá
Pra que a gente possa encontrar um grande amor...
É como se pudéssemos contar todas estrelas do céu,
os grãos de areia desse mar, ainda sim...

Pobre coração o dos apaixonados
que cruzam o deserto em busca de um oásis em flor.
Arriscando tudo por uma miragem,
pois sabem que há uma fonte oculta nas areias.
Bem aventurados os que dela bebem,
porque para sempre serão consolados.

Somente por amor a gente põe a mão
no fogo da paixão e deixa se queimar,
somente por amor, movemos terra e céus,
rasgando sete véus, saltamos no abismo sem olhar pra trás,
somente por amor...
e a vida se refaz e a morte não é mais pra nós.

[Marcus Viana]

^^

domingo, 9 de maio de 2010

Feliz dia das mães!!



^^
Segundo a Wikipédia a adolescência é a fase do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Com isso essa fase caracteriza-se por alterações em diversos níveis - físico, mental e social - e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto.


Hoje lá no Céu, contarei como foi essa fase de desenvolvido vivida por mim. Nos mínimos detalhes... Entre aqui e confira!


^^

sábado, 8 de maio de 2010

XXVI - Às Vezes

Às vezes, em dias de luz perfeita e exata,
Em que as cousas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Por que sequer atribuo eu
Beleza às cousas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer cousa que não existe
Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então por que digo eu das cousas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as cousas,
Perante as cousas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ver senão o visível!


[Alberto Caeiro]

^^

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Longe Demais

Beijei seu rosto e guardei
Achei sincero e sem dúvida
Era quase de manhã, era madrugada
A noite esconde a cidade e você some
Será que é cria da noite e eu não sei?
As horas cessaram naquela manhã
Que vem é outro dia, outro dia
Será um desencontro e eu vou sozinha
Ele não dá um sentimento
Será um jogo intenso que se anuncia
Ele ri e sabe o que faz
Te quis pra minha vida, todo tempo esperei
E a vida agora está em torno de você
Amanhã é longe demais
Pra quem não tem
Pra quem não sabe
Amanhã é longe demais
Pra quem não tem a eternidade.


[Compositora: Vanessa Da Mata]

^^

quinta-feira, 6 de maio de 2010


A felicidade sentava-se todos os dias no peitoril da janela.

Tinha feições de menino inconsolável.
Um menino impúbere
ainda sem amor para ninguém,
gostando apenas de demorar as mãos
ou de roçar lentamente o cabelo pelas faces humanas.

E, como menino que era,
achava um grande mistério no seu próprio nome.

[Jorge de Sena]
^^

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Vida Obscura


Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste num silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém Te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!


[Cruz e Sousa]

^^

terça-feira, 4 de maio de 2010


Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa actual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Pois sei que - em termos de nossa diária
e permanente acomodação
resignada à irrealidade -
essa clareza de realidade
é um risco.

Apagai, pois, minha flama, Deus,
porque ela não me serve para viver os dias.
Ajudai-me a de novo consistir
dos modos possíveis.
Eu consisto,
eu consisto,
amém..

[Clarice Lispector]

^^

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O Poeta Está Vivo

Baby, compra o jornal vem ver o sol
Ele continua a brilhar, apesar de tanta barbaridade
Baby escuta o galo cantar, a aurora dos nossos tempos
Não é hora de chorar, amanheceu o pensamento
O poeta está vivo, com seus moinhos de vento
A impulsionar a grande roda da história
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento
Se você não pode ser forte, seja pelo menos humana
Quando o papa e seu rebanho chegar, não tenha pena
Todo mundo é parecido, quando sente dor
Mas nu e só ao meio dia, só quem está pronto pro amor
O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou
Conheceu os jardins do Éden e nos contou
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento
Mas quem tem coragem de ouvir
Amanheceu o pensamento
Que vai mudar o mundo com seus moinhos de vento...

[Barão Vermelho]


^^