Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Descoberta do EU


Às vezes, devemos nos auto avaliar. Nesses momentos descobrimos que temos defeitos intermináveis. Também descobrimos, que a vida é difícil e nossa jornada complicada. Mas, aí , nesse exato momento, lembramos que temos sorte. Temos em nossos corações o mais importante da vida. Sabemos que em todos os momentos estamos acompanhadas de pessoas verdadeiras, que nos querem bem e realmente se importam com a nossa felicidade. E então, descobrimos que a vida é uma jornada ao conhecimento e devemos mergulhar de cabeça nesse caminho.
O conhecimento é tudo o que precisamos para fazer as pessoas felizes.
E nesses momentos de reflexão descobrimos que verdadeiros amigos são raros e que precisamos conservá-los com o fundo de nossas almas. E que nossas vidas são repletas, pois temos pessoas verdadeiras ao nosso lado, para juntas caminhar e compartilhar experiências.

E aí nesse exato momento a vida passa a ter sentido, pois concluímos que

nossa existência é primordial para as pessoas que nos amam.

^^

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Só se vê bem com o coração.


"Um segredo que me deixara mais alerta para as vozes que, nos livros e na vida, para além da sabedoria, repartiam a confiança e o amor. Um segredo que continuava a convidar-me para ir ao íntimo de mim própria e que, lentamente, me fazia entender que fora exactamente a vivência de desamor (nunca desejada, mas real) que me levara a procurar, procurar, uma outra maneira de ver o mundo. Reconciliar-me com ele.
E que me assegurava que o desamor podia não ser fatal. E para sempre.
Bem pelo contrário.
O desafecto também podia ensinar: a valorizar ainda mais as cores do afecto, a tecer histórias (aliás, se não tivesse sido aquele encontro com a mágoa, poderia até ter sido tecedeira de histórias, mas talvez não acarinhasse tanto o fio da ternura), a enfrentar o medo. Para o vencer. E também para o conhecer. As suas várias faces. Como demorei a descobrir que até o medo podia ter um avesso! Uma face protectora. Aquela que protegia de magoar os outros. De se magoar a si próprio. O desafecto.
Afinal, fora ele que me levara a procurar, a procurar...
Na incessante procura, tinha encontrado - e como isso, para mim, era essencial - o Príncipe, a Eterna Criança, e o seu amigo principezinho que não se cansavam de me lembrar: Só se vê bem com o coração.

O Céu pode estar dentro de nós."

[Graça Gonçalves]

^^

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Como se alonga o verão, quando a cor do vento varia?
Deambulam frases sobre dias parados

Como prenúncio de um tempo rigoroso,
as cores amarelecem sobre as ruas onde o céu
se desencontra com o vento

Há quanto tempo chamo os pássaros sem resposta?
E como fumo de um cigarro mal aceso,
as nuvens contrastam com o olhar que se vê ao espelho...


[eue]


^^

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Para-dig-ma


Paro no abrir de duas ou três janelas do esquecimento. Do outro lado da rua um gato atravessa-me as arestas do tempo. Há noite a escorrer pelos cabelos, lentamente, sem lua a serpentear os telhados das casas. Na ponta do cigarro uma estrela. É verdade. Coleciono despedidas nas raízes dos dedos e ninguém, mas ninguém mesmo, me salva da vontade de partir. Nessa fração de íntimo recolher de salivas e desejos não sou cais nem âncora. Crescem-me caminhos nos pés. Absurdo paradigma de nunca chegar.


^^

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Vem pra cá


Não ver você, não tem explicação
é caminhar pela escuridão
ficar a fim e não poder falar
querer o sim e não se acostumar
com a solidão, o medo de amar
estranho vazio no seu olhar
eu tento achar em algum lugar
o amor que você deixou pra trás

Vem pra cá !!!!


[Composição: Léo Henkin/Serginho Moah]


^^

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os Primeiros Encontros


Cada momento passado juntos
Era uma celebração, uma Epifania,
Nós os dois sozinhos no mundo.
Tu, tão audaz, mais leve que uma asa,
Descias numa vertigem a escada
A dois e dois, arrastando-me
Através de húmidos lilases, aos teus domínios
Do outro lado, passando o espelho.

Pela noite concedias-me o favor,
Abriam-se as portas do altar
E a nossa nudez iluminava o escuro
À medida que genufletia. E ao acordar
Eu diria “Abençoada sejas!”
Sabendo como pretenciosa era a benção:
Dormias, os lilases tombavam da mesa
Para tocar-te as pálpebras num universo de azul,
E tu recebias esse sinal sobre as pálpebras
Imóveis, e imóvel estava a tua mão quente.

Rios palpitantes por dentro do cristal,
A montanha assomando na bruma, mar enfurecido,
E tu com a bola de cristal nas mãos,
Sentada num trono enquanto dormes,
— Deus do céu! — tu pertences-me.
Acordas para transfigurar
As palavras de todos os dias,
E o teu discorrer transbordante
De poder revela na palavra “tu”
o seu novo sentido: significa “rei”.
Simples objectos transfigurados,
Tudo — a bacia, o jarro —, tudo
Uma vez de sentinela entre nós
Se torna límpido, laminar e firme.

Íamos, sem saber para onde,
Perseguidos por miragens de cidades
Derrotadas construídas no milagre,
Hortelã pimenta aos nossos pés,
As aves acompanhando-nos o voo,
E no rio os peixes á procura da nascente;
O céu, a nós se abrindo.
Porque o destino seguia-nos o rastro
Como um louco com uma navalha na mão.

[Arsesii Tarkovskii]
^^

domingo, 24 de janeiro de 2010



Nem sempre a noite vem ao nosso encontro, para reconhecermos como uma luz acesa ao nosso lado traz consigo as mesmas recordações. Talvez acabe a solidão por ser ali menor. Estas são as imagens que conosco se confundem, quando nos aproximamos devagar uns dos outros, e reparamos na claridade que fica à nossa volta. Repetimos as palavras que tínhamos esquecido há muito. Sabemos que elas nos pertencem. Mas depois perdemo-las de novo.



Para se unirem, as mãos têm que estar vazias?



[Fernando Guimarães]


^^



A Púrpura dos Dias


Falar-te-ei de como se erguem
em flor as sementes,
de como o luar pode desfalecer
a solidão de um nome
e atirar-nos para o lugar das mãos

Ao longe a púrpura dos dias,
do ar respirado, da vida
que não pára de bater
em cada grão de terra
- nas tuas mãos, o meu
coração de lã e o frio
que não mais te tocará
por ser possível ser feliz.

[Vasco Gato]
^^

Jornal A Céu Aberto - 1ª Edição apresenta:

Passe lá no Céu e confira essa novidade!

^^


sábado, 23 de janeiro de 2010

Loba - Shakira

Regresso


Sem mais nem menos
surgiu o passado,
corpo intranquilo
feito de sons semelhantes
aos rostos que amei,
universo donde me excluí,
mar desprovido de cais
na obliquidade dos contrastes.

Esta noite voltei à minha infância:
menina rosada de sonhos nos bolsos,
bailarina de corda na caixinha de som.

À infância regressa-se solitariamente,
subindo um rio sem margens,
até ao lugar em que a nascente
se confunde com o tempo
e o tempo se transforma em espanto.

Procuro, teimosamente,
o rasto da brisa
que me invade o corpo
e apenas sei que o sonho
é um risco inquietante,
quando a solidão tem rosto
e se conhece a posição das estrelas
no âmago das palavras.

Reinicio a infância
no esboço do poema
e circunscrevo o litoral
fragmentado do que sou.

Quem foi que descodificou
o céu no meu olhar
e me deixou na alma
um deus imaginado?

Quando o espaço do sonho é circular
como o tempo das cerejas,
ou da migração dos pássaros
que fendem o infinito,
inadiado é o rito da poesia.

Se eu fosse uma gaivota, dançaria
na proa dos veleiros
até à hipnose
de abraçar a maresia.

[Graça Pires]

^^

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Saudade - Sentimentalismo


Saudade é um sentimento presente até demais em mim...
Um sentimento egoísta para nós, da língua portuguesa, cuja palavra não emprestamos para um país de "primeiro mundo" como os Estados Unidos da America [unft! que coisa, não?!]. I miss you não é saudade.
Eu sinto sua falta não é saudade. Saudade é muito mais... Saudade é um dos sentimentos mais prazerosos, mesmo que dolorido. E não, eu não sou masoquista. Ou sou?! Bem, não importa... Ou importa?!
Saudade é a lembrança daquela pessoa, daquele momento, daquilo que se viveu, do lugar que se foi, daquela viagem...
Saudade para mim, mas não passa nem quando [re]vejo a pessoa ou quando vou ao lugar.
É o chamado gostinho de quero mais! E a pior das saudades é aquela em que não se pode ver a pessoa novamente [ainda não vivi isso, ainda bem], ou não se pode viver o momento de novo nem ir àquele lugar novamente [sou feita disso]. Feita de nostalgia.
E veja você também um dos significados de saudade no dicionário; "Bot. Designação comum a diversas plantas da família das dipsacáceas, principalmente da espécie Scabiosa marítima, e às suas flores; escabiosa, suspiro."

^^

Silêncio


Digo: claridade. E tu repetes, no meio do sonho: claridade.
Digo: sangue do meu sopro. E tu repetes: sangue do meu sopro.
Digo: estou aqui. E tu devolves-me: ausência.

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O teu silêncio esmaga-me."


^^

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Só faço o que EU quero!


"É preciso reviver o sonho e a certeza de que tudo vai mudar."

"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão.
O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver."

Por isso, eu só faço o que eu quero, só vou para onde quero, quando quero, com quem quero e não faço nada que eu não queira muito. Não adianta insistir.

^^

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

\o/


"Liberta o grito que trazes dentro, e a coragem e o amor. Mesmo que seja só um momento... Mesmo que traga alguma dor!..."

[Mafalda Veiga]

Faltam-me as palavras. (E os gestos!...) E as nuvens. E as estrelas.
(Sem importância. De qualquer maneira, o que importa?)

^^

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


Tinham passado um dia e uma noite inteiros nus, juntos, e durante a maior parte desse tempo não mais do que alguns centímetros afastados. Desde bebé que ninguém, além dele próprio, tivera tanto tempo para examinar como era feito. Como não havia no longo e pálido corpo dela nada que ele não tivesse observado, nada que ela tivesse ocultado e nada que ele não conseguisse recordar agora com uma percepção de pintor, com o conhecimento estético meticuloso e excitado de um amante, e como passara o dia inteiro não menos estimulado pela presença dela nas suas narinas do que pelas suas pernas abertas nos olhos da sua mente, a conclusão lógica era que não podia haver no corpo dele nada que ela não tivesse absorvido microscopicamente, nada naquela extensa superfície onde estava gravada a sua singularidade evolutiva auto-adoradora, nada na sua configuração única como homem, na sua pele, nos seus poros, nas suas patilhas, nos seus dentes, nas suas mãos, no seu nariz, nas suas orelhas, nos seus lábios, na sua língua, nos seus pés, nos seus testículos, nas suas veias, no seu pénis, nas suas axilas, no seu rabo, no emaranhado dos seus pêlos púbicos, no cabelo da sua cabeça, na penugem do seu corpo, nada na sua maneira de rir, dormir, respirar, nada nos seus gestos, no seu odor, no modo como estremecia convulsivamente quando se vinha que ela não tivesse registado. E recordado. E reflectido sobre.
A causa disso era o acto em si, a sua intimidade absoluta quando não só estamos dentro do corpo da outra pessoa como ela nos envolve estreitamente? Ou era a nudez física? Tiramos a nossa roupa e deitamo-nos na cama com alguém, e é na verdade aí que vai ser descoberto o que quer que escondamos, a nossa particularidade, seja ela qual for e seja como for que esteja codificada, e é aí também que está a origem da timidez e o que toda a gente receia. Quanto de mim está a ser descoberto nesse louco lugar anárquico?
Agora sei quem és.

[Philip Roth]
^^

Dentro
de mim
há uma planta
que cresce
alegremente
que diz
bom dia
quando nos amamos
ao entardecer
e boa noite
quando florimos
à alvorada
uma árvore
que não está com o tempo,
este tempo
a que chamamos
nosso...

[Pedro Oom]


^^


Em algum lugar (...)

(...)
Deve existir
Eu sei que deve existir
Algum lugar onde o amor
Possa viver a sua vida em paz
E esquecido de que existe o amor
Ser feliz, ser feliz, bem feliz.

[Vinícius de Moares]

^^

domingo, 17 de janeiro de 2010

E se fosse só hoje???


E se fosse só hoje?
só um dia como os de antes.
só um.
só hoje.
sem os para sempre que nos mata[ra]m
só esta noite.
[e a maldita palavra proibida sempre a bailar-nos na boca]

^^

Eu conheço


... as minhas liberdades pois a vida não me cobra o frete.

^^