Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

Redes Sociais

https://www.facebook.com/danielle.manhaes --- Instagram: @danielle.manhaes @danielle.manhaes_psi

domingo, 31 de maio de 2009

Mudança no Blog...

Em breve, este blog terá uma nova cara.
Aguarde!

^^

"Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.” [Nietzsche]

Pensando alto: Por que algumas coisas parecem inalcansáveis?
Como se não tivéssemos altura suficiente pra alcançar a caixa colorida da última prateleira.
Seria o fim de semana, tempo de arranjar uma escada longa?
A segunda-feira, o dia de se tornar maior que a prateleira?
E o resto da semana, as oportunidades de descobrir o que há dentro da caixa e brincar com suas cores?
- Fica a flexibilidade do pensamento, e todo o seu desenvolvimento...

"Bom domingo pra vocês! Segunda-feira é um dia mais difícil porque é sempre a tentaiva de começo da vida nova. Façamos de cada domingo então um réveillon modesto, pois se meia-noite de domingo não é começo de Ano Novo, é começo de semana nova, o que significa fazer novos planos e fabricar sonhos."

[Clarice Lispector]

^^



sábado, 30 de maio de 2009

Motiv[ação]



Se o que dizem por aí é que temos que fazer o que gostamos, o mínimo que temos que fazer é gostar de viver, não acha?
Então me diga: Quais são os motivos que te levam a gostar da vida?
Porque eu tenho muitos; e o fato de estar viva é pouco pra mim. Todos os dias descubro um motivo novo. Se não descubro, invento. E todos os dias, minhas descobertas e minhas invenções têm 50% de chances de darem certo ou errado, de me fazerem sorrir ou chorar. É um desafio constante.
Desafios... A nossa fonte de MotivAçãO! É mais que ativar a realização de uma ação, se é que você me entende. É sair da areia, entrar no mar com uma prancha e surfar. Algo totalmente individual – cada um na sua prancha e pronto – pois o máximo que conseguimos passar a diante é o incentivo.
O que passamos para as pessoas possui efeito à curto prazo. Pra falar a verdade, acho que tudo que não vem de dentro da gente pode ser considerado temporário.
Podemos dizer então, que os desafios são nossos principais incentivos e que a falta de incentivo gera desmotivação – e desmotivação é o passo do fracasso. Mas cabe a você escolher o que se quer. Pois tudo que focamos se desenvolve, seja positivo ou negativo. Desenvolva-se como bem entender, mas desenvolva-se! Ou passe o resto da vida reclamando da sua rotina chata, do salário que não aumenta, das coisas que você aguenta e da rotina que não acaba.
O grande desafio então é desenvolver-se? É, pode ser.
Você está precisando de um incentivo pra fazer isso? Então vou lhes dar um...
Senhoras e Senhores, desenvolver-se hoje em dia não é pra qualquer um. Não mesmo!
É preciso competência. E você sabe o que é isso?
Um mix bonito de conhecimento, habilidade e atitude. Mas se você tiver motivação pra ser competente, metade da partida está ganha (o primeiro tempo – não o jogo inteiro!). A outra metade vai depender do que você vai fazer com isso.
.
Está tudo na sua mão: os motivos, a vida, os objetivos, a competência, o desenvolvimento e a AÇÃO!
.
Boa Sorte!
^^

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O Rosto da Matéria

"Parece simples a simplicidade que vem das coisas
e nos encontra a meio do caminho entre o que não fizemos e o que não faremos.
Também elas percorrem os círculos do poço em que se afundam a boca negra de onde sai a tinta e espalha a luz do dia igual á luz da noite.
Tratam-se por tu as coisas e esta intimidade flutua no ar do papel onde crianças voam com as cores de um papagaio, pois não é assim que o vento faz o vento desde todo o sempre?
Sempre as crianças brincaram com a chuva corsários da terra enlameada sujos de uma alegria que ninguém despe mas desfaz o tempo e tudo o que pensamos da simplicidade das coisas.
Essa lama que vive no rosto da criança é a única matéria do traço é a limpidez do ar."

[Rosa Alice Branco]

^^

terça-feira, 26 de maio de 2009

Bem ou Mal


"O começo e o fim podem ser iguais,
Depende de quem vai uma resposta
A inveja que mata não me afeta mais
Pois o que conquistei tem o direito de ser meu.
Entre o bem e o mal
A escolha certa
Pouco tempo pode ser demais
Pra quem sabe o que quer
Pra quem respeita a vida e assim mesmo,
O tempo muda sempre cada vez mais
E dentro de você
Existe o bem e o mal e a escolha certa."
^^

domingo, 24 de maio de 2009

Cuide Bem

Photobucket
"A vida sem freio me leva, me arrasta, me cega
No momento em que eu queria ver
O segundo que antecede o beijo
A palavra que destrói o amor
Quando tudo ainda estava inteiro
No instante em que desmoronou
Palavras duras em voz de veludo
E tudo muda, adeus velho mundo
Há um segundo tudo estava em paz

(...)

E cada segundo, cada momento, cada instante
É quase eterno, passa devagar
Se o seu mundo for o mundo inteiro
Sua vida, seu amor, seu lar
Cuide tudo que for verdadeiro
Deixe tudo que não for passar
Palavras duras em voz de veludo
E tudo muda, adeus velho mundo
Há um segundo tudo estava em paz."


[Herbet Vianna]

^^

sábado, 23 de maio de 2009

O Triunfo do Dia

"O sol entra na casa o que
perdemos é já demasiado
para podermos distinguir da parede
o retrato Houve um futuro
no fumo que sangrava
É a forma invisível que uma onda
de luz irá salvar? Esse encontro
da casa com o dia criará uma névoa
que nega a própria luz e vai como
uma nuvem guardar todo o poder
até se transformar num relâmpago
que não pertence ao dia
porque é o que ficou do que perdeu a
existência e de novo se perde
quando a onda regressa
ao dia de onde veio
enrolada levando na sua luz o rosto."

[Gastão Cruz]

^^



Afinal

"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas
E toda a realidade é um excesso, uma violência,
Uma alucinação extraordinariamente nítida
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas,
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos.


Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidade eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.
Mais análogo serei a Deus, seja ele quem for,
Porque, seja ele quem for, com certeza que é Tudo,
E fora d'Ele há só Ele, e Tudo para Ele é pouco.


Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro soturno.


Sursum corda! Erguei as almas! Toda a Matéria é Espírito,


Porque Matéria e Espírito são apenas nomes confusos
Dados à grande sombra que ensopa o Exterior em sonho
E funde em Noite e Mistério o Universo Excessivo!
Sursum corda! Na noite acordo, o silêncio é grande,
As coisas, de braços cruzados sobre o peito, reparam


Com uma tristeza nobre para os meus olhos abertos
Que as vê como vagos vultos noturnos na noite negra.
Sursum corda! Acordo na noite e sinto-me diverso.
Todo o Mundo com a sua forma visível do costume
Jaz no fundo dum poço e faz um ruído confuso,


Escuto-o, e no meu coração um grande pasmo soluça.


Sursum corda! ó Terra, jardim suspenso, berço
Que embala a Alma dispersa da humanidade sucessiva!
Mãe verde e florida todos os anos recente,
Todos os anos vernal, estival, outonal, hiemal,
Todos os anos celebrando às mancheias as festas de Adônis
Num rito anterior a todas as significações,
Num grande culto em tumulto pelas montanhas e os vales!
Grande coração pulsando no peito nu dos vulcões,
Grande voz acordando em cataratas e mares,
Grande bacante ébria do Movimento e da Mudança,
Em cio de vegetação e florescência rompendo
Teu próprio corpo de terra e rochas, teu corpo submisso
A tua própria vontade transtornadora e eterna!
Mãe carinhosa e unânime dos ventos, dos mares, dos prados,
Vertiginosa mãe dos vendavais e ciclones,
Mãe caprichosa que faz vegetar e secar,
Que perturba as próprias estações e confunde
Num beijo imaterial os sóis e as chuvas e os ventos!


Sursum corda! Reparo para ti e todo eu sou um hino!
Tudo em mim como um satélite da tua dinâmica intima
Volteia serpenteando, ficando como um anel
Nevoento, de sensações reminescidas e vagas,
Em torno ao teu vulto interno, túrgido e fervoroso.
Ocupa de toda a tua força e de todo o teu poder quente
Meu coração a ti aberto!
Como uma espada traspassando meu ser erguido e extático,
Intersecciona com meu sangue, com a minha pele e os meus nervos,
Teu movimento contínuo, contíguo a ti própria sempre,


Sou um monte confuso de forças cheias de infinito
Tendendo em todas as direções para todos os lados do espaço,
A Vida, essa coisa enorme, é que prende tudo e tudo une
E faz com que todas as forças que raivam dentro de mim
Não passem de mim, nem quebrem meu ser, não partam meu corpo,
Não me arremessem, como uma bomba de Espírito que estoira
Em sangue e carne e alma espiritualizados para entre as estrelas,
Para além dos sóis de outros sistemas e dos astros remotos.


Tudo o que há dentro de mim tende a voltar a ser tudo.
Tudo o que há dentro de mim tende a despejar-me no chão,
No vasto chão supremo que não está em cima nem embaixo
Mas sob as estrelas e os sóis, sob as almas e os corpos
Por uma oblíqua posse dos nossos sentidos intelectuais.


Sou uma chama ascendendo, mas ascendo para baixo e para cima,
Ascendo para todos os lados ao mesmo tempo, sou um globo
De chamas explosivas buscando Deus e queimando
A crosta dos meus sentidos, o muro da minha lógica,
A minha inteligência limitadora e gelada.


Sou uma grande máquina movida por grandes correias
De que só vejo a parte que pega nos meus tambores,
O resto vai para além dos astros, passa para além dos sóis,
E nunca parece chegar ao tambor donde parte ...


Meu corpo é um centro dum volante estupendo e infinito
Em marcha sempre vertiginosamente em torno de si,
Cruzando-se em todas as direções com outros volantes,
Que se entrepenetram e misturam, porque isto não é no espaço
Mas não sei onde espacial de uma outra maneira-Deus.


Dentro de mim estão presos e atados ao chão
Todos os movimentos que compõem o universo,
A fúria minuciosa e dos átomos,
A fúria de todas as chamas, a raiva de todos os ventos,
A espuma furiosa de todos os rios, que se precipitam,


A chuva com pedras atiradas de catapultas
De enormes exércitos de anões escondidos no céu.


Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma.
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode,
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode,
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge,
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida,
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes,
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos,
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções! "


[Álvaro de Campos]

^^

sexta-feira, 22 de maio de 2009

É o espelho sem razão...

Photobucket

"(...)Tinha suspirado. Tinha beijado o papel devotamente. Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. Sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava, enfim, numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase. E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações..."
.
[Marisa Monte]

TU

Essa música não sai da minha cabeça...
"Te regalo mi cintura
Y mis labios para cuando quieras besar
Te regalo mi locura
Y las pocas neuronas que quedan ya
.
Mis zapatos destenidos
El diario en el que escribo
Te doy hasta mis suspiros
Pero no te vayas más
.
Porque eres tú mi sol
La fé con que vivo
La potencia de mi voz
Los pies con que camino
Eres tú, amor, mis ganas de reír
El adiós que no sabré decir
Porque nunca podré vivir sin ti
.
Si algún día decidieras
Alejarte nuevamente de aquí
Cerraría cada puerta
Para que nunca pudieras salir
.
Te regalo mis silencios
Te regalo mi nariz
Yo te doy hasta mis huesos
Pero quédate aquí."
.
[Shakira]
^^

Palavras sem Limites

Hoje eu acordei com fome de palavras. Com fome de consolo. Aquele que a gente ajeita no colo depois do choro. Palavras com as respostas mais belas possíveis. Palavras com os sentidos verdadeiros. Sentidos inteiros. Sem rodeios, sem metáforas. Palavras que se põe pra fora, na lata - injetadas na alma. Palavras que registrem seus rabiscos nos meus ouvidos. Palavras que enriqueçam minha memória. Palavras que espantem meus medos, meus receios e essa minha ânsia. Palavras, por favor, de esperança. Palavras que se colhe, que se planta. Palavras ditas sem medo de parecer bobagem. Palavras que eu possa colocar na minha bagagem e levar embora. Palavras da boca pra dentro, do coração pra fora. Palavras que despertam meu silêncio, que me façam sorrir. Além de tudo, palavras que me façam sentir. Palavras reais, mesmo que banais. Palavras certas, mesmo que indiscretas. Palavras pequenas que me façam crescer. Hoje eu não to a fim de usar meu dicionário pra te adivinhar. Então esclareça todos os seus verbos – até que eu fique com vontade de te reler, me envolver nos seus sujeitos, e te escrever na minha agenda. Diga logo de uma vez. Preciso de palavras. Preciso que você me adivinhe, sem dicas, sem cruzadas, sem jogo da forca. Hoje é sua vez. Preciso gostar do seu timbre, do agudo e do grave da sua boca. Preciso da sua voz afinada ou rouca. Tanto faz. E diz as palavras que possam me tirar desse lugar onde eu não quero ir. Preciso de expectativas reais. Diga logo, mas uma de cada vez. Alimente meu desejo com sua sopa de letrinhas. Para que eu possa me saciar aos poucos até a fome passar [Será que passa?].

^^

[?]

"Vivendo, eu não representava para mim mesmo nenhuma imagem de mim. Porque tinha, então, de me ver naquele corpo, como uma imagem necessária de mim? Imagem que estava ali, na minha frente, quase inexistente, como uma aparição. (…) E eu podia não me conhecer assim. E se por exemplo, nunca mais me visse a um espelho?"

[Luigi Pirandello]


^^

Waiting For The Night

"Às vezes era assim: adormecias com um pássaro nos ombros e na garganta. Eras, então, a árvore e o ninho, o canto do pássaro. E eras também, por isso, uma dessas aves a que chamam canoras e trazias acordada no ouvido. E eras, também por isso, um búzio, um búzio com asas. Agora, desta varanda recuada onde te despes para colher o sol da tarde, já não se ouve o mar, e o vento que nele se deitava e agora se dilata já não encrespa as águas nem faz vibrar os tímpanos do sono. O pássaro que trazias nos ouvidos cedeu a garganta a outras vozes. Do ninho, restam apenas algumas penas envergonhadas pela ave de silêncio que ali morou por um tempo. Que só por um tempo é madrugada, só por um tempo é primavera, só por um tempo as aves cantam. E a árvore, agora só pede às raízes que por um tempo a sustentem ainda. Mas ninguém sabe quando um raio explode e transforma o tronco e as raízes em estátuas ou em bolas de sabão. Quer dizer: nas tábuas envernizadas dum colchão que alguém por nós encomendou e onde uma noite nos deitamos vestidos, preparados para a cerimônia a que preside um deus qualquer a que arrancaram os olhos e selaram a boca. Cerimônia a que, sem remorso, apenas uma vez assistiremos. Um deus sem olhos e sem boca, disseste. Acrescentarás: e sem nome. Que as máscaras são o rosto do vazio, e o vazio não se diz, a ausência não se nomeia."

[Albano Martins]


"Mais cedo ou mais tarde o silêncio virá
perguntar por ti."
.
[Albano Martins]

^^


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Quando Anoitece



"Quando anoitece
contorno no meu rosto
o perfil do dia que passou
e tudo o que não sou
me contradiz.

Quando anoitece
atravesso um labirinto
caiado de paixão,
pretexto circular
da minha fé.

Quando anoitece
faço emergir do abismo
um instinto quase secreto
e fujo da noite,
em vertiginosa simetria com o vento,
como se fosse um equívoco
esperar a madrugada
com a mesma lentidão
de um acto íntimo.

Contra um muro branco
esta lonjura gémea do vento.

Uma casa ou um regaço
alternando a desordem
de corpos molhados
numa dicotomia simulada
quando o prazer
é o reflexo nítido
de um coágulo de azul
queimado sobre madrepérolas.

São corais que no fundo da água
não quebram as vagas silvestres.

Nasci agora
enquanto uma andorinha
baloiçava no espelho
atravessado de pólen.

Sou, sílaba por sílaba,
o luto ou a negação
de desumanos deuses.

Quando anoitece..."

[Graça Pires]


^^

[...]



"Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar
Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia.
Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.
Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder
Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num
Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar
Num livro uma página estrategicamente aberta.
Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza
Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra
Que te quer. Soprá-la para dentro de ti
até que a dor alegre recomece."
.
[Maria Gabriela Llansol]

^^

terça-feira, 19 de maio de 2009

(...)

Photobucket

"Os dias amargos não falam
das palavras que pousam
nos meus lábios.

Prendem-se a olhares secos,
esculpem emoções onde o
corpo se rasga em silêncio

E como músculos promovidos
a respiração, descascam-nas
de sentido, e reclamam dos
olhos , as palavras esquecidas
pela voz."

[eue]

^^

Crepuscular

"A incerteza cai com a tarde
no limite da praia. Um pássaro
apanhou-a, como se fosse
um peixe, e sobrevoa as dunas
levando-a no bico. O
seu desenho é nítido, sem
as sombras da dúvida ou
as manchas indecisas da
angústia. Termina com a
interrogação, os traços do fim,
o recorte branco de
ondas na maré baixa. Subo a estrofe
até apanhar esse pássaro:
com o verso, prendo-o à frase,
para que as suas asas deixem
de bater e o bico se abra. Então,
a incerteza cai-me na página, e
arrasta-se pelo poema, até
me escorrer pelos dedos para
dentro da própria alma."
.

[Nuno Júdice]

^^



(...)

"Vivendo, eu não representava para mim mesmo nenhuma imagem de mim. Porque tinha, então, de me ver naquele corpo, como uma imagem necessária de mim?Imagem que estava ali, na minha frente, quase inexistente, como uma aparição. (…) E eu podia não me conhecer assim. E se por exemplo, nunca mais me visse a um espelho?"
[Luigi Pirandello]

^^


Doces metamorfoses

Não mais as doces metamorfoses de
uma menina de seda
sonâmbula agora na cornija da névoa

o seu despertar de mão a respirar
de flor que se abre ao vento.


[Alejandra Pizarnik]

^^

(...)


"Não pegues na colher com a mão esquerda.
Não ponhas os cotovelos na mesa.
Dobra bem o guardanapo.
Isso, para começar.
.
Extraia a raíz quadrada de três mil trezentos e treze.
Onde fica o Tanganica? Em que ano nasceu Cervantes?
Dou-lhe um zero em comportamento se falar com o seu colega.
Isso, para continuar.
.
Parece-lhe decente que um engenheiro faça verso?
A cultura é um enfeite e o negócio é o negócio.
Se continuas com essa moça fechamos-te a porta.
Isso, para viver.
.
Não sejas tão louco. Sê educado. Sê correcto.
Não bebas. Não fumes. Não tussas. Não respires.
Aí, sim, não respirar! Dar o não a todos os nãos.
E descansar: morrer."
.
[Gabriel Celaya]
^^

domingo, 17 de maio de 2009

O Sofrimento

Porque há dias que questiono:
Valerá um sonho a queda do despertar?



"Penso: talvez o sofrimento seja lançado às multidões em punhados e talvez o grosso caia em cima de uns poucos ou nada em cima de outros. Não a dor, não as pernas trôpegas de nódoas negras, não as costelas partidas a colar entre o sangue pisado, não a cabeça a rachar-se em tentáculos como raios, não a pele das paixões acabadas a abrir rasgões fundos em carne como vergadas de uma impotência absoluta; mas o sofrimento, permanente e constante, como todos os ossos expostos a furar os músculos e a pele."
[José Luís Peixoto]
^^

Arte Poética

"O poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido em
emória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
O poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.
O poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema,
não é araiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
O poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido."

.
[José Luís Peixoto, in A Criança em Ruínas]

^^



Cura?

Reflet.

"A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga, ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura."

[Ornatos Violeta]
.
^^

Tudo Cura o Tempo

Photobucket


"Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as feições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco que terem durado muito. São como as linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco com que já não tira; embota-lhe as setas com que já não fere; abre-lhe os olhos com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas com que voa e foge.
A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas: descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor! O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos."
.
[Padre António Vieira] - Sermões

^^

sábado, 16 de maio de 2009

Exército De Um Homem Só

"Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção -
A gente escreve o resto em linhas tortas nas portas da percepção, em paredes de banheiro, nas folhas que o outono leva ao chão.
Em livros de história seremos a memória dos dias que virão(se é que eles virão)
.
Não importam se só tocam o primeiro verso da canção -
A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão, escrito à luz de velas, quase na escuridão, longe da multidão.
.
Somos um exército(o exército de um homem só) no difícil exercício de viver em paz.
Somos um exército(o exército de um homem só) sem bandeira, sem fronteiras pra defender...
.
Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção -
A gente escreve o resto e o resto é resto: é falsificação. É sangue falso bang-bang italiano, suíngue falso, turista americano. Livres dessa estória a nossa trajetória não precisa explicação(e não tem explicação)
.
Não interessa o que o bom senso diz, não interessa o que diz o rei, [se no jogo não há juiz não há jogada fora da lei] não interessa o que diz o ditado, não interessa o que o estado diz, nós falamos outra língua moramos em outro país.
.
Somos um exército(o exército de um homem só) sem bandeira, sem fronteiras para defender...
Nesse exército,(o exército de um homem só) todos sabem que tanto faz ser culpado ou ser capaz... tanto faz ..."
.
[Composição: Humberto Gessinger]

^^


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mais de Mim - IV








Sou uma imaginação grande e uma fé sem fim. Eu acredito nas pessoas, acredito na vida e sobretudo mais em mim... Na minha intuição feminina, nos meus desejos loucos e nesse poder - que nem sei controlar direito - de ser diferentes conceitos e ter tantas transformações numa rotatividade sem fim.
Acredito que amanhã tudo pode melhorar. Se não melhorar, é porque ainda não chegou ao final.
Você aí, me faça sorrir? Vamos lá, não é tão difícil - embora às vezes pareça. Seja simples. Conte-me seus feitos, me faça sentir normal. Escute música comigo. Cante. Olhe nos meus olhos quando for falar comigo.
Pronto.
É como conquistar uma criança com chocolate. Eu também sou levemente ingênua e possuo uma sensualidade que está numa eterna fase de crescimento. Ando séria na rua. Rio em hora errada. E na hora certa de falar e agir - paro.
Tenho "amigos" que quando caio e me machuco, eles dizem: "Não fui eu". Enquanto outros apenas seguram minha mão e me apoiam.
Mas eu só te peço um favor, seja você qual for - quando eu te perguntar se vai doer (ainda mais), seja sincero. Seja gente. Porque gente sente dor e sabe como é. Dói. A gente grita, reclama, esperneia, mesmo sabendo que passa.
E se passar logo, também me diga. Assim economizo meus dramas. Eu não consigo prever tudo sozinha, apesar de imaginar tanto um futuro que continua incerto demais pra mim. Meus planos para amanhã, meus amores de ontem ou do ano que vem, eu já não sei. Não sei se vai doer ou me fazer sorrir. Sinto tanta falta de gente verdadeiramente sincera. Atitudes doces como chocolate, porque palavras eu já tenho: numa coleção preservada em embalagens bonitas.
.
Pra falar a verdade, essa semana estou sentindo falta de mim. Da minha coragem, do meu encanto, da minha loucura, e da fé guardadinha no meu peito. Sinto falta das respostas para minhas perguntas indiscretas e de tudo que eu ainda vou encontrar...

^^

Relógio Sem Ponteiros


"Quando agora te debruças sobre a água do tanque, vês projectado, lá no fundo, um relógio sem ponteiros. Percebes, então, que a ferrugem é também uma qualidade e um atributo da água, e não apenas de alguns metais a que chamamos vis. E percebes ainda que já não são necessários os relógios. Tu já não tens idade, nem o tempo, que partilha do halo e da fluidez da água e é, às vezes, como ela, tão inodoro e insípido, se deixa prender, mesmo num vaso de cristal. E não podes, assim, medir-lhe a respiração. A sua duração, se preferes. Se alguma ainda subsiste, é a que é regulada pelos ponteiros do seu próprio corpo."
.
[Albano Martins]
^^

A Púrpura do Dia

Ode For Cruelty

"Falar-te-ei de como se erguem
em flor as sementes,
de como o luar pode desfalecer
a solidão de um nome
e atirar-nos para o lugar das mãos

ao longe a púrpura dos dias,
do ar respirado, da vida
que não pára de bater
em cada grão de terra
- nas tuas mãos, o meu
coração de lã e o frio
que não mais te tocará
por ser possível ser feliz."


[Vasco Gato]

^^

Perguntinha:

"Quando digo «isto»
é a mim que vês na ponta dos dedos?
Ou é ao olhares-me
que o mundo se revela em ti?"...
.

[Rosa Alice Branco]

^^

(...)


... "inquieta espero
o rosto mítico das palavras...
Um nome que custa falar
não sei se veneno
vida
ou a solidão da palavra silêncio
em lápis-lazúli
esculpida e secreta..."
[Neide Archanjo]
^^

(...)

"Surge o teu corpo
como uma cilada violenta,
a tua presença desejada
e um incêndio
que eu não apago.

Tu vives
na natural harmonia
do teu corpo,
na sua pujança doce,
a eloquente imagem
que me atrai
porque em ti
está um outro
para além de mim.

A tua serena presença
está falando ao corpo,
aos olhos.
A memória é uma devastação
nestes campos
onde não há trigo
e o pão é infinitamente ardente,
como um deus
que nos faltasse
e nós o invocássemos
para nos secar a dor."

[José Luis Monteiro]

^^

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Angústia


"Será possível que Ela me faça perdoar as ambições continuamente esmagadas,
— que um final feliz compense os anos de indigência, — que um dia de sucesso nos adormeça sobre o vexame de nossa fatal incompetência.
(Ó aplausos! diamante! — Amor! força! — maiores do que glórias e alegrias!
— de qualquer jeito, por toda parte, — demônio, deus — Juventude deste ser; eu!)
Que os acidentes de feitiços científicos e os movimentos de fraternidade social sejam queridos como a restituição progressiva da sinceridade primeira?...
Mas a Vampira que nos faz gentis nos manda divertir com o que ela deixa, ou então que fiquemos mais malandros.
Rolar até ferir, pelo ar e pelo mar exaustos; até os suplícios, pelo silêncio do ar e das águas mortais; até as torturas de riso, em meu silêncio atrozmente murmurante."
.
[Jean Arthur Rimbaud]
Livro: Iluminações
^^

Vai dizer que não é assim que funciona?

Recebi por email este pequeno "diálogo", achei tão verdadeiro e atual que resolvi compartilhar com vocês: (O que a Mulher Diz e o Homem Escuta)rsrsrssr...

"O que a mulher diz:

Esta casa está uma confusão!

Amor, tu e eu temos que limpar isto,

As tuas coisas estão no chão e

Ficarás sem roupas para vestir se

Não as lavares agora mesmo!


O que o homem escuta:

blah, blah, blah, blah, Amor

blah, blah, blah, blah, tu e eu

blah, blah, blah, blah, no chão

blah, blah, blah, blah, sem roupas

blah, blah, blah, blah, agora mesmo! "

^^

Não passo pela Vida… E você, passa?

"Já tentei substituir pessoas insubstituíveis
E esquecer pessoas inesquecíveis
perdoei erros quase imperdoáveis.

fiz coisas por impulso,
Já me decepcionei com pessoas
Que nunca pensei que me iriam decepcionar,
Mas também já decepcionei alguém.
abracei para proteger,
sorri quando não podia,
Fiz amigos eternos,
Amei e fui amado,
Mas também já fui rejeitado,
Fui amado e não amei.

gritei e pulei de tanta felicidade,
vivi de amor e fiz juras eternas,
(Arrependi-me muitas vezes)!
chorei a ouvir música e a ver fotografias,
telefonei só para escutar uma voz,
Já me apaixonei por um sorriso,
pensei que fosse morrer de tantas saudades
E tive medo de perder alguém especial.
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E Tu também não deverias passar!

Vive!
É bom mesmo lutar com determinação,
Abraçar a vida com paixão,
Perder com classe
E vencer com ousadia,
Porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" para ser insignificante.

[Charles Chaplin]

Gundega Dege

^^

domingo, 10 de maio de 2009

Mãe...

Mãe é o sentido da vida,
é a razão de entender como podemos ser fortes,
no momento que todos nos julga impotente.
Mãe é o colo perfeito,
onde as lágrimas de dor
se transformam em consolo e depois de certo tempo
se transformam em aprendizado.
Mãe é o milagre de viver,
é onde tudo começa,
e o amanhecer do viver de cada um.
Mãe,
Uma das primeiras palavras que aprendemos a falar,
e não é uma simples coincidência, é a necessidade de tê-la sempre ao nosso lado.
Mãe,
não importa a distância,
sempre está ao nosso lado, torcendo, orando...
Pedindo a Deus a nossa felicidade.
Mãe,
Merece muito mais que um dia,
Merece muito mais que uma vida.

Feliz Dia das Mães!!!

^^

sábado, 9 de maio de 2009

Ouvir Estrelas

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!"E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
.
E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"
.
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
.
[Olavo Bilac]

^^

Selo: lista de Desejos


Bom gente, fui indicada pela Pamella Cassillas do blog: "Quem tem um sonho não dança", com o selo de lista de desejos. [Que perigo!!!]
Muito interessante!

Tenho que dizer 8 desejos que tenho e indicar 8 blogs para fazerem o mesmo!

Regrinhas:
Postar oito blogs, oito desejos e avisar aos que ganharam o selo por meio de comentário!
Então vamos aos desejos...

1-Desejo uma ótima educação(em todos os sentidos) para todos;
2-Desejo encontrar felicidade nas coisas mais banais;
3-Desejo ter dinheiro suficiente pra poder viajar e conhecer culturas e costumes de certos países incríveis (tipo: Zeca Camargo em a volta ao mundo);
4-Desejo ter um filho, de preferência menino;
5-Desejo ser uma das pessoa a abrir o baú do Freud, caso esteja viva até lá;
6-Desejo passar num concurso público federal logo após minha formatura;
7-Desejo poder identificar o momento exato em que as pessoas mentem;
8-Desejo sucesso/reconhecimento profissional.

Vamos aos felizardos:

http://pattypbranco.blogspot.com/
http://professorahildahelenasempre.blogspot.com/
http://comcamisinha.blogspot.com/
http://fabiosiqueira.blogspot.com/
http://yeuxaffames.blogspot.com/
http://loiratodosdias.blogspot.com/
http://quasepoesia.blogspot.com/
http://sociedadeblog.blogspot.com/

^^

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Hipocrisia... é o que temos no prato do dia.


Infelizmente o ser humano tem o ridículo hábito de seguir o caminho mais fácil. De julgar sem conhecer. De culpar por não querer se comprometer. De chorar para inverter situações.
Eu pensava que hipocrisia era coisa de político, que maldade só saía no jornal e que covardia era coisa de quem tinha medo.
Com o passar do tempo eu fui descobrindo que há mais pessoas do que você supunha com boas intenções de governar você. Que há mais pessoas do que você supunha que encenariam perfeitamente o papel da vilã da novela das nove. Que há mais pessoas do que você supunha com medo de perder.
Fico triste com tudo isso, logo eu que (ainda) acredito nas pessoas. Não que alguém tenha me passado pra trás ou me decepcionado. Embora frágil, ainda sou forte. Isso é apenas um desabafo diante do mundo. Acho que o mundo precisa de sonhos, cores, e um pouquinho mais de atenção com algo que não seja nosso próprio espelho.
^^

Despertar é preciso

"Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada."
.
[Vladimir Maiakóvski]

^^


(...)


"Desenha com a ponta dos teus dedos
as fronteiras exactas do meu rosto
as rugas os sinais a cicatriz que ficou da infância
o lento sulco das lâminas onde no peito
se enterra o mistério do amor
.
e diz-me
.
o que de mim amaste noutros corpos
noutras camas noutra pele
.
prometo que não choro mas repete
as palavras um dia minhas que sem querer
misturaste nas tuas e levaste
com as chaves de casa e os documentos do carro
- e largaste sobre a mesa com o copo de gin a meio
na primeira madrugada em que me esqueceste."
.

[Alice Vieira]


^^

Mas que sei eu


"Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha."
.
[Ruy Belo]
^^

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Quem eles pensam que são?

"Corrida pra vender cigarro
Cigarro pra vender remédio
Remédio pra curar a tosse
Tossir, cuspir, jogar pra fora
Corrida pra vender os carros
Pneu, cerveja e gasolina
Cabeça pra usar boné
E professar a fé de quem patrocina...
.
Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho, velocidade
Quem mente antes diz a verdade
Satisfação garantida
Obsolescência programada
Eles ganham a corrida antes mesmo da largada.
.
Eles querem te vender,
eles querem te comprar
Querem te matar (a sede),
eles querer te sedar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
.
Vender, comprar, vendar os olhos
Jogar a rede... contra a parede
Querem te deixar com sede
Não querem te deixar pensar."
.

[Humberto Gessinger]

^^