Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O Caminho Pisado

'Da cama p'ro banho,
do banho
P'rá sala
O sono persiste, o sol já não
Tarda
A vida insiste em servir um velho
Ritual
Que sempre serve a tantos outros
O mesmo pão comido aos poucos
Se senta e abre o jornal
Tudo parece normal
Um dia a menos, um crime a mais
No fundo no fundo no fundo tanto
Faz
Já é hora de vestir o velho paletó
Surrado
E caminhar sobre o caminho pisado
Que conduz rumo à batalha que
Inicia a cada dia
Conseguir um lugar p'rá sentar e
Sonhar na lotação
E é tudo igual, igual, igual...

No fim dos dias úteis há os dias
Inúteis
Que não bastam p'rá lembrar ou
P'rá esquecer de quem se é
O ar pesado nesse bairro pesado em
Plena barra pesada
A mão pesada vem oferecer
E conta os trocados contando
Vantagem
E toma uma bola, começa a viagem
E enquanto não chegar a velha
Hora
Que inicia cada dia
Em várias partes da cidade, por
Lazer ou rebeldia
A mão pesada se abrirá
Oferecendo a garantia barata de
Que tudo vai mudar
E é tudo igual, igual, igual... '


[Os Paralamas do Sucesso]


^^

sábado, 17 de janeiro de 2009

A Canção do Senhor da Guerra

"Existe alguém
Esperando por você
Que vai comprar
A sua juventude
E convencê-lo a vencer...
Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças
Com armas na mão
Mas explicam novamente
Que a guerra gera empregos
Aumenta a produção...

Uma guerra sempre avança
A tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Prá que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros
Na exportação...
Existe alguém
Que está contando com você
Prá lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer...
E quando longe de casa
Ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando
Novos jogos de guerra...

Que belíssimas cenas
De destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação...

Veja que uniforme lindo
Fizemos prá você
Lembre-se sempre
Que Deus está
Do lado de quem vai vencer...
Existe alguém
Que está contando com você
Prá lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer...
E quando longe de casa
Ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando
Novos jogos de guerra...

Que belíssimas cenas
De destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação...
Veja que uniforme lindo
Fizemos prá você
Lembre-se sempre
Que Deus está
Do lado de quem vai vencer...

O senhor da guerra
Não gosta de crianças..."


[Legião Urbana]
Composição: Renato Russo e Renato Rocha



^^

Geração Coca Cola

"Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove as seis.

Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola

Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser

Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola."

[Legião Urbana]
Composição: Renato Russo / Fê Lemos


^^

A Idade do Céu

"Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu

Não somos o que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Ou um capricho do sol
No jardim do céu

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu"

[Djavan]
Composição: Jorge Drexler



^^

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Assaltaram a Gramática


"Assaltaram a gramática
Assassinaram a lógica
Meteram poesia, na bagunça do dia-a-dia
Sequestraram a fonética
Violentaram a métrica.
Meteram poesia onde devia e não devia
Lá vem o poeta com sua coroa de louro
Agrião, pimentão, boldo
O poeta é a pimenta do planeta."
(Malagueta!)
[Os paralamas do Sucesso]
^^

Substantivo & Artigo


Recebi por email essa "aula de gramática" da língua portuguesa: Trata-se de uma redação feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.


"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.

O artigo, era bem definido, feminino, singular. Era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, ilábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro. Ótimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exatamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se.

Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.

Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois gêneros. Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais. Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objeto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular. Ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisto a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjetivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.

Que loucura, meu Deus!

Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objetos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas.

Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.”


^^

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tenho Pena e Não Respondo


"Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.
Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros --- cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.
Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?"
[Fernando Pessoa]
^^

Memórias


"E vinha a luz
e guardava-te
e eu guardava-te
também
em lugares mais seguros
que fotografias
ou poemas."
[Gil T. Sousa]
^^

sábado, 10 de janeiro de 2009

Quando janeiro passar....


"Pergunto-me desde quando
deixou de haver futuro
nas janelas.
Janeiro dói nos olhos
como areia
e tu e eu estamos para sempre
sentados às escuras
no Verão."
[Rui Pires Cabral]
^^

Poesia linda de Mário Cesariny de Vasconcelos



"Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficamos para perder
todos os teus elétricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria.

Andamos
dez quilômetros
a pé
ninguém nos viu passar
exceto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros.

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes.

O público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso.

Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso."

[Mário Cesariny de Vasconcelos]

^^

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

(...)

"A noite é uma página escrita
onde há uma vírgula depois de cada letra,
um ponto depois de cada palavra,
uma exclamação no fim de cada frase.
Ao fim de cada período está o teu corpo,
aberto num parêntese longo,
que explica a súbita eclosão de auroras noturnas.
No fim de tudo estão os teus olhos,
redondos como duas afirmações,
loiros e despenteados."

[Albano Martins]
^^

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

De: Emanuel Felix

"Coisa tão triste aqui esta mulher
com seus dedos pousados no deserto dos joelhos
com seus olhos voando devagar sobre a mesa
para pousar no talher

Coisa mais triste o seu vaivém macio
p'ra não amachucar uma invisível flora
que cresce na penumbra
dos velhos corredores desta casa onde mora

Que triste o seu entrar de novo nesta sala
que triste a sua chávena
e o gesto de pegá-la

E que triste e que triste a cadeira amarela
de onde se ergue um sossego um sossego infinito
que é apenas de vê-la
e por isso esquisito

E que tristes de súbito os seus pés nos sapatos
seus seios seus cabelos o seu corpo inclinado
o álbum a mesinha as manchas dos retratos

E que infinitamente triste triste
o selo do silêncio
do silêncio colado ao papel das paredes
da sala digo cela
em que comigo a vedes

Mas que infinitamente ainda mais triste triste
a chávena pousada
e o olhar confortando uma flor já esquecida
do sol
do ar
lá de fora
(da vida)
numa jarra parada."


[Emanuel Felix]
A Palavra O Açoite

^^

Sob as Sombras

"De anjos falo – os seres
que por aqui transitam
entre a recepção e a psiquitria
e durante horas se enredam em novelos
onde as cores misturadas ampliam
os berros e as carícias sob as sombras.

Os seres que se masturbam
na solidão do mundo e sem lágrimas
rebentam com o peito contra as grades, fulminados
da azáfama dos pássaros nos cabelos
e a ausente presença de Deus
sobre os ombros.

De anjos falo – no aterrador silêncio
perscruto-os em busca do refúgio
que não pode encontrar-se neste tempo
em que a vertigem fere as asas
imortais dos seres proscritos."


[Amadeu Batista]


^^

A arte do Silêncio


A arte do silêncio domino eu bem
já rompi os dedos nesse êxtase,
nessa pose ensaiada no vazio.
Exilado do corpo
espero na antecâmara da palavra,
marginal.
A voz
atulhada como uma larva
na garganta
desfia uma linguagem nada-morta.
Urge o exílio da alma,
a ferrugem nos olhos.
O suicídio do mundo
estilhaça demasiado perto da redoma.
Da queda, do meu quebranto
sobrevivem apenas os lábios.
- teimosamentecolados -
^^
[Texto do blog Improviso]

Quando se ama

^^

Plante seu jardim...


^^

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O que fazer?

 
 
A dor da palavra voltou, e eu sem saber o que fazer dela... sangrei.

^^

Lugar em que temos razão

"Do lugar em que temos razão
jamais crescerão
flores na primavera.
O lugar em que temos razão
está pisoteado e duro
como um pátio.
Mas dúvidas e amores
escavam o mundo
como uma toupeira, como a lavradura.
E um sussurro será ouvido no lugar
onde houve uma casa
que foi destruída."


[Yehuda Amichai]


^^

Quebrando o Silêncio


Esta parede
(depois de uma longa e
apurada meditação)
decidiu quebrar
o silêncio.........
^^

Três poemas de Carlos Nejar



"Aqui ficam as coisas.
Amar é a mais alta constelação.

Os sapatos sem dono
tripulando
na correnteza-espaço
em que deitamos.

As minhas mãos telhado
no teu rosto de pombas.

Os corpos
circulando
na varanda dos braços.
É a mais alta constelação."


***


Claridade

"O barulho de existir:
um cão
dentro de mim.
Atravesso
como a um pátio
o barulho de existir."



***


I

"Escrever a dor
sem revolver o fogo,
a envelhecida cinza.

O que pode o amor
com os dons aprisionados?

Escrever
a ferocidade das coisas."



^^

Se um dia...


Se soubessemos esperar a invisibilidade do corpo
com a paciência e elegância das flores,
talvez um dia nos tivesse bastado
.
um dia impossível
.
em que pudéssemos encontrar
um outro lugar, que não o mundo
- uma tela excessivamente nua.
.
Lembras-te como Oriente era a estação
mais florida de todo o ano?
.
Se ao menos não nos tivessemos tocado
- não duma forma tão incendiária
.
talvez ainda restassem palavras
onde pousar o silêncio dos lábios.
^^

(...)

"Magoa ver a magnólia cair. Acredita.
O relâmpago vem
sobre ela. A tempestade.
As plantas são tão frágeis como as cabanas dos homens.
Somos muito frágeis os dois neste poema
com o relâmpago, a cabana, com a magnólia aos ombros
sem nenhum terreno pulmonar intacto
para depois de nos olharmos um de nós dizer
plantêmo-la aqui-aqui
é o meu pulso,
a minha boca
é a retina com que procuras, é a madeira da porta
com que te fechas em casa. Prometo-te
eu nunca vou fechar os olhos
as mãos."


[Daniel Faria]

^^

Não dizia palavras

"Não dizia palavras,
Aproximava apenas um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.
Entre os ossos a angústia abre caminho,
Ergue-se pelas veias
Até abrir na pele
Jorros de sonho
Feitos carne interrogando as nuvens.
Um contato ao passar,
Um fugidio olhar no meio das sombras,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais emdesejo. Embora seja só uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja respostaninguém sabe."


[Luis Cernuda]

^^

Algo


Algo que flutue,
que abrace o sangue
numa minuciosa contorção.
Algo veloz
como uma flor a arder
nas encostas do silêncio,
como uma febre de pássaro
a vibrar azul.
Algo maduro,
como a luz a morder o teu corpo,
algo como a palavra
num embuste à vertigem
da solidão.
^^

Ás vezes, apetece-me dizer coisas Soltas


Amor, Entusiasmo, Ilusão, Espanto, Fraqueza, Humanidade, Discórdia, Encanto, Perda, Meiguice, Luxúria, Pena, Tédio, Surpresa, Admissão, Tranquilidade, Ressentimento, Saudade, Interesse, Mágoa, Pressa, Ousadia, Superioridade, Vigor, Adaptação, Serenidade, Renúncia, Inquietude, Amor-Próprio, Perceptividade, Medo, Leveza, Ira, Coragem, Delicadeza, Ciúme, Alienação, Carência, Cumplicidade, Carisma, Fuga, Descrença, Inocência, Gentileza, Indecisão, Equilíbrio, Euforia, Desencanto, Clareza, Devaneio, Calma, Igualdade, Expectativa, Gratidão, Harmonia, Inércia, Descontrole, Otimismo, Paixão, Integridade, Ternura, Sabedoria, Insegurança, Loucura, Espiritualidade, Humilhação, Autenticidade, Dor, Consciência, Agitação, Carinho, Deslumbramento, Cordialidade, Êxtase, Força, Iniciativa, Orgulho, Exigência, Auto-Estima, Passividade, Raiva, Perseverança, Paz, Impotência, Intimidade, Mistério, Liberdade, Embaraço, Dúvida, Inibição, Coerência, Aceitação, Criatividade, Independência, Exaustão, Dilema, Afirmação, Covardia, Iluminação, Fascínio, Infidelidade, Controle, Civismo, Ansiedade, Energia, Honestidade, Intuição, Companheirismo, Paciência, Timidez, União, Sensualidade, Respeito, Preconceito, Rebeldia, Vitória, Obsessão, Isolamento, Tolerância, Vergonha, Competitividade, Teimosia, Derrotismo, Histeria, Ingenuidade, Perdão, Comprometimento, Desejo, Apego, Decepção, Pudor, Tristeza, Segurança, Agressividade, Compaixão, Desonestidade, Ingratidão, Empatia, Docilidade, Prazer, Sarcasmo, Desinibição, Lealdade, Maldade, Esperança, Ausência, Confiança, Desprezo, Melancolia, Atração, Inveja, Vulnerabilidade, Ambição, Desgosto, Vontade, Rancor, Apreensão, Justiça, Constrangimento, Domínio, Pânico, Bondade, Vingança, Suavidade, Imperfeição, Sonho, Ardor, Vaidade, Simpatia, Adoração, Conflito, Desgaste, Negativismo, Sensatez, Alegria, Confusão, Egoísmo, Solidão, Arrependimento, Sensibilidade, Inferioridade, Despeito, Tenacidade, Convicção, Dependência, Agonia, Afeição, Desânimo, Intensidade, Culpa, Sintonia, Satisfação, Unicidade, Plenitude, Indiferença...


Jamais perfeitos, porém, nunca incompletos!


^^

domingo, 4 de janeiro de 2009

Sobre a Guerra....

"Só os mortos conhecem o fim da guerra." [Platão]

Entrada dos soldados israelenses foi acompanhada por bombardeio de artilharia terrestre.
Centrais de energia foram os principais alvos.

Desespero e medo nos olhos das crianças

Criança ferida chega nos braços do pai ao hospital Shifa, na Faixa de Gaza.

Palestinos choram a morte de parentes após identificar os corpos no hospital Shifa, em Gaza.

Palestinos tentam socorrer uma vítima soterrada após a destruição de um edifício em Gaza.

Homem anda pelos escombros deixados pelo bombardeio israelense.

Mulher chora durante manifestação de repúdio aos ataques, em Beirute, Libano.

Palestino ferido em Rafah, uma das áreas atacada por Israel.

As Forças Armadas de Israel iniciaram ontem uma ofensiva por terra contra o grupo palestino Hamas na Faixa de Gaza, matando ao menos 30 militantes, uma semana após o início dos bombardeios aéreos que já deixaram mais de 460 palestinos e 4 civis israelenses mortos. A invasão começou logo após anoitecer, quando terminou o shabat (o dia semanal de descanso judaico), com os soldados avançando 2 quilômetros dentro de Gaza. Em ataque aéreo, outro importante líder do Hamas foi morto ontem.
A operação terrestre já vinha sendo antecipada há alguns dias, com milhares de militares israelenses posicionados na fronteira com o território palestino. A invasão provocou reações da comunidade internacional.
O Conselho de Segurança da ONU marcou uma reunião de emergência que deveria entrar na madrugada. Colunas de tanques e veículos militares israelenses, com o apoio de helicópteros, atravessaram a fronteira em quatro direções no norte da Faixa de Gaza, perto da cidade de Beit Lahyia.
Pouco após a invasão, soldados israelenses e militantes do Hamas trocaram tiros. Um porta-voz militar de Israel disse que "dezenas de palestinos" morreram na ação terrestre.
Soldados israelenses também teriam sido mortos, segundo uma autoridade do grupo palestino, mas a informação não foi confirmada. Já estava de noite quando a ação começou e era possível ver explosões.
[As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.]
^^

Poema do amigo aprendiz

"Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."

[Fernando Pessoa]

^^

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

(...)

"Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando... Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu..."

[Luiz Fernando Veríssimo]
^^

Refletir... um instante

"Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim."



[Vergílio Ferreira in Conta-Corrente IV]

^^

Cheeeega!


"Estou farto desta merda!"

"Meus "amigos" são todos um bando de fura-olho."

"Quero sair desta vida mas não consigo..."
~
Estas são apenas três das frases que mais tenho ouvido nestes últimos tempos, neste mundo que não está a vista de todos. Depois de hoje, sinto-me um pouco melhor... melhor entendedora, melhor compreendedora, apenas um pouco melhor...
Depois de falar com aqueles que lhes deram vida, educação, amor, paixão, carinho, aqueles que lhes deram tudo; e ao dar tudo ficaram, sem nada.
Ficou apenas um espaço vazio onde antigamente, era o quarto de um filho, de um irmão, de um marido, de um pai... Aqueles que lhes deram a vida e aqueles que deles vieram dizem que apenas fica a ruptura...
Romperam com as mães, com os pais, com os irmãos...
Romperam com as esposas, com as namoradas, com os amigos...
Romperam com o emprego, com os colegas de trabalho...
Romperam com o mundo onde estavam e passaram pelo rasgão que lhe fizeram, para o mundo da droga!
Um mundo onde rompem com o seu corpo...
Rompem com a sua mente...
Rompem com a sua saúde...
Ao romperem com tudo o que os rodeia, apenas alguns dos que lhe deram vida ficam para os ajudar, e para se ajudar no meio de um mundo que destrói e rompe tudo a sua volta...
Um mundo que existe, mas que ninguém quer ver...
^^

Crescimento e dignidade...


The only way is UP! E adeus a todos os que nos querem mal...
^^

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Pra pensar...


"As pessoas influenciam-nos, as vozes comovem-nos, os livros convencem-nos, os feitos entusiasmam-nos."
[John Henry Newman]

"Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. - É a única."
[Albert Schweitzer]
^^

?

Distorcidos,
Apanhados no meio da confusão...
Atrofiados,
Débeis...
Sem força...
Até onde chegarão?

^^