Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

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terça-feira, 10 de novembro de 2020

A arte é a autoexpressão lutando para ser absoluta




 Ver muito lucidamente prejudica o sentir demasiado. E os gregos viam muito lucidamente. Por isso pouco sentiam. Daí a sua perfeita execução da obra de arte.

[Fernando Pessoa]

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Sonhos repetidos


 Há um mistério no meu sonho que eu ainda estou tentando desvendar. Sonhar com a mesma menina desde os 22 anos de idade não é por acaso. Tem um significado, eu sinto. 

Hoje sonhei e anotei o máximo que eu pude no caderninho que eu sempre deixo ao lado da cama, antes que o meu superego castrador tentasse tirar de mim as lembranças que só me fazem bem.

Foi lindo! Eu sempre sinto muito amor quando acordo. É o terceiro sonho deste ano de 2020.

Sinto-me feliz!


Danielle.

sábado, 31 de outubro de 2020

Com quem você quer falar por horas e horas e horas...


Baby, tanto a aprender... Meu colo alimenta você e a mim.




Mesmo quando eu não mais estiver
Lembre que me ouviu dizer
O quanto me importei
E o que eu senti...

O que foi escondido. O que foi prometido.


 Não tenho medo do escuro

Mas deixe as luzes
Acesas agora.

Uns Mais Iguais Que os Outros


Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há tanta gente pelas ruas
Há tantas ruas e nenhuma é igual a outra
Ninguém é igual a ninguém
Me espanta que tanta gente sinta
(Se é que sente) a mesma indiferença.

Há tantos quadros na parede
Há tantas formas de se ver o mesmo quadro
Há palavras que nunca são ditas
Há muitas vozes repetindo a mesma frase
Ninguém é igual a ninguém
Me espanta que tanta gente minta
(Descaradamente) a mesma mentira.

Há pouca água e muita sede
Uma represa, um apartheid
(A vida seca, os olhos úmidos)

Me assusta que justamente agora
Todo mundo (tanta gente) tenha ido embora.


[Humberto Gessinger]


Estatísticas Subjetivas


 

Em cada cem pessoas:


sabendo de tudo mais do que os outros:
- cinquenta e duas,

inseguras de cada passo:
- quase todas as outras,

prontas a ajudar
desde que isso não lhes tome muito tempo:
- quarenta e nove, o que já não é mau,

sempre boas porque incapazes de ser de outro modo:
- quatro; enfim, talvez cinco,

prontas a admirar sem inveja:
- dezoito,

induzidas em erro
por uma juventude afinal tão efémera:
- mais ou menos sessenta,

com quem não se brinca:
- quarenta e quatro,

vivendo sempre angustiadas
em relação a alguém ou a qualquer coisa
- setenta e sete,

dotadas para serem felizes:
- no máximo vinte e tal,

inofensivas quando sozinhas
mas selvagens quando em multidão:
- isso, o melhor é não tentar saber nem mesmo aproximadamente,

prudentes depois do mal estar feito:
- não mais do que antes,

não pedindo nada da vida excepto coisas:
- trinta, mas preferia estar enganada,

encurvadas, sofridas,
sem uma lanterna que lhes ilumine as trevas
- mais tarde ou mais cedo, oitenta e três,

justas
- pelo menos trinta e cinco, o que já não é nada mau,

mas se a isso juntarmos o esforço de compreender
- três,

dignas de compaixão:
- noventa e nove,

mortais:
- cem por cento,

número que, de momento, não é possível alterar.


[Wislawa Szymborska]

Final da ansiedade


 

Isto era o Destino:


 chegar à margem e ter medo da quietude da água.

Me Gusta...


 

Alice, resolva.


 

Agimos Certos

 


Sem querer, foi só o tempo que errou.

El té


Nunca creí que fuera así 
¿Cómo te fijarías en mí?

¿Qué es lo que esperas?

 


Ven confía en mi 
No hay porque dejar 
Para hacer después 
Lo que quieras ya 
Es el instinto 
Deja que te sacuda 
El cielo es de los que creen 
Y no de los que dudan 
Soy un volcán, en erupción...

Rock and roll


 

Primeiro era Vertigem




Como em qualquer paixão 
Era só fechar os olhos 
E deixar o corpo ir 
No ritmo...

No se como Olvidarte


Se me acaba el argumento 
Y la metodología 
Cada vez que se aparece frente 
A mí tu anatomía. 

 (Shaki)

Haveria Algo Ruminando O Lado Do Ouro