Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

#Eu sigo assim...



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Balada Do Amor Inabalável



É força antiga do espírito
Virando convivência
De amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão
Vontade gêmea de ficar
E não pensar em nada...

Planejando
Prá fazer acontecer
Ou simplesmente
Refinando essa amizade
Eu vou dizendo
Na sequência bem clichê
Eu preciso de você...



[Skank - Composição: Samuel Rosa / Fausto Fawcett]



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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pequeno Esclarecimento



Os poetas não são azuis nem nada, como pensam alguns supersticiosos, nem sujeitos a ataques súbitos de levitação. O de que eles mais gostam é estar em silêncio - um silêncio que subjaz a quaisquer escapes motorísticos e declamatórios. Um silêncio... Este impoluível silêncio em que escrevo e em que tu me lês.




[Mário Quintana]




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segunda-feira, 1 de agosto de 2011



como sou incapaz de contar histórias fotografo corpos
muitas vezes como maneira de agarrar o vento
faço construções de quem conhece por dentro a monotonia
e para aumentar o grão
anoto o vermelho que trespassa o olhar vazio.


[Maria Sousa]




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domingo, 31 de julho de 2011

Violência na Família



Embora possamos observar hoje profundas transformações na estrutura e dinâmica da família, há ainda a prevalência, em nossa sociedade, de um modelo de família que se caracteriza pela autoridade paterna e, portanto, pela submissão dos filhos e da mulher a essa autoridade, e pela repressão da sexualidade, principalmente feminina.
Essa autoridade e repressão aparecem como protetoras dos membros da família. Poderíamos perguntar se essa imagem falseada que se tenta passar realmente cumpre a função de proteção, ou se encobre práticas de violência sobre o uso do corpo da mulher, bem como acaba justificando os castigos físicos na educação dos filhos, perpetrados tanto pelo homem como pela mulher – o pai ou a mãe.
No interior da família, lugar mitificado em sua função de cuidado e proteção, existem muitas outras formas de violência além da física e sexual: ou seja, há o abandono, a negligência, a violência psicológica, isto é, condições que comprometem o desenvolvimento saudável da criança e do jovem.


Veja mais sobre esse assunto aqui.



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Sessão pipoca - Sexo Frágil - Vapor Barato







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Fica...





Fica ao menos o tempo de um cigarro, evita comigo que este tempo ande. Lá fora estão as casas, vive gente perto do candeeiro, o som que nos chega apagado pela distância só denuncia o nosso silêncio interrompido.
Ajuda-me, faremos o inventário das coisas que quisemos fazer e não fizemos, mágoas que deixámos esquecidas
entre o ruído das cidades. Fica, não te aproximes, nenhum dia é menos sombrio, quando anoitecer vamos ver as árvores caminhando cercando a casa.




[Hélder Moura Pereira]




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sábado, 30 de julho de 2011

E haverá um tempo para amar



e outro para encontrar as distâncias esquecidas. Sim. Alguma vez. Quando os rostos dos outros não me derem a medida exacta da solidão.


[Alejandra Pizarnik]



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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Contributos para uma Botânica Feminista





Sei que tu tens um gineceu. Eu também tenho um androceu. Se fossemos coerentes, nem sequer falávamos. (L)íamos.


Leio-te em Braille, cega de tanto te esperar.


[Joana Serrado]



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quinta-feira, 28 de julho de 2011

(...) O amor dito de palavra é açúcar nos ferrolhos da boca,





amor adoçado nas gengivas como um beijo de campânula. Amor que sobra das palavras dorme ao relento de corpo purgado ao vento, escavacando as ervas-beldroegas com as suas garras de leão-persa. Aos olhos de um amor que ainda ama, a infinidade da noite é uma mentira eléctrica serpeando que nem enguia o choro das caldas de Cáspio.


Aos meus olhos, o limbo da noite é estonteante e latente, dos olhos às mãos, e do peito à memória, uma âncora no céu-da-boca.



[Alice Turvo - Férreos Transversais]




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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Meus Próprios Campos



Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.





[Herberto Helder, in o Poema Contínuo]









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terça-feira, 26 de julho de 2011

Será que eu sou a única idiota do mundo?







Olho para a pilha de papéis que devo ler e anotar em vermelho e penso: caguei.
Preferia umas cem vezes te ver saindo do banho novamente, limpo de mim.
Pronto pra se sujar de mim novamente.
Aí olho para essa pilha de livros que ensinam a roteirizar e penso: grande merda.
Prefiria repassar pela milésima vez o roteiro que começa com você me beijando mais intenso, evolui pra você me beijando mais pra baixo e termina com você me beijando já sem forças.
Daqui a quarenta minutos chega o Paulão, meu personal.
Mas eu olho para a minha roupinha de ginástica esticadinha em cima da cama e penso: foda-se. Preferia ouvir você dizendo de novo: vai, é sua vez de malhar.
Preferia me irritar de novo com a sua preguiça de ficar em cima.
Chegou um e-mail com a programação completa do meu curso de yoga.
Chegou outro com uma planilha de Excel cheia de datas que eu devo cumprir.
Chegou outro com a mais nova modalidade de assalto na Henrique Schaumann.
Grande bosta.
Eu só queria que chegasse um e-mail seu.
Ou melhor: que você chegasse ao vivo.
E que você me trouxesse aqui a sua barriga, a sua nuca, a parte mais branca das sua coxas, a sua cara de bravo até pra sentir prazer e o seu cheiro de cigarro com amaciante.
Me traz você, por favor.
Me traz e leva embora todas essas coisas chatas que só servem para ocupar minhas horas enquanto você não chega.
Meu jornal me diz que a Record comeu uma boa parte do share.
E eu querendo comer você.
Minha revista me diz que a Petrobrás comprou a Ipiranga.
E eu querendo te trazer numa sacola e te usar dos pés à cabeça.
A internet me diz que a crise aérea não tem solução.
E essa minha saudade de você? Será que tem?
Não, o segundo casamento não é uma praga papa, praga é sentir isso.
Praga é acumular jornais, revistas, livros e papelada.
Tudo sem ler. Tudo sem sentir.
Porque me jogar pelos cantos e suspirar você é só o que eu consigo fazer.
Aí eu tomo um banho bem quente, pra te espantar da minha pele.
E canto bem alto, pra te espantar da minha alma.
E escovo minha língua bem forte, pra separar seu gosto do meu.
E quase vomito, pra parir você do meu fígado.
E tento ser prática e parar de suspirar.
E tento abrir a geladeira sem me perguntar o que eu poderia comprar pra te agradar.
E tento me vestir sem carregar a esperança de esbarrar com você por aí.
E tento ouvir uma música sem lembrar que você gosta de se esfregar de lado em mim.
E tento colocar uma simples calcinha e não uma bala perdida pronta pra acertar você.
E tento ser só eu, simplesmente eu, novamente, sem esse morador pentelho que resolveu acampar em mim.
E nada disso adianta.
E o esforço pra não fazer nada disso já é fazer tudo isso.
E eu escrevo um parágrafo e corro pra ver se tem e-mail.
E eu escrevo uma linha e corro pra ver se tem mensagem de texto.
E eu não escrevo nada e também não corro, apenas deixo você chegar aqui do meu lado, em pensamento.
E me pego sorrindo, sozinha.
E me pego nem aí para todo o resto.
Mas sabe o que acontece enquanto isso?
Enquanto eu não me movo porque estou lotada de você e me mover pesa demais?
O mundo acontece.
O mundo gira.
As pessoas importantes assinam contratos, ganham dinheiro.
As pessoas simples lutam por um lugar na condução, um lugar no mundo.
Estão todos lutando.
Estão todos ganhando dinheiro.
Estão todos fazendo algo mais importante e mais maduro do que suspirar como uma idiota e só pensar em você.
Eu tenho muita inveja dessas pessoas maravilhosas, adultas, evoluídas e espertas que conseguem separar a hora de ir a uma reunião de condomínio com a hora de desejar alguém na escada do condomínio.
A hora de marcar o dentista com a hora de engolir alguém.
A hora de procurar a palavra "macambúzio" no dicionário com a hora de se perder com as suas palavras que de tão simples parecem complexas.
A hora de ser inteira e a hora de catar meus pedaços pelo mundo enquanto você dá sinais desmembrados.
Eu não consigo nada disso, eu me embanano toda, misturo tudo, bagunço tudo.



A minha única dúvida é se sou a única idiota a fazer isso comigo ou se sou a única idiota a admitir que faço isso comigo.


[Tati Bernardi]






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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Por onde andei?...



Desculpe
Estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei
Errado e eu entendo

As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias
Até pra uma criança

Por onde andei?
Enquanto você me procurava




Será que eu sei?
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava...




[Composição: Nando Reis]







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domingo, 24 de julho de 2011

Em cada palavra pulsa um coração.




Escrever é tal procura de íntima veracidade de vida.
Vida que me perturba e deixa o meu próprio coração trêmulo, sofrendo a incalculável dor que parece ser necessária ao meu amadurecimento
—amadurecimento?




Até agora vivi sem ele!"


[Clarice Lispector]


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segunda-feira, 11 de julho de 2011

sábado, 9 de julho de 2011

Sessão pipoca - Luz Dos Olhos



Ponho o meus olhos em você, sem você estar
dona dos meus olhos é você, avião no ar
um dia pra esses olhos sem te ver, é como o chão do mar
liga o radio a pilha a tv, só pra você escutar
a nova música que eu fiz agora
lá fora a rua vazia chora

os meus olhos vibram ao te ver, são dois fãs, um par
puz nos olhos vidros pra poder, melhor te enxergar
luz dos olhos para anoitecer, é só você se afastar
pinta os lábios para escrever, a tua boca em minha

que a nossa musica eu fiz agora, lá fora a lua irradia a gloria
e eu te chamo, eu te peço vem
diga que você me quer, porque eu te quero também

faço as pazes lembrando
passo as tardes tentando lhe telefonar
cartazes te procurando
aeronaves seguem pousando sem você desembarcar
pra eu te dar a mão nessa hora
levar as malas pro fusca lá fora

E eu vou guiando, eu te espero vem
siga onde vão meus pés, que eu te sigo também
porque eu te amo, e eu berro vem
grita que você me quer, porque eu te quero também


[Nando Reis]


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Não bastam palavras,



não bastam expressões, mas sim atitudes...
Cansaço, exaustão, silêncios que caem em saco roto, no vazio mais profundo!


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