Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mora Na Filosofia


Eu vou lhe dar a decisão
Botei na balança e você não pesou
Botei na peneira, você não passou
Mora na filosofia
Pra que rimar amor e dor
Se seu corpo ficasse marcado
Por lábios ou mão carinhosas
Eu saberia a quantas você pertencia
Não vou me preocupar em ver
Teu caso não é de ver pra crer


[Composição: Monsueto / Arnaldo Passos]
^^

quinta-feira, 31 de março de 2011

Oito anos... [Que fase!]

Por que você é Flamengo e meu pai Botafogo? O que significa "Impávido Colosso"? Por que os ossos doem enquanto a gente dorme? Por que os dentes caem? Por onde os filhos saem? Por que os dedos murcham quando estou no banho? Por que as ruas enchem quando está chovendo? Quanto é mil trilhões vezes infinito? (...) Por que o fogo queima? Por que a lua é branca? Por que a Terra roda? Por que deitar agora? Por que as cobras matam? Por que o vidro embaça? Por que você se pinta? Por que o tempo passa? Por que que a gente espirra? Por que as unhas crescem? Por que o sangue corre? Por que que a gente morre? Do qué é feita a nuvem? Do qué é feita a neve? Como é que se escreve Reveillon??? [Kid Abelha] ^^

Chegas de novo a casa




e guardas do tempo a fuga
marcas outra vez dias
para abrir feridas

como se viesse dos pássaros a acusação
de não saberes medir esquecimentos

respiras até à dor para não sentir mais nada.


[Maria Sousa]

^^

quarta-feira, 30 de março de 2011

Onde há quem tenha a pele...


...tenho a memória, sepultura
nenhuma atingirá profundidade igual à desta
nudez com quem a pele sempre tem sido hospitaleira.


[Luís Miguel Nava]


^^

terça-feira, 29 de março de 2011

mais uma vez desce as escadas para falar de ausências...


tem medo e em dias curtos

decide envelhecer no interior da casa

ao sono conhece-o como fuga ao silêncio


um dia escreveu (era domingo)

sobre os vestígios da respiração nos pequenos nadas

anos depois refugia-se no outono

como quem vê a vida toda nas folhas.


[Maria Sousa]


^^

Psicólogo Existencial...


Veja a segunda parte do texto aqui.



^^

Ah, derramar-me líquida sobre o mar


– ser onda indefinidamente –
esperar pela primeira estrela
e dela ser apenas
espelho.


[Olga Savary]


^^

segunda-feira, 28 de março de 2011

O papel do Psicólogo Existencial


Entenda um pouco sobre este assunto clicando aqui.



^^

Breathe No More



Tenho olhado no espelho por tanto tempo que comecei a acreditar que minha alma estava do outro lado...

Todos os pequenos pedaços caindo destruídos

Partes de mim afiados demais para serem colocados de volta

Pequenos demais para terem importância, mas grandes o suficiente para me cortar em tantos pequenos pedaços.


Se eu tentar tocá-la,

E eu sangro

Eu sangro

E eu respiro

Eu não respiro mais


Tomo fôlego e tento elevar meu espírito

Ainda novamente você se recusa a beber como uma criança mimada?


[Composição: Amy Lee]


^^

Mente de Computador


Minha memória se apagou.
Deu tilt no meu coração.
Minha cabeça é um computador
com o vírus doido da paixão.

Deu pane no ventilador.
Deu curto na televisão.
A casa inteira tá uma zona, um horror
e a gente nem sai do colchão.

O vírus da paixão
não tá no seu programa.
Tá no meu coração,
vem cá me digitar!


Aperte a tecla Z,
descubra a minha senha.

acende o meu prazer,
me mostra o que é amar
porque eu quero conhecer!

Minha mente ainda não computou,
mente de computador,
para mim sim é sim e não é não.
Sentimento de computador,
não consta e nem nunca constou.
Explica o que eu tô sentindo.

Minha memória se apagou.
Deu tilt no meu coração.
Minha cabeça é um computador
com vírus doido da paixão.

Pra quem quiser fazer amor,
o novo sexo virtual.
Meu corpo simulado ao computador,
não tem perigo e não faz mal.


[Jorge Vercilo]


^^

domingo, 27 de março de 2011

Away From Me


Eu segurei minha respiração quando essa vida começou a me cobrar

Eu me escondi atrás de um sorriso quando esse plano perfeito foi descoberto

Mas oh, Deus, eu sinto como se tivesse

Perdido toda a fé nas coisas que eu conquistei


E eu acordei agora para me achar

Nas sombras de tudo o que eu tenho criado

Estou desejando estar perdida em você

(Longe desse lugar que eu fiz)


Você não vai me levar para longe de mim?


[Evanescence]


^^

Sessão pipoca - Pra ser Sincero

Pra ser sincero Não espero de você Mais do que educação Beijo sem paixão Crime sem castigo Aperto de mãos Apenas bons amigos... Pra ser sincero Não espero que você Minta! Não se sinta capaz De enganar Quem não engana A si mesmo... Nós dois temos Os mesmos defeitos Sabemos tudo A nosso respeito Somos suspeitos De um crime perfeito Mas crimes perfeitos Não deixam suspeitos... [Composição : Humberto Gessinger] ^^

Novos Horizontes




Corpos em movimento
Universo em expansão
O apartamento que era tão pequeno
Não acaba mais
Vamos dar um tempo
Não sei quem deu a sugestão
Aquele sentimento que era passageiro
Não acaba mais
Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar


Novos horizontes
Se não for isso, o que será?
Quem constrói a ponte
Não conhece o lado de lá
Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar
Suspender a queda livre
Libertar
O que não tem fim sempre acaba assim


[Composição : Humberto Gessinger]



^^

Como eu gosto de ti, ninguém o entenderia.


Nem a cama esvaída que me obriga a desprender-me do corpo noutras roturas nocturnas e azedas. Nem a solidão taciturna que escorre devagar nos chuviscos flamejantes do amor. Como eu gosto de ti, nem o mundo o aceitaria. As árvores trépidas, os animais ferinos, a cadência dos lagos, mobília sisuda que ganha a morte sobre o couro crestado. Como eu gosto de ti, só a melodia do poente trova. E se a antemanhã sucumbe nas copas das sequóias - ricocheteando como uma bala célere - perfurando como um comboio alucinado - a incerteza dos teus sinais desmancha-se sobre os meus lençóis na loucura do leito. Como eu gosto de ti, só eu sei, de dentro para dentro, como um confim de baús entreabertos às galáxias chamejantes do céu da boca. Como eu gosto de ti, segredando-me da voz o rasto da tua presença, pernoitando-me de corpo fixo e amor esquivo, a temperança das tuas enchentes.


[Alice Turvo]


^^

sexta-feira, 25 de março de 2011

Mais um pouco sobre Personalidade


Na visão de
Sigmund Freud

Para saber mais um pouco é só clicar na imagem acima.

^^

Quando retiramos palavras da rua dentro da janela fica a cidade



onde não fizemos senão esconder restos de vida

o ponto de fuga a esta paisagem
não passa de um cigarro aceso ao longe

a noite é assim o palco reservado
a um ensaio de coisas por nomear.


[Maria Sousa]


^^

quinta-feira, 24 de março de 2011

Começa-se o silêncio a desenhar


nos interstícios da carne, a que se prendem
imagens que no fogo
lento da memória se apuraram
de dia para dia e que o passado
nos serve agora como iguaria.


[Luís Miguel Nava]


^^

quarta-feira, 23 de março de 2011

É assim o mar


Vou aprendendo com as ondas
a desfazer-me em espuma. Há sempre uma gaivota
que grita quando estou perto, sempre uma asa
entre o céu e o chão da casa.
Mas nada me pertence,
nem as palavras com que cimento as horas.
Talvez o amor seja uma pequena diferença entre fusos
horários (...) que só existe
no fundo da pele. Mas aqui onde não sou
o que me funda é a certeza que existes.


[Rosa Alice Branco]


^^