
Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]
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sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
A Gente Merece Ser Feliz

Tudo que eu fiz
Foi ouvir o que o meu peito diz:
"Que apesar de toda magoa
Vale a pena toda luta
Para ser feliz"
Tudo que eu fiz foi seguir a mesma diretriz
Confiando e acreditando
Que na vida todo mundo pode ser feliz
É preciso crer no coração
Porque se não
Não tem razão de se viver
E eu quero ver
Nascer um tempo bom
Meu peito diz:
"Coracao da gente é igual pais"
Não deu certo uma mudanca, você muda de esperança
Porque a gente merece ser feliz
[Composição: Ivan Lins / Paulo Cesar Pinheiro]
^^
Foi ouvir o que o meu peito diz:
"Que apesar de toda magoa
Vale a pena toda luta
Para ser feliz"
Tudo que eu fiz foi seguir a mesma diretriz
Confiando e acreditando
Que na vida todo mundo pode ser feliz
É preciso crer no coração
Porque se não
Não tem razão de se viver
E eu quero ver
Nascer um tempo bom
Meu peito diz:
"Coracao da gente é igual pais"
Não deu certo uma mudanca, você muda de esperança
Porque a gente merece ser feliz
[Composição: Ivan Lins / Paulo Cesar Pinheiro]
^^
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
As lentas nuvens

As lentas nuvens fazem sono,
O céu azul faz bom dormir.
Bóio, num íntimo abandono,
À tona de me não sentir.
E é suave, como um correr de água,
O sentir que não sou alguém,
Não sou capaz de peso ou mágoa.
Minha alma é aquilo que não tem.
Que bom, à margem do ribeiro
Saber que é ele que vai indo...
E só em sono eu vou primeiro.
E só em sonho eu vou seguindo.
O céu azul faz bom dormir.
Bóio, num íntimo abandono,
À tona de me não sentir.
E é suave, como um correr de água,
O sentir que não sou alguém,
Não sou capaz de peso ou mágoa.
Minha alma é aquilo que não tem.
Que bom, à margem do ribeiro
Saber que é ele que vai indo...
E só em sono eu vou primeiro.
E só em sonho eu vou seguindo.
[Fernando Pessoa]
^^
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Paixão Passione

Paixão
Estopim aceso
Ai meu Deus
Que medo
Dele se apagar
Paixão
Minha adrenalina
Arde na retina
Quase a me cegar
Paixão
Faca de dois gumes
Preso por ciúmes
Livre pra voar
Paixão
Vale até mentira
Mas ninguém me tira
Meu enfeitiçar
Paixão
Indomável coração
Razão porque canto
Esta canção
Paixão
Ela é nossa saga
Leva e nos afoga
Salva e nos afaga
Nunca vai mudar
Passione
Nuostro vuolo checo (?)
È iluminnato (?)
Siemi solo a te (?)
Paixão
À primeira vista
Sentimento arrisca
Morre pra viver
Paixão
É minha tortura
É loucura e cura
Minha guerra e paz
Paixão
Meu certo e errado
Seguem bem casados
Parecem iguais
Paixão
Indomável coração
Razão porque canto
Esta canção
Paixão
Ela é nossa saga
Leva e nos afoga
Salva e nos afaga
Nunca vai mudar
Paixão
Passione
Passione
[Composição: Ivan Lins]
^^
Estopim aceso
Ai meu Deus
Que medo
Dele se apagar
Paixão
Minha adrenalina
Arde na retina
Quase a me cegar
Paixão
Faca de dois gumes
Preso por ciúmes
Livre pra voar
Paixão
Vale até mentira
Mas ninguém me tira
Meu enfeitiçar
Paixão
Indomável coração
Razão porque canto
Esta canção
Paixão
Ela é nossa saga
Leva e nos afoga
Salva e nos afaga
Nunca vai mudar
Passione
Nuostro vuolo checo (?)
È iluminnato (?)
Siemi solo a te (?)
Paixão
À primeira vista
Sentimento arrisca
Morre pra viver
Paixão
É minha tortura
É loucura e cura
Minha guerra e paz
Paixão
Meu certo e errado
Seguem bem casados
Parecem iguais
Paixão
Indomável coração
Razão porque canto
Esta canção
Paixão
Ela é nossa saga
Leva e nos afoga
Salva e nos afaga
Nunca vai mudar
Paixão
Passione
Passione
[Composição: Ivan Lins]
^^
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Vidas Inteiras
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Indecisão
Canção de novela

Toalha molhada
Lâmpada acesa
Cidade parada
Tudo é você
Vento na saia
TV ligada
Espelho d'água
Tudo é você
Sol na janela
Canção de novela
Já passa da hora
E eu preciso
Do seu beijo agora
A luz na cozinha
Toda azulejada
Madrugada afora
Tudo é você
Nuvem de chuva
Guitarra plugada
Noite estrelada
Onda que quebra
Sol na janela
canção de novela
Já passa da hora
E eu preciso
Do seu beijo agora
Lâmpada acesa
Cidade parada
Tudo é você
Vento na saia
TV ligada
Espelho d'água
Tudo é você
Sol na janela
Canção de novela
Já passa da hora
E eu preciso
Do seu beijo agora
A luz na cozinha
Toda azulejada
Madrugada afora
Tudo é você
Nuvem de chuva
Guitarra plugada
Noite estrelada
Onda que quebra
Sol na janela
canção de novela
Já passa da hora
E eu preciso
Do seu beijo agora
[Composição: Adriana Calcanhotto]
^^
domingo, 30 de janeiro de 2011
Sabes mentir
sábado, 29 de janeiro de 2011
Soneto inglês

Como o silêncio do punhal num peito,
O silêncio do sangue a converter
Em fio breve o coração desfeito
Que nas pedras acaba de morrer,
Vive em mim o teu nome, tão perfeito
Que mais ninguém o pode conhecer!
É a morte que vivo e não aceito;
É a vida que espero não perder.
Viver a vida e não viver a morte;
Procurar noutros olhos a medida,
Vencer o tempo, dominar a sorte,
Atraiçoar a morte com a vida!
Depois morrer de coração aberto
E no sangue o teu nome já liberto...
O silêncio do sangue a converter
Em fio breve o coração desfeito
Que nas pedras acaba de morrer,
Vive em mim o teu nome, tão perfeito
Que mais ninguém o pode conhecer!
É a morte que vivo e não aceito;
É a vida que espero não perder.
Viver a vida e não viver a morte;
Procurar noutros olhos a medida,
Vencer o tempo, dominar a sorte,
Atraiçoar a morte com a vida!
Depois morrer de coração aberto
E no sangue o teu nome já liberto...
[Alexandre O´Neill - Poesias Completas -1951/1981]
^^
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Estranho

Então para os outros sou aquele estranho que surpreendi no espelho: sou ele e não eu, tal como me conheço! Sou aquele estranho que, à primeira vista, não reconheci. Aquele estranho que não posso ver viver a não ser assim, num instante inesperado. Um estranho que só os outros podem ver e conhecer.
[Luigi Pirandello]
^^
[Luigi Pirandello]
^^
Aquilo que dá no coração

Aquilo que dá no coração
E nos joga nessa sinuca
Que faz perder o ar e a razão
E arrepia o pêlo da nuca
Aquilo reage em cadeia
Incendeia o corpo inteiro
Faísca, risca, trisca, arrodeia
Dispara o rito certeiro
Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
Aquilo bate, ilumina
Invade a retina
Retém no olhar
O lance que laça na hora
Aqui e agora,
Futuro não há
Aquilo se pega de jeito
Te dá um sacode
Pra lá de além
O mundo muda, estremece
O caos acontece
Não poupa ninguém
Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
[Lenine]
E nos joga nessa sinuca
Que faz perder o ar e a razão
E arrepia o pêlo da nuca
Aquilo reage em cadeia
Incendeia o corpo inteiro
Faísca, risca, trisca, arrodeia
Dispara o rito certeiro
Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
Aquilo bate, ilumina
Invade a retina
Retém no olhar
O lance que laça na hora
Aqui e agora,
Futuro não há
Aquilo se pega de jeito
Te dá um sacode
Pra lá de além
O mundo muda, estremece
O caos acontece
Não poupa ninguém
Avassalador
Chega sem avisar
Toma de assalto, atropela
Vela de incendiar
Arrebatador
Vem de qualquer lugar
Chega, nem pede licença
Avança sem ponderar
[Lenine]
^^
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Crua

Há sempre um lado que pesa e um outro lado que flutua. Tua pele é crua.
Há sempre um lado que pesa e um outro lado que flutua. Tua pele é crua.
Dificilmente se arranca lembrança, lembrança, lembrança, lembrança...
Por isso da primeira vez dói, por isso não se esqueça: dói.
E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia.
Há sempre um lado que pesa e um outro lado que flutua. Tua pele é crua.
Dificilmente se arranca lembrança, lembrança, lembrança, lembrança...
Por isso da primeira vez dói, por isso não se esqueça: dói.
E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia.
(...)
[Otto]
^^
[Otto]
^^
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Os domingos de Lisboa

Os domingos de Lisboa são domingos
Terríveis de passar - e eu que o diga!
De manhã vais à missa aS. Domingos
E à tarde apanhamos alguns pingos
De chuva ou coçamos a barriga.
As palavras cruzadas, o cinema ou a apa,
E o dia fecha-se com um último arroto.
Mais uma hora ou duas e a noite está
Passada, e agarrada a mim como uma lapa,
Tu levas-me p'ra a cama, onde chego já morto.
E então começam as tuas exigências, as piores!
Quer's por força que eu siga os teus caprichos!
Que diabo! Nem de nós mesmos seremos já senhores?
Estaremos como o ouro nas casas de penhores
Ou no Jardim Zoológico, irracionais, os bichos?
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Mas serás tu a minha «querida esposa»,
Aquela que se me ofereceu menina?
Oh! Guarda os teus beijos de aranha venenosa!
Fecha-me esse olho branco que me goza
E deixa-me sonhar como um prédio em ruína!...
[Alexandre O´Neill - Poesias Completas - 1951/1981]
Terríveis de passar - e eu que o diga!
De manhã vais à missa aS. Domingos
E à tarde apanhamos alguns pingos
De chuva ou coçamos a barriga.
As palavras cruzadas, o cinema ou a apa,
E o dia fecha-se com um último arroto.
Mais uma hora ou duas e a noite está
Passada, e agarrada a mim como uma lapa,
Tu levas-me p'ra a cama, onde chego já morto.
E então começam as tuas exigências, as piores!
Quer's por força que eu siga os teus caprichos!
Que diabo! Nem de nós mesmos seremos já senhores?
Estaremos como o ouro nas casas de penhores
Ou no Jardim Zoológico, irracionais, os bichos?
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Mas serás tu a minha «querida esposa»,
Aquela que se me ofereceu menina?
Oh! Guarda os teus beijos de aranha venenosa!
Fecha-me esse olho branco que me goza
E deixa-me sonhar como um prédio em ruína!...
[Alexandre O´Neill - Poesias Completas - 1951/1981]
^^
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Sessão pipoca - It's My Life
Esta não é uma canção para um coração partido
Não é uma oração para quem perdeu a fé
Eu não vou ser só um rosto na multidão
Você vai ouvir a minha voz
Quando eu gritar isto bem alto
É a minha vida
É agora ou nunca
Eu não vou viver para sempre
Eu só quero viver enquanto eu estou vivo
(é a minha vida)
Meu coração é como uma rodovia aberta
Como Frankie disse
Eu fiz do meu jeito
Eu só quero viver enquanto eu estou vivo
É a minha vida
Isto é para aqueles que fizeram seu caminho
Para Tommy e Gina que nunca desistiram
Amanhã está ficando difícil não cometer nenhum erro
A sorte ainda não teve sorte
Tem de fazer suas próprias regras
É a minha vida
É agora ou nunca
Eu não vou viver para sempre
Eu só quero viver enquanto eu estou vivo
(é a minha vida)
Meu coração é como uma rodovia aberta
Como Frankie disse
Eu fiz do meu jeito
Eu só quero viver enquanto eu estou vivo
É a minha vida
É melhor estar alerta quando eles estão chamando por você
Não se curve, não quebre, baby, não desista.
[Composição: Jon Bon Jovi / Richie Sambora / Max Martin]
^^
Perdido(a)


Só porque estou perdendo
Não significa que eu esteja perdido
Não significa que irei parar
Não significa que deva me render...
Só porque estou sofrendo
Não significa que estou ferido
Não significa que eu não tenho o que eu mereço.
Nem o melhor e nem o pior.
Eu apenas me perdi
Todo rio que tentei atravessar
Toda porta que testei, estava trancada
Estou... apenas esperando o brilho se apagar...
Não significa que eu esteja perdido
Não significa que irei parar
Não significa que deva me render...
Só porque estou sofrendo
Não significa que estou ferido
Não significa que eu não tenho o que eu mereço.
Nem o melhor e nem o pior.
Eu apenas me perdi
Todo rio que tentei atravessar
Toda porta que testei, estava trancada
Estou... apenas esperando o brilho se apagar...
[Coldplay]
^^
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Comigo, a ver!

Ah estou vendo que a vida não é curta,
mas incomensuravelmente longa:
daqui em diante eu piso o mundo casto,
temperado, madrugador, crescente firme,
cada hora sêmen de séculos
e mais séculos.
mas incomensuravelmente longa:
daqui em diante eu piso o mundo casto,
temperado, madrugador, crescente firme,
cada hora sêmen de séculos
e mais séculos.
Eu tenho de acompanhar
essas contínuas lições da terra, da água e do ar:
sinto que não tenho tempo a perder.
[Walt Whitman - Folhas das folhas de relva]
^^
A Violência Travestida Faz Seu Trottoir

No ar que se respira, nos gestos mais banais
em regras, mandamentos, julgamentos, tribunais
na vitória do mais forte, na derrota dos iguais
a violência travestida faz seu trottoir
Na procura doentia de qualquer prazer
Na arquitetura metafisica das catedrais
Nas arquibancadas, nas cadeiras, nas gerais
a violencia travestida faz seu trottoir
na maioria silenciosa, orgulhosa de não ter
vontade de gritar, nada pra dizer
a violência travestida faz seu trottoir
nos anúncios de cigarro que avisam que fumar faz mal
a violência travestida faz seu trottoir
em anúncios luminosos, lâminas de barbear
armas de brinquedo, medo de brincar
a violência travestida faz seu trottoir
no vídeo, idiotice intergaláctica
na mídia, na moda, nas farmácias
no quarto de dormir, na sala de jantar
a morte anda tão viva, a vida anda pra trás
é a livre iniciativa, igualdade aos desiguais
na hora de dormir, na sala de estar
a violência travestida faz seu trottoir
uma bala perdida encontra alguém perdido
encontra abrigo num corpo que passa por ali
e estraga tudo, enterra tudo, pá de cal
enterra todos na vala comum de um discurso liberal
Tudo que ele deixou foi uma carta de amor pra uma apresentadora de programa infantil. Nela ele dizia que já não era criança, e que a esperança também dança como monstros de um filme japonês. Tudo que ele tinha era uma foto desbotada, recortada de revista especializada em vida de artista. Tudo que ele queria era encontrá-la um dia (todo suicida acredita na vida depois da morte). Tudo que ele tinha cabia no bolso da jaqueta. A vida quando acaba, cabe em qualquer lugar.
em regras, mandamentos, julgamentos, tribunais
na vitória do mais forte, na derrota dos iguais
a violência travestida faz seu trottoir
Na procura doentia de qualquer prazer
Na arquitetura metafisica das catedrais
Nas arquibancadas, nas cadeiras, nas gerais
a violencia travestida faz seu trottoir
na maioria silenciosa, orgulhosa de não ter
vontade de gritar, nada pra dizer
a violência travestida faz seu trottoir
nos anúncios de cigarro que avisam que fumar faz mal
a violência travestida faz seu trottoir
em anúncios luminosos, lâminas de barbear
armas de brinquedo, medo de brincar
a violência travestida faz seu trottoir
no vídeo, idiotice intergaláctica
na mídia, na moda, nas farmácias
no quarto de dormir, na sala de jantar
a morte anda tão viva, a vida anda pra trás
é a livre iniciativa, igualdade aos desiguais
na hora de dormir, na sala de estar
a violência travestida faz seu trottoir
uma bala perdida encontra alguém perdido
encontra abrigo num corpo que passa por ali
e estraga tudo, enterra tudo, pá de cal
enterra todos na vala comum de um discurso liberal
Tudo que ele deixou foi uma carta de amor pra uma apresentadora de programa infantil. Nela ele dizia que já não era criança, e que a esperança também dança como monstros de um filme japonês. Tudo que ele tinha era uma foto desbotada, recortada de revista especializada em vida de artista. Tudo que ele queria era encontrá-la um dia (todo suicida acredita na vida depois da morte). Tudo que ele tinha cabia no bolso da jaqueta. A vida quando acaba, cabe em qualquer lugar.
E a violência travestida faz seu trottoir...
não se renda às evidências
não se prenda à primeira impressão
eles dizem com ternura:
"o que vale é a intenção"
e te dão um cheque sem fundos
do fundo do coração
no ar que se respira
nessa total falta de ar
a violência travestida
faz seu trottoir
em armas de brinquedo, medo de brincar
em anúncios luminosos, lâminas de barbear
nos anúncios de cigarro que avisam que fumar faz mal
a violência travestida faz seu trottoir
a violência travestida faz seu trottoir
[Composição: Humberto Gessinger]
^^
domingo, 23 de janeiro de 2011
O quotidiano "não"

Estamos todos bem servidos
de solidão.
De manhã a recolhemos
do saco, em lugar de pão.
Pão é claro que temos
(não sou exageradão)
mas esta imagem do saco
contendo um pequeno «não»
não figura nesta prosa
assim do pé para a mão,
pois o saco utilizado,
que pode ser o do pão,
recebe modestamente
a corriqueira fracção
desse alimento que é
tão distribuído, tão
a domicílio como
o leite ou o pão.
Mas esse leitor aí
(bem real!) já diz que não,
que nunca viu no tal saco
o tal «não».
Ao que o poeta responde,
sem maior desilusão:
- Para dizer a verdade,
eu também não...
Mas estava confiante
na sua imaginação
(ou na minha...) e que sentia
como eu a solidão
e quanto ela é objecto
da carinhosa atenção
de quem hoje nos fornece
o quotidiano «não»,
por todos os meios, desde
a fingida distracção,
até ao entre-parêntesis
de qualquer reclusão...
[Alexandre O´Neill - Poesias Completas - 1951/1981]
^^
de solidão.
De manhã a recolhemos
do saco, em lugar de pão.
Pão é claro que temos
(não sou exageradão)
mas esta imagem do saco
contendo um pequeno «não»
não figura nesta prosa
assim do pé para a mão,
pois o saco utilizado,
que pode ser o do pão,
recebe modestamente
a corriqueira fracção
desse alimento que é
tão distribuído, tão
a domicílio como
o leite ou o pão.
Mas esse leitor aí
(bem real!) já diz que não,
que nunca viu no tal saco
o tal «não».
Ao que o poeta responde,
sem maior desilusão:
- Para dizer a verdade,
eu também não...
Mas estava confiante
na sua imaginação
(ou na minha...) e que sentia
como eu a solidão
e quanto ela é objecto
da carinhosa atenção
de quem hoje nos fornece
o quotidiano «não»,
por todos os meios, desde
a fingida distracção,
até ao entre-parêntesis
de qualquer reclusão...
[Alexandre O´Neill - Poesias Completas - 1951/1981]
^^
sábado, 22 de janeiro de 2011
Leve
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
A Canção Da Despedida

Eu saí da estrada há muito tempo atrás
Indo atrás de uma miragem que desapareceu
Só os loucos acreditam em fantasmas
Como o amor eterno que alguém prometeu
Eu dei mais do que podia e isso não bastou
Mas um dia a gente acorda e a febre já passou
E hoje estou de volta à vida
Aos amigos, aos sorrisos, sob o sol
E hoje estou de volta à vida
Prá você essa é a canção da despedida
Dessa vez perdi o rumo e a medida
Fiquei tão fraco quanto alguém pode ficar
Nessa viagem quase cego eu te seguia
E eu fazia quase tudo pra agradar
Eu tentava acreditar que isso é que era amor
Eu estive tão doente, agora já passou
Eu tentava acreditar que isso é que era amor
Eu estive tão doente, agora já passou...
[Heróis da Resistência]
^^
Indo atrás de uma miragem que desapareceu
Só os loucos acreditam em fantasmas
Como o amor eterno que alguém prometeu
Eu dei mais do que podia e isso não bastou
Mas um dia a gente acorda e a febre já passou
E hoje estou de volta à vida
Aos amigos, aos sorrisos, sob o sol
E hoje estou de volta à vida
Prá você essa é a canção da despedida
Dessa vez perdi o rumo e a medida
Fiquei tão fraco quanto alguém pode ficar
Nessa viagem quase cego eu te seguia
E eu fazia quase tudo pra agradar
Eu tentava acreditar que isso é que era amor
Eu estive tão doente, agora já passou
Eu tentava acreditar que isso é que era amor
Eu estive tão doente, agora já passou...
[Heróis da Resistência]
^^
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