Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

Redes Sociais

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sábado, 31 de janeiro de 2009

Delícia!


Pele fresca.
Cabelo molhado.
O Sol entrando pela janela.
Música consoante
O estado de espírito.
O cheiro do ópio soltando-se suavemente.
Nenhum pensamento.
E ficar assim, para sempre, indefinidamente...

^^

Desafio

A Teresa (do blog http://tecnenfermaginando.blogspot.com/) me passou esse desafio. Mais uma vez, agradeço por ter se lembrado dessa humilde blogueira.
Confesso que não foi difícil, afinal de contas eu amo música. O difícil foi escolher um cantor entre tantos que admiro. O Cazuza foi o meu escolhido, não só pelo fato de ser um dos maiores poetas contemporâneos, mas sobretudo, pela variedade de suas canções, cujos títulos são extremamente expressivos.


As regras são essas:

1 - Escolher um cantor: Cazuza

2 - A cada pergunta feita temos que escolher um título de uma música

3 - Nomear outros bloguistas para repassar o desafio


Minhas respostas:

1 - És homem ou mulher?
Cazuza - Mulher Vermelha

2 - Descreve-te:
Cazuza - Quatro Letras

3 - O que as pessoas acham de ti?
Cazuza - Tantas Coisas

4 - Como descreves o teu último relacionamento?
Cazuza - Sem Saudade

5 - Descreve o estado atual da tua relação:
Cazuza - Solidão, que nada

6 - Onde querias estar agora?
Cazuza - Um Trem Para as Estrelas

7 - O que pensas a respeito do amor?
Cazuza - Amor, amor

8 - Como é a tua vida?
Cazuza - Vida Louca Vida

9 - O que pedirias se pudesses ter só um desejo?
Cazuza - Todo Amor que Houver Nessa Vida

10 - Escreve uma frase sábia:
"Só sei que nada sei.” - [ Sócrates]

ou

by Cazuza - O Nosso Amor a Gente Inventa

~

Eu desafio:

http://bdeblogger.blogspot.com/
http://sintomadesaudade.blogspot.com/
http://poemasluar.blogspot.com/
http://sonsdesonetos.blogspot.com/
http://quasepoesia.blogspot.com/
http://fabiosiqueira.blogspot.com/


^^

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

[?]


Sou inundada de perguntas, de serás e de porquês. Sou inundada de um infinito de poucas respostas num mundo inexistente à minha esquerda e…
(fica tudo ao vosso dispor.)
^^

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

No Limite das Palavras

“Se me disseres que me amas, acreditarei.
Mas se escreveres que me amas, acreditarei ainda mais.
Se me falares da tua saudade, entenderei.
Mas se escreveres sobre ela, eu a sentirei junto contigo.
Se a tristeza vier a te consumir e me contares, Eu saberei.
Mas se a descreveres no papel, o seu peso será menor.”

^^
… e assim são as palavras escritas: possuem um magnetismo especial, libertam, acalentam, invocam emoções.
Elas possuem a capacidade de, em poucos minutos, cruzar mares, saltar montanhas, atravessar desertos intocáveis.
Muitas vezes, infelizmente, perde-se o autor, mas a mensagem sobrevive ao tempo, atravessando séculos e gerações.
Elas marcam um momento que será eternamente revivido por todos aqueles que a lerem.
Vive o amor com palavras faladas e escritas. Mata saudades, pede perdão, aproxima-te.
Recupera o tempo perdido, insinua-te.
Alegra alguém e oferece um simples “bom dia”.
Faz um carinho especial.
Usa a palavra a todo o instante, de todas as maneiras.
A sua força é imensurável.


Lembra-te sempre do poder das palavras.


“Quem escreve constrói um castelo.
E quem lê passa a habitá-lo.”
[Autor desconhecido]


Essas palavras não são minhas, mas identifiquei-me plenamente com elas…



^^

Ar em movimento


O vento sublime desperta
Não há quem cale os múrmurios do Norte...
Dizem que um dia o Céu se abrirá em mil pedaços
E que a Noite cairá sobre a Terra com o seu manto diáfano.
Talvez o vento apenas queira dançar...
Talvez as harpas da saudade não soltem a melodia certa ainda...
Ainda hoje pensei que o Mundo era uma concha aberta!
E que, atrapalhados na busca do sentido do ser,
os homens acotovelavam-se entre si,
perdendo a razão!
E nesta perda, a inconsciência brilhava de êxtase,
no seu canto longínquo e suave.
Talvez sejamos como o vento...
Alegres, na dança colorida do ser,
bailamos ao som da vida...

^^

Alguém me interne no paraíso.

Preciso urgente dar um tempo por lá!
(...)
Sorrisos plásticos cumprindo seu papel
Enfeitando um rosto de pedra!
Se a regra é ser tão simpático
Mesmo que seja só pra convencer toda platéia
Abraços vazios, olhares de gelo
Tão descartáveis quanto cascas no chão
Flashes capturam a melhor fachada
Mas quem vê foto não vê coração!
Não quero mais fantoches ao redor
Agindo sempre assim só quando for conveniente
Pra ganhar bônus e somar pontos
À sua carteirinha de hipócrita oficial"
[Pitty]
^^

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Qual a Cor do Amor?


"Primeiro é o beijo
Quente, procurado
A língua procurando a outra
E vendo se a boca combina
Se combina o beijo
Meio caminho andado
Depois é a pele
Se a textura vale
O pêlo com pêlo
Ou o pêlo com o seu pêlo
Ou os pêlos com meu pêlo
Ou o medo
Depois o cheiro
Um procura no outro
O cheiro de colônia ou
O cheiro de prazer
E os dois se embriagam
Ou vão até o banheiro
Depois a cor
O amor tem cor?
Cada amor tem uma cor
Cada beijo tem uma cor
Cor de caramelo doce
Cor de madrugada fria."
.
[Cazuza]

Composição: Cazuza / Roberto Frejat / Dé
.
PS.: Muitos passam 80, 90, 100 anos sem conhecer a cor do amor. Mais os poetas, têm um "faro" todo especial, para poder identificá-lo. Não seria diferente com o CAZUZA.
.
^^

domingo, 25 de janeiro de 2009

Selo Pinel & Juqueri

Ganhei este selo da Teresa http://tecnenfermaginando.blogspot.com/ como sendo referencial a um blog muito louco, como ela mesma diz, “em qualquer sentido”.

Trata-se do Selo Pinel & Juqueri.

Este selo representa todo espaço que de uma forma ou de outra traduz um pouco das loucuras de seus/suas escritores/as. Esse espaço que temos pra mostrar ao mundo, os nossos momentos de loucura, curiosidades, entretenimento, desabafos...
Este selo é dedicado aos Blogs ou bloggers mais louc@s (em qualquer sentido) que já visitei. Só podem ser 11, (quem fez o selo é que manda)...
Desculpem-me os outros...

Quem colocar o selo no seu blog, só tem de postar o link do blog pelo qual recebeu o selo.

Teresa, obrigada por ter se lembrado de mim...
Acho que você vai precisar escolher mais 11 blogs. Eu também vou te selar....rsrsrs

Aí estão os indicados:

http://aduplapersonalidade.blogspot.com/
http://aguentamos.blogspot.com/
http://professorahildahelenasempre.blogspot.com/
http://fabiosiqueira.blogspot.com/
http://loiratodosdias.blogspot.com/
http://marcelobessa.blogspot.com/
http://artesplasticas-poesias.blogspot.com/
http://quasepoesia.blogspot.com/
http://tecnenfermaginando.blogspot.com/
http://culturanateia.blogspot.com/
http://ensinar-projetodevida.blogspot.com/


Bjs!!!

^^

sábado, 24 de janeiro de 2009

Querer e poder...


'Queria poder contar os mundos que existem para poder saber em quais me insiro. A quais pertenço.
Queria poder percorrer todos os tempos para poder estar sempre a recordar, estar sempre a viver, estar sempre a esperar.
Queria poder conhecer todas as histórias para poder atravessar todas as páginas em segundos e conhecer tudo, tudo, tudo.
Queria poder partilhar tudo isto para não me sentir só no meio de todo o conhecimento.
E queria poder esquecer,

Para poder recomeçar de novo.'
^^

(...)


"Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar."


[Álvaro de Campos]
^^

Outro dia


Pintas o quadro demasiado negro...
Eu pinto com as cores que me dão.

Tenho de arranjar os meus próprios pis de cor...

Hoje está difícil.

Entretanto, amanhã... amanhã é outro dia!
Ainda bem...


^^

Pertinente


Não, não é um assunto deveras interessante. Mas é tudo o que me ocorre agora. Porque é que a nossa rinite alérgica decide dar o ar da sua graça logo quando nos esquecemos das caixinhas de comprimidos milagrosos em casa dos pais???
Ora, esta é uma pergunta parva mas pertinente neste momento em que espirro e escrevo este post enfadonho.

Último pensamento...

Porque é que mesmo com 45 canais diferentes, não está passando nada de jeito na televisão?
45 Kg de telelixo...

^^

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Parando o Tempo


Já escrevo aqui há algum tempo. Às vezes o tempo passa sem que percebamos que deixamos passar situações ou emoções que podíamos ter vivido, mas não vivemos por vergonha, medo, insegurança. Se pudessemos fazer parar o tempo...

O coração tem razões que a razão desconhece, já dizia o poeta. Tão sábios que são os poetas... atingem tudo muito mais rápido e com uma inteligência quase sobrenatural. A vida é tão complicada, dava jeito um poeta por perto às vezes.

^^

Posso?


Se eu pudesse dançar com todos os pontos do meu corpo e libertar a força que suporta o meu Ser...
Se eu pudesse largar tudo e soltar o meu corpo das amarras da boa educação, do certinho, do parece bem, do politicamente correto...
Se eu pudesse dar um beijo ao sol e aquecer a minha vida e a dos que me rodeiam com a chama da paixão e do amor...
Se eu pudesse...
Seria eu própria, seria mais feliz e faria mais feliz os que comigo se cruzam.
Posso?
^^

Solução


'Como mudar a realidade?

Se o descaso é explicito
Se o sistema é covarde

Como uma solução pode haver?

Se as raises do problema
São os donos do poder

Se o povo é que se fode
Pagando com próprio sangue
Lutando para viver

Se a polícia é uma bosta
Só detem o que lhe convém
Ao demais faz vista grossa

Como solução pode haver
Como pode haver solução.'

[Composição: Fim do Silêncio]

^^

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

(...)


'Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês
E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de neutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz'
(...)
[Capital Inicial]
Composição: Flávio Lemos, Renato Russo
^^

Algo Por Você

'Hey, garota, não fique esperando o telefone tocar
Os homens são o que são e são todos iguais
O difícil é saber quem é clone de quem

Hey, garota, não fique esperando o telefone tocar
De volta ao passado, tecendo tapetes,
Esperando o guerreiro voltar

Já lhe fizeram sofrer demais
Já lhe fizeram feliz demais
Tá na hora de você mesma fazer
Algo por você
Só você pode fazer...'

[Humberto Gessinger]

^^

O Caminho Pisado

'Da cama p'ro banho,
do banho
P'rá sala
O sono persiste, o sol já não
Tarda
A vida insiste em servir um velho
Ritual
Que sempre serve a tantos outros
O mesmo pão comido aos poucos
Se senta e abre o jornal
Tudo parece normal
Um dia a menos, um crime a mais
No fundo no fundo no fundo tanto
Faz
Já é hora de vestir o velho paletó
Surrado
E caminhar sobre o caminho pisado
Que conduz rumo à batalha que
Inicia a cada dia
Conseguir um lugar p'rá sentar e
Sonhar na lotação
E é tudo igual, igual, igual...

No fim dos dias úteis há os dias
Inúteis
Que não bastam p'rá lembrar ou
P'rá esquecer de quem se é
O ar pesado nesse bairro pesado em
Plena barra pesada
A mão pesada vem oferecer
E conta os trocados contando
Vantagem
E toma uma bola, começa a viagem
E enquanto não chegar a velha
Hora
Que inicia cada dia
Em várias partes da cidade, por
Lazer ou rebeldia
A mão pesada se abrirá
Oferecendo a garantia barata de
Que tudo vai mudar
E é tudo igual, igual, igual... '


[Os Paralamas do Sucesso]


^^

sábado, 17 de janeiro de 2009

A Canção do Senhor da Guerra

"Existe alguém
Esperando por você
Que vai comprar
A sua juventude
E convencê-lo a vencer...
Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças
Com armas na mão
Mas explicam novamente
Que a guerra gera empregos
Aumenta a produção...

Uma guerra sempre avança
A tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Prá que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros
Na exportação...
Existe alguém
Que está contando com você
Prá lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer...
E quando longe de casa
Ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando
Novos jogos de guerra...

Que belíssimas cenas
De destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação...

Veja que uniforme lindo
Fizemos prá você
Lembre-se sempre
Que Deus está
Do lado de quem vai vencer...
Existe alguém
Que está contando com você
Prá lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer...
E quando longe de casa
Ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando
Novos jogos de guerra...

Que belíssimas cenas
De destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação...
Veja que uniforme lindo
Fizemos prá você
Lembre-se sempre
Que Deus está
Do lado de quem vai vencer...

O senhor da guerra
Não gosta de crianças..."


[Legião Urbana]
Composição: Renato Russo e Renato Rocha



^^

Geração Coca Cola

"Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove as seis.

Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola

Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser

Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola."

[Legião Urbana]
Composição: Renato Russo / Fê Lemos


^^

A Idade do Céu

"Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só
Na idade do céu

Não somos o que queríamos ser
Somos um breve pulsar
Em um silêncio antigo
Com a idade do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu

Não somos mais
Que um punhado de mar
Uma piada de Deus
Ou um capricho do sol
No jardim do céu

Não damos pé
Entre tanto tic tac
Entre tanto Big Bang
Somos um grão de sal
No mar do céu

Calma
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu"

[Djavan]
Composição: Jorge Drexler



^^

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Assaltaram a Gramática


"Assaltaram a gramática
Assassinaram a lógica
Meteram poesia, na bagunça do dia-a-dia
Sequestraram a fonética
Violentaram a métrica.
Meteram poesia onde devia e não devia
Lá vem o poeta com sua coroa de louro
Agrião, pimentão, boldo
O poeta é a pimenta do planeta."
(Malagueta!)
[Os paralamas do Sucesso]
^^

Substantivo & Artigo


Recebi por email essa "aula de gramática" da língua portuguesa: Trata-se de uma redação feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa.


"Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.

O artigo, era bem definido, feminino, singular. Era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, ilábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro. Ótimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exatamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se.

Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.

Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois gêneros. Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais. Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objeto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular. Ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisto a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjetivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.

Que loucura, meu Deus!

Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objetos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas.

Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.”


^^

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Tenho Pena e Não Respondo


"Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.
Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros --- cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.
Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?"
[Fernando Pessoa]
^^

Memórias


"E vinha a luz
e guardava-te
e eu guardava-te
também
em lugares mais seguros
que fotografias
ou poemas."
[Gil T. Sousa]
^^

sábado, 10 de janeiro de 2009

Quando janeiro passar....


"Pergunto-me desde quando
deixou de haver futuro
nas janelas.
Janeiro dói nos olhos
como areia
e tu e eu estamos para sempre
sentados às escuras
no Verão."
[Rui Pires Cabral]
^^

Poesia linda de Mário Cesariny de Vasconcelos



"Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficamos para perder
todos os teus elétricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria.

Andamos
dez quilômetros
a pé
ninguém nos viu passar
exceto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros.

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes.

O público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso.

Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso."

[Mário Cesariny de Vasconcelos]

^^

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

(...)

"A noite é uma página escrita
onde há uma vírgula depois de cada letra,
um ponto depois de cada palavra,
uma exclamação no fim de cada frase.
Ao fim de cada período está o teu corpo,
aberto num parêntese longo,
que explica a súbita eclosão de auroras noturnas.
No fim de tudo estão os teus olhos,
redondos como duas afirmações,
loiros e despenteados."

[Albano Martins]
^^

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

De: Emanuel Felix

"Coisa tão triste aqui esta mulher
com seus dedos pousados no deserto dos joelhos
com seus olhos voando devagar sobre a mesa
para pousar no talher

Coisa mais triste o seu vaivém macio
p'ra não amachucar uma invisível flora
que cresce na penumbra
dos velhos corredores desta casa onde mora

Que triste o seu entrar de novo nesta sala
que triste a sua chávena
e o gesto de pegá-la

E que triste e que triste a cadeira amarela
de onde se ergue um sossego um sossego infinito
que é apenas de vê-la
e por isso esquisito

E que tristes de súbito os seus pés nos sapatos
seus seios seus cabelos o seu corpo inclinado
o álbum a mesinha as manchas dos retratos

E que infinitamente triste triste
o selo do silêncio
do silêncio colado ao papel das paredes
da sala digo cela
em que comigo a vedes

Mas que infinitamente ainda mais triste triste
a chávena pousada
e o olhar confortando uma flor já esquecida
do sol
do ar
lá de fora
(da vida)
numa jarra parada."


[Emanuel Felix]
A Palavra O Açoite

^^

Sob as Sombras

"De anjos falo – os seres
que por aqui transitam
entre a recepção e a psiquitria
e durante horas se enredam em novelos
onde as cores misturadas ampliam
os berros e as carícias sob as sombras.

Os seres que se masturbam
na solidão do mundo e sem lágrimas
rebentam com o peito contra as grades, fulminados
da azáfama dos pássaros nos cabelos
e a ausente presença de Deus
sobre os ombros.

De anjos falo – no aterrador silêncio
perscruto-os em busca do refúgio
que não pode encontrar-se neste tempo
em que a vertigem fere as asas
imortais dos seres proscritos."


[Amadeu Batista]


^^

A arte do Silêncio


A arte do silêncio domino eu bem
já rompi os dedos nesse êxtase,
nessa pose ensaiada no vazio.
Exilado do corpo
espero na antecâmara da palavra,
marginal.
A voz
atulhada como uma larva
na garganta
desfia uma linguagem nada-morta.
Urge o exílio da alma,
a ferrugem nos olhos.
O suicídio do mundo
estilhaça demasiado perto da redoma.
Da queda, do meu quebranto
sobrevivem apenas os lábios.
- teimosamentecolados -
^^
[Texto do blog Improviso]

Quando se ama

^^

Plante seu jardim...


^^

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O que fazer?

 
 
A dor da palavra voltou, e eu sem saber o que fazer dela... sangrei.

^^

Lugar em que temos razão

"Do lugar em que temos razão
jamais crescerão
flores na primavera.
O lugar em que temos razão
está pisoteado e duro
como um pátio.
Mas dúvidas e amores
escavam o mundo
como uma toupeira, como a lavradura.
E um sussurro será ouvido no lugar
onde houve uma casa
que foi destruída."


[Yehuda Amichai]


^^

Quebrando o Silêncio


Esta parede
(depois de uma longa e
apurada meditação)
decidiu quebrar
o silêncio.........
^^

Três poemas de Carlos Nejar



"Aqui ficam as coisas.
Amar é a mais alta constelação.

Os sapatos sem dono
tripulando
na correnteza-espaço
em que deitamos.

As minhas mãos telhado
no teu rosto de pombas.

Os corpos
circulando
na varanda dos braços.
É a mais alta constelação."


***


Claridade

"O barulho de existir:
um cão
dentro de mim.
Atravesso
como a um pátio
o barulho de existir."



***


I

"Escrever a dor
sem revolver o fogo,
a envelhecida cinza.

O que pode o amor
com os dons aprisionados?

Escrever
a ferocidade das coisas."



^^

Se um dia...


Se soubessemos esperar a invisibilidade do corpo
com a paciência e elegância das flores,
talvez um dia nos tivesse bastado
.
um dia impossível
.
em que pudéssemos encontrar
um outro lugar, que não o mundo
- uma tela excessivamente nua.
.
Lembras-te como Oriente era a estação
mais florida de todo o ano?
.
Se ao menos não nos tivessemos tocado
- não duma forma tão incendiária
.
talvez ainda restassem palavras
onde pousar o silêncio dos lábios.
^^

(...)

"Magoa ver a magnólia cair. Acredita.
O relâmpago vem
sobre ela. A tempestade.
As plantas são tão frágeis como as cabanas dos homens.
Somos muito frágeis os dois neste poema
com o relâmpago, a cabana, com a magnólia aos ombros
sem nenhum terreno pulmonar intacto
para depois de nos olharmos um de nós dizer
plantêmo-la aqui-aqui
é o meu pulso,
a minha boca
é a retina com que procuras, é a madeira da porta
com que te fechas em casa. Prometo-te
eu nunca vou fechar os olhos
as mãos."


[Daniel Faria]

^^

Não dizia palavras

"Não dizia palavras,
Aproximava apenas um corpo interrogante,
Porque ignorava que o desejo é uma pergunta
Cuja resposta não existe,
Uma folha cujo ramo não existe,
Um mundo cujo céu não existe.
Entre os ossos a angústia abre caminho,
Ergue-se pelas veias
Até abrir na pele
Jorros de sonho
Feitos carne interrogando as nuvens.
Um contato ao passar,
Um fugidio olhar no meio das sombras,
Bastam para que o corpo se abra em dois,
Ávido de receber em si mesmo
Outro corpo que sonhe;
Metade e metade, sonho e sonho, carne e carne,
Iguais em figura, iguais em amor, iguais emdesejo. Embora seja só uma esperança,
Porque o desejo é uma pergunta cuja respostaninguém sabe."


[Luis Cernuda]

^^

Algo


Algo que flutue,
que abrace o sangue
numa minuciosa contorção.
Algo veloz
como uma flor a arder
nas encostas do silêncio,
como uma febre de pássaro
a vibrar azul.
Algo maduro,
como a luz a morder o teu corpo,
algo como a palavra
num embuste à vertigem
da solidão.
^^