Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

1.6.09

Poesias e Eu


Surpreendo-me ao ver, sentir e perceber o poder das palavras. Assusto-me ao sentir o grande efeito, devastador quase sempre, que elas me provocam. As palavras são para mim escudos, muralhas, abrigo, refúgio. São nelas que me escondo, me demonstro, me entrego, me escancaro. Lastimável não ter eu o poder de dominá-las, de colocá-las em um papel, não necessariamente coesas, mas sempre coerentes como fazem meus amigos poetas. Invejo-os. Sinceramente, invejo-os. Invejo quem possui o dom inerente de transmitir sensível e emocionalmente sentimentos tão indescritíveis, como a tristeza, a alegria, a dor e a euforia. Como eu gostaria de poder transpor tudo que há em mim, todo o meu sangue, toda a minha luta, toda a minha dor em versos, toda minha essência em estrofes...
Quanto desejo contido!

Mas já dizia Caetano Veloso (eu acho!) em uma canção:


"Meu coração não cansa de ter
esperança de ser um dia
tudo o que quer. "

^^

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