Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Amo o teu túmido candor de astro
a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altiva.
Por ti eu sou a leve segurança
de um peito que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prata.
Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar.
Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto.
[António Ramos Rosa, Antologia poética]
a tua pura integridade delicada
a tua permanente adolescência de segredo
a tua fragilidade acesa sempre altiva.
Por ti eu sou a leve segurança
de um peito que pulsa e canta a sua chama
que se levanta e inclina ao teu hálito de pássaro
ou à chuva das tuas pétalas de prata.
Se guardo algum tesouro não o prendo
porque quero oferecer-te a paz de um sonho aberto
que dure e flua nas tuas veias lentas
e seja um perfume ou um beijo um suspiro solar.
Ofereço-te esta frágil flor esta pedra de chuva
para que sintas a verde frescura
de um pomar de brancas cortesias
porque é por ti que vivo é por ti que nasço
porque amo o ouro vivo do teu rosto.
[António Ramos Rosa, Antologia poética]
^^
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Este Verão

Este Verão ensina-me
a amar as minhas cicatrizes,
a enfeitar-me com marcas de estrangulamento no pescoço.
Este Verão ensina-me
a fechar à chave a amargura e fico
bem roliça e anafada pareço bem tratada.
Este Verão ensina-me
a gritar o bel canto.
Este Verão ensina-me
que a solidão descansa
e cresce numa mão.
Este Verão ensina-me
a não confundir um corpo disponível
com o desejo de felicidade.
Este Verão ensina-me
a ser para cada pedra um espelho de água.
Este Verão ensina-me
a amar grandes bolas de sabão e pequenas
antes de rebentarem.
Este Verão ensina-me
que tudo sem nós
por si continua.
Este Verão ensina-me
um rosto gelado feliz.
Este Verão ensina-me
tenho que ser eu a bater no tambor
quando quiser dançar.
este Verão ensina-me
a ser sem felicidade sem tristeza por uns
segundos aliada de Deus.
Este Verão ensina-me
a acordar de manhã. Grata. Sozinha.
Este Verão ensina-me
que a folha do limoeiro só deita cheiro
quando a desfazemos entre os dedos.
a amar as minhas cicatrizes,
a enfeitar-me com marcas de estrangulamento no pescoço.
Este Verão ensina-me
a fechar à chave a amargura e fico
bem roliça e anafada pareço bem tratada.
Este Verão ensina-me
a gritar o bel canto.
Este Verão ensina-me
que a solidão descansa
e cresce numa mão.
Este Verão ensina-me
a não confundir um corpo disponível
com o desejo de felicidade.
Este Verão ensina-me
a ser para cada pedra um espelho de água.
Este Verão ensina-me
a amar grandes bolas de sabão e pequenas
antes de rebentarem.
Este Verão ensina-me
que tudo sem nós
por si continua.
Este Verão ensina-me
um rosto gelado feliz.
Este Verão ensina-me
tenho que ser eu a bater no tambor
quando quiser dançar.
este Verão ensina-me
a ser sem felicidade sem tristeza por uns
segundos aliada de Deus.
Este Verão ensina-me
a acordar de manhã. Grata. Sozinha.
Este Verão ensina-me
que a folha do limoeiro só deita cheiro
quando a desfazemos entre os dedos.
[Ulla Hahn]
^^
terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Toda alcova em penumbra. Em desalinho o leito,
onde, nus, o meu corpo e o teu corpo, estirados,
na fadiga que vem do gozo satisfeito,
descansam do prazer, felizes, irmanados.
Tendo a minha cabeça encostada ao teu peito,
e, acariciando os meus cabelos desmanchados,
és tão meu... sou tão tua. Ainda sob o efeito
da louca embriaguez dos momentos passados.
Porém, na tua carne insaciável, ardente,
o desejo reacende, estua... e, de repente,
dos meus seios em flor beijas a rósea ponta...
E se unem outra vez a lúbrica bacante
do meu ser e o teu sexo impávido, possante,
na comunhão sensual das delícias sem conta...
[Adelaide Schloenbach Blumenschein]
onde, nus, o meu corpo e o teu corpo, estirados,
na fadiga que vem do gozo satisfeito,
descansam do prazer, felizes, irmanados.
Tendo a minha cabeça encostada ao teu peito,
e, acariciando os meus cabelos desmanchados,
és tão meu... sou tão tua. Ainda sob o efeito
da louca embriaguez dos momentos passados.
Porém, na tua carne insaciável, ardente,
o desejo reacende, estua... e, de repente,
dos meus seios em flor beijas a rósea ponta...
E se unem outra vez a lúbrica bacante
do meu ser e o teu sexo impávido, possante,
na comunhão sensual das delícias sem conta...
[Adelaide Schloenbach Blumenschein]
^^
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
Retrospectiva - 2009 - EDUCAÇÃO
http://aceuabertodaboca.blogspot.com/2009/12/retrospectiva-2009-educacao.htmlHoje é meu dia lá no Céu aberto - da boca. Faremos uma restrospectiva de vários aspectos, ao longo da semana. E pra começar, falarei sobre EDUCAÇÃO.
Passe lá e confira!
^^
sábado, 19 de dezembro de 2009
Todo mundo tem segredoQue não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho
Eu só quero o começo
Não podia lidar com o meio
Quero muito, tenho apego
Já não quero e só resta desprezo
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Ah... eu me divirto mais...
Não conheço o que existe entre o 8 e o 80.
[Pitty]
^^
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Claridade dada pelo tempo
III
Viver com a crueldade
da criança que
tira os olhos ao pássaro
um desconhecido
movendo-se constantemente
no deserto
em que cada pegada deixa
bem marcada na areia
a imagem
dessa outra existência
em que a morte e a memória
ainda nada significam
mais alto
muto mais alto talvez
que a claridade
do voo das aves que
partem para o desconhecido
o próprio corpo nada mais é
do que a sombra bem simples por sinal
em que,
por erro nosso ou dos outros,
já não existe
a persistência do que
foi perdido
e as mãos
as mãos que sentimos
bem presas seguras aptas
essas
todos sabemos
que podem ainda cada vez mais
esmagar com cuidado
com extremo cuidado
dilacerar suavemente...
nos olhos
está o amor.
[Mário-Henrique Leiria]
Viver com a crueldade
da criança que
tira os olhos ao pássaro
um desconhecido
movendo-se constantemente
no deserto
em que cada pegada deixa
bem marcada na areia
a imagem
dessa outra existência
em que a morte e a memória
ainda nada significam
mais alto
muto mais alto talvez
que a claridade
do voo das aves que
partem para o desconhecido
o próprio corpo nada mais é
do que a sombra bem simples por sinal
em que,
por erro nosso ou dos outros,
já não existe
a persistência do que
foi perdido
e as mãos
as mãos que sentimos
bem presas seguras aptas
essas
todos sabemos
que podem ainda cada vez mais
esmagar com cuidado
com extremo cuidado
dilacerar suavemente...
nos olhos
está o amor.
[Mário-Henrique Leiria]
^^
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
A morte Absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.
[Manuel Bandeira]
^^
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.
[Manuel Bandeira]
^^
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Uns corpos são como flores,
Outros como punhais,
Outros como fitas de água;
Mas todos, cedo ou tarde,
Serão queimaduras que em outro corpo aumentem,
Convertendo pelo fogo uma pedra num homem.
Mas um homem agita-se em todas as direcções,
Sonha com liberdades, compete com o vento,
Até que um dia se apaga a queimadura,
Volta a ser pedra no caminho de ninguém.
Eu, que não sou pedra, mas caminho,
Que, ao passar, atravessam os pés nus,
Morro de amor por todos eles;
Dou-lhes meu corpo para que o pisem,
Embora os leve a uma ambição ou uma nuvem,
Sem que nenhum compreenda
Que nuvens ou ambições
Não valem um amor que se entrega.
Outros como punhais,
Outros como fitas de água;
Mas todos, cedo ou tarde,
Serão queimaduras que em outro corpo aumentem,
Convertendo pelo fogo uma pedra num homem.
Mas um homem agita-se em todas as direcções,
Sonha com liberdades, compete com o vento,
Até que um dia se apaga a queimadura,
Volta a ser pedra no caminho de ninguém.
Eu, que não sou pedra, mas caminho,
Que, ao passar, atravessam os pés nus,
Morro de amor por todos eles;
Dou-lhes meu corpo para que o pisem,
Embora os leve a uma ambição ou uma nuvem,
Sem que nenhum compreenda
Que nuvens ou ambições
Não valem um amor que se entrega.

[Luis Cernuda]
^^
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Parolagem da Vida

Como a vida muda.
Como a vida é muda.
Como a vida é nula.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!
[Carlos Drummont de Andrade]
Como a vida é muda.
Como a vida é nula.
Como a vida é nada.
Como a vida é tudo.
Tudo que se perde
mesmo sem ter ganho.
Como a vida é senha
de outra vida nova
que envelhece antes
de romper o novo.
Como a vida é outra
sempre outra, outra
não a que é vivida.
Como a vida é vida
ainda quando morte
esculpida em vida.
Como a vida é forte
em suas algemas.
Como dói a vida
quando tira a veste
de prata celeste.
Como a vida é isto
misturado àquilo.
Como a vida é bela
sendo uma pantera
de garra quebrada.
Como a vida é louca
estúpida, mouca
e no entanto chama
a torrar-se em chama.
Como a vida chora
de saber que é vida
e nunca nunca nunca
leva a sério o homem,
esse lobisomem.
Como a vida ri
a cada manhã
de seu próprio absurdo
e a cada momento
dá de novo a todos
uma prenda estranha.
Como a vida joga
de paz e de guerra
povoando a terra
de leis e fantasmas.
Como a vida toca
seu gasto realejo
fazendo da valsa
um puro Vivaldi.
Como a vida vale
mais que a própria vida
sempre renascida
em flor e formiga
em seixo rolado
peito desolado
coração amante.
E como se salva
a uma só palavra
escrita no sangue
desde o nascimento:
amor, vidamor!
[Carlos Drummont de Andrade]
^^
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Nem Tudo

Nem tudo que reluz corrompe
Nem tudo que é bonito aparenta
Nem tudo que é infalível se aguenta
Nem tudo que ilude mente
Nem tudo que é gostoso tá quente
Nem tudo que se encaixa é pra sempre
Nem tudo que é sucesso se esquece
Nem todo pressentimento acontece
Nem tudo que se diz tá dito
Nem tudo que não é você é esquisito
Nem tudo que acaba aqui
Deixa de ser infinito
Nem tudo que acaba aqui
Deixa de ser infinito.
[Compositor(es): Edu Tedeschi Zélia Duncan]
Nem tudo que é bonito aparenta
Nem tudo que é infalível se aguenta
Nem tudo que ilude mente
Nem tudo que é gostoso tá quente
Nem tudo que se encaixa é pra sempre
Nem tudo que é sucesso se esquece
Nem todo pressentimento acontece
Nem tudo que se diz tá dito
Nem tudo que não é você é esquisito
Nem tudo que acaba aqui
Deixa de ser infinito
Nem tudo que acaba aqui
Deixa de ser infinito.
[Compositor(es): Edu Tedeschi Zélia Duncan]
^^
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