
Este Verão ensina-me
a amar as minhas cicatrizes,
a enfeitar-me com marcas de estrangulamento no pescoço.
Este Verão ensina-me
a fechar à chave a amargura e fico
bem roliça e anafada pareço bem tratada.
Este Verão ensina-me
a gritar o bel canto.
Este Verão ensina-me
que a solidão descansa
e cresce numa mão.
Este Verão ensina-me
a não confundir um corpo disponível
com o desejo de felicidade.
Este Verão ensina-me
a ser para cada pedra um espelho de água.
Este Verão ensina-me
a amar grandes bolas de sabão e pequenas
antes de rebentarem.
Este Verão ensina-me
que tudo sem nós
por si continua.
Este Verão ensina-me
um rosto gelado feliz.
Este Verão ensina-me
tenho que ser eu a bater no tambor
quando quiser dançar.
este Verão ensina-me
a ser sem felicidade sem tristeza por uns
segundos aliada de Deus.
Este Verão ensina-me
a acordar de manhã. Grata. Sozinha.
Este Verão ensina-me
que a folha do limoeiro só deita cheiro
quando a desfazemos entre os dedos.
a amar as minhas cicatrizes,
a enfeitar-me com marcas de estrangulamento no pescoço.
Este Verão ensina-me
a fechar à chave a amargura e fico
bem roliça e anafada pareço bem tratada.
Este Verão ensina-me
a gritar o bel canto.
Este Verão ensina-me
que a solidão descansa
e cresce numa mão.
Este Verão ensina-me
a não confundir um corpo disponível
com o desejo de felicidade.
Este Verão ensina-me
a ser para cada pedra um espelho de água.
Este Verão ensina-me
a amar grandes bolas de sabão e pequenas
antes de rebentarem.
Este Verão ensina-me
que tudo sem nós
por si continua.
Este Verão ensina-me
um rosto gelado feliz.
Este Verão ensina-me
tenho que ser eu a bater no tambor
quando quiser dançar.
este Verão ensina-me
a ser sem felicidade sem tristeza por uns
segundos aliada de Deus.
Este Verão ensina-me
a acordar de manhã. Grata. Sozinha.
Este Verão ensina-me
que a folha do limoeiro só deita cheiro
quando a desfazemos entre os dedos.
[Ulla Hahn]
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