
[Eugénio de Andrade]



Tenho vontade de brincar....em ti!
Jamais foi tão escuro no país do futuro e da televisão. E nesse labirinto o que eu sinto, eu sinto e chamam de paixão. E me apaixonam questões ardentes que nem consigo assim de repente expor. Mas entre elas há coisas raras que são belezas, loucuras, taras de amor... Há sonhos e insônias, ozônios e Amazônias e um novo amor no ar.
"Existirá
"Ela caminhou muito durante semanas. Os seus cabelos voavam e o seu olhar estava calmo. Ela caminhou muito durante semanas e semanas. Sabia que percorrera um longo caminho por um motivo que só ela percebe. Caminhou muito durante meses. Quando finalmente chegou... percebeu que tinha estado muito tempo ausente e que ninguém a esperava. Caminhou muito durante muito tempo. Bastava-lhe um abraço quente. Caminhou... muito. Ninguém a esperava mas ela sabia que tinha regressado a casa, assim o quis. Sentou-se e esperou... Afinal alguém a esperava porque o seu olhar encontrou outro olhar e percebeu no seu íntimo que nunca mais quereria partir. O seu coração acalmou por momentos mas virou-se e viu que o olhar que a tinha recebido estava gelado."
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"Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro sangue, puxando carroça
Um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra,
vaidades que a terra um dia há de comer.
"Ás" de Espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário.
Muito prazer me chamam de otário
por amor às causas perdidas.
Tudo bem, até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
seja por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas
Tudo bem... até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
muito prazer... ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas."
[Composição: Humberto Gessinger / Paulo Gauvão]
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