Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

Redes Sociais

https://www.facebook.com/danielle.manhaes --- Instagram: @danielle.manhaes @danielle.manhaes_psi

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Improbabilidade


Era assim:

"queres?
queres algo?
queres desejar?
desejas querer?
desejas-me?
.
desejas querer-me?
queres desejar-me?
queres querer-me?
.
queres que te deseje?
desejas que te queira?
queres que te queira?
.
quanto me queres?
quanto me desejas?
.
ah quanto te quero
quando te quero
quando me queres..."

[Ana Hatherly]
^^

Fim

"Não devia ter-te deixado entrar assim na minha vida, não devia. Mas não pude. Entraste em mim num assalto e foi doce resistir. Agora quero expulsar-te, e não consigo. Perdi-me em ti, por descuido. Agora não me encontro sem ti.
De tudo nada ficou como prova: nem uma linha com a tua caligrafia, nem uma fotografia em que estivéssemos os dois, nem um dos teus lenços preferidos. Por vezes julgo, enlouquecida, que nem sequer exististe. Fecho os olhos e faço por fixar uma só imagem na memória, um só movimento curto dos teus braços, um sorriso na tua cara, uma única palavra, boa ou má, e não consigo. A imagem escorrega, desfaz-se no centro ou nos cantos. Quanto mais tento, mais me escapa. Volto atrás e recomeço. O que me vem não é o mesmo.
Não quero abrir os olhos para não ter que não te encontrar.


(...)

[Pedro Paixão]

Made in Lisboa


^^

Do começo

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.
Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas.
Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto, ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome, porque quiseram ser, eles que eram.
Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

[Clarice Lispector]
^^

Pensamento


"Esta linguagem é pura. No meio está uma fogueira e a eternidade das mãos. Dizem: ele é uma palavra. E chega o Verão, e eu sou exatamente uma Palavra. - Porque me amam até se despedaçarem todas as portas, e por detrás de tudo, num lugar muito puro, todas as coisas se uniram numa espécie de forte silêncio.
Há gente assim, tão pura. Pensa, esgota-se, nutre-se desse quente silêncio. Há gente que se apossa da loucura, e morre, e vive.
Depois levanta-se com os olhos imensos e incendeia as casas, grita abertamente as giestas, aniquila o mundo com o seu silêncio apaixonado."

[Herberto Helder]


^^

Com toda Palavra


"Quanto de ti, amor,
me possuiu no abraço
em que de penetrar-te me senti perdido
no ter-te para sempre -
Quanto de ter-te me possui em tudo
o que eu deseje ou veja não pensando em ti
no abraço a que me entrego -
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
sem olhos e sem boca, só expressão dorida
de quem é como a morte -
Quanto de morte recebi de ti,
na pura perda de possuir-te em vão
de amor que nos traiu -
Quanta traição existe em possuir-se a gente
sem conhecer que o corpo não conhece
mais que o sentir-se noutro -
Quanto sentir-te e me sentires não foi
senão o encontro eterno que nenhuma imagem
jamais separará -
Quanto de separados viveremos noutros
esse momento que nos mata para
quem não nos seja e só -
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
como na ausência indestrutível que
nos faz ser um no outro -
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida -
Quanto de vida consumimos pura
no horror e na miséria de, possuindo, sermos
a terra que outros pisam -
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja."

[Jorge de Sena]
^^

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Mormaço

Li essa linda poesia no blog do Fábio Siqueira, resolvi publicá-la. Tomara que me traga a mesma sorte e que eu tenha nem que seja por um dia... um dia de mormaço.


Mormaço
"Quando ele passa
é como um dia de MORMAÇO
Você se distrai
Esquece o chapéu
o protetor solar.
A brisa é fresca
A manhã é bela.
Você se deixa envolver...
percebe
ao fim do dia
o corpo
febril
tatuado
intocável.
Abre a janela
e pede
à
brisa da noite
que
sopre
pela sua pele nua
e suavize
a
dor da SAUDADE."
.
[Walnize Carvalho]
^^

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Inspirada nas Aventuras de Dom Quixote


Hoje sou um "cavaleiro andante" na versão feminina, do clássico: Dom Quixote da la Mancha de Miguel de Cervantes. Com uma grande diferença do herói de Cervantes: Não tenho ajuda de nenhum Sancho Pança para minhas batalhas em guerra; ando em mim mesma em busca de qualquer coisa que não sabendo quem é, sei que me fará sorrir para mim.
Corro atrás de uma ilusão qualquer onde a luz esconde a penumbra, onde tudo será mais eu do que eu própria.
Sinto um vazio que me preenche e, mesmo vazia estou preenchida por mim, porque busco preencher mais qualquer coisa do que fui; pensar que fui por algum motivo mas não podendo ser, vou ser mais, mais de mim, mais do que quero, um pouco mais do que não sou, vou agarrar o que puder, mesmo que, o que possa sejam apenas mais uns pensamentos, uns quaisquer conhecimentos esquecidos no interior das páginas, estarei sozinha ou acompanhada, estarei sem saber porquê, estarei à espera de mim...
As lágrimas podem até continuar a aqui, mas à beirinha da porta ainda não as deixei sair... Porque não quero, porque não mereço... Não consigo sorrir ainda - confesso. Mas no silêncio comando um mundo em que a realidade é minha, só minha.
Quero acreditar num sossego, num sossego meu, mesmo que solitário... a angústia vai me acompanhar, isso eu sei... mas será por momentos...
Hoje esteve sol, um sol que me aqueceu o espírito...
A angústia ficou quietinha... porque eu quis. E agora... agora sou eu quem manda... mando a vida deixar-me sorrir!!!
Que venham os moinhos de ventos fantasiados de gigantes guerreiros;
Que venha um exército de ovelhas com suas armas, coroas e escudos.
Queimarei todas as minhas novelas de cavalaria.
De agora em diante, sou eu quem escreve minha própria história.
^^

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Vamos 'Psicologizar'?

"Poderiam perguntar-me se estou convencido, e até que ponto o estou, da legitimidade das ideias que desenvolvi. Responderia dizendo que nem eu mesmo me acho convencido, nem prego aos outros o dever de acreditá-lo; ou melhor, eu mesmo não sei até que ponto acredito nas opiniões que emiti."

[Sigmund Freud]


^^

"O Amor te escapa entre os dedos

...E o tempo escorre pelas mão,
O Sol já vai se pôr no mar"(...)

[Herbet Vianna]



Sabes quando o tempo passa e dás conta que afinal... O tempo passou, que a tua vida mudou?

O mesmo se passou quando descobri, que já não sei viver com o tempo presente. Estou agarrada ao pretérito imperfeito. Recém passado mas que às vezes transporta aquele perfume de ti, aquele sorriso que é teu, o olhar que prende, as palavras coletivas e diretas...Dias do calendário riscados, tempo perdido mas sentido com a intensidade da ausência, que é tua, e que não preenches...

Onde estás??
Não sei..
Quem és??
Não tenho palavras que te descrevam, foram poucos os momentos.
Possuo sim, a certeza da riqueza de sentir os olhares penetrantes que f-i-c-a-r-a-m- p-e-l-o -a-r...

^^

Mais de mim - I


Quase 30, é a filha mais velha dos três irmãos. Embora nada disto defina uma pessoa. Apaixonada por letras. Impressas e por escrever. Literaturas e seus movimentos literários. Apaixonada pela psicologia que há-de continuar a fazer nascer encantamento na mente e no coração. Prefere dias de frio intenso à qualquer outra coisa com mais intelectualidade. Prefere vasco à flamengo. Prefere olhos nos olhos ao sorriso impecável e vazio. Vive de percepções para sentir. Vive de sentimentos para sonhar. Depois 'serigrafa' emoções que vai deixando por aí.


^^

Mais um mês a começar


Começo a duvidar que existas além de mim. Não te sinto cá fora.
O que me incomoda, não é teres partido.
O que me incomoda é teres deixado a ausência. Porque não houve corte. A linha é continua, sem início ou fim. E passam-se os meses, sem se passar nenhum. Antecipo a tua ausência, até à clara certeza de algo ter morrido.
^^

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Inspirada na Alegoria da Caverna - [PLATÃO]

Isto é tudo um sonho do qual um dia se há-de acordar. Somos todos homens e mulheres das cavernas, esfomeados e mal-cheirosos que nem o fogo conhecemos, quanto mais este mar de tudo.
Aqui dentro, têm sombras, que modificam-se de acordo com a projeção da luz, vinda da abertura da caverna. Isto aqui é tudo um sonho, ilusões e fantasias. Metade do que sonhos, do que sonhamos, como nos sonhos que vamos tendo dentro deste. Naqueles onde as nuvens se comem e parecem algodão-doce, naqueles onde cheira a café acabado de fazer, nesses.
Isto é tudo um sonho e o "para sempre" não existe, nem a noção de tempo, de tempos. Nada!
Nos sonhos há sempre uma parte em que se acorda.

Gosto especialmente quando caio de uma qualquer altura para o chão.

É claro que machuca - e muito, mas pelo menos procuro caminhar na direção da luz. Viver a realidade, fora dessa caverna assombrada.
Prefiro buscar virtude, sabedoria e verdade que machucam, à ficar dentro da caverna, num mundo cheio de ignorâncias e ilusões; repleto de mentiras sinceras com um quê de conveniência e acomodação.

Se me perguntares - voltarias à caverna?
- Certamente, Não.
Pra que? Pra duvidares de mim?

O que mais existe dentro dessas cavernas mundo à fora, são pessoas com o pensamento tipo: "Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe."

Por isso eu afirmo:
Essa busca pelo conhecimento tem que partir de cada um de nós.
Quem quiser saber, é só seguir a LUZ.

Platão quem o diga.


^^

Igual... s-e-m-p-r-e!


A distância nunca foi uma coisa física. Fecha-se mais uma roda. Mais uma roda dentro da roda gigante que...Volta tudo ao início, ao primeiro estender de mão e palavras num qualquer dia de sol refém de uma primavera já distante -tão distante quanto próxima - muda o verbo e mudam as horas, o resto é sempre igual, déjà vu infinito no bater dos sinos.
Sempre igual... Sempre!


^^

Nosso Tempo


Enquanto o tempo não for todo nosso, quero manter no pulso este mesmo relógio cuja pilha pede substituição. Enquanto o tempo não for só nosso, não quero ouvi-lo tiquetaquear.


^^

sábado, 31 de janeiro de 2009

Delícia!


Pele fresca.
Cabelo molhado.
O Sol entrando pela janela.
Música consoante
O estado de espírito.
O cheiro do ópio soltando-se suavemente.
Nenhum pensamento.
E ficar assim, para sempre, indefinidamente...

^^

Desafio

A Teresa (do blog http://tecnenfermaginando.blogspot.com/) me passou esse desafio. Mais uma vez, agradeço por ter se lembrado dessa humilde blogueira.
Confesso que não foi difícil, afinal de contas eu amo música. O difícil foi escolher um cantor entre tantos que admiro. O Cazuza foi o meu escolhido, não só pelo fato de ser um dos maiores poetas contemporâneos, mas sobretudo, pela variedade de suas canções, cujos títulos são extremamente expressivos.


As regras são essas:

1 - Escolher um cantor: Cazuza

2 - A cada pergunta feita temos que escolher um título de uma música

3 - Nomear outros bloguistas para repassar o desafio


Minhas respostas:

1 - És homem ou mulher?
Cazuza - Mulher Vermelha

2 - Descreve-te:
Cazuza - Quatro Letras

3 - O que as pessoas acham de ti?
Cazuza - Tantas Coisas

4 - Como descreves o teu último relacionamento?
Cazuza - Sem Saudade

5 - Descreve o estado atual da tua relação:
Cazuza - Solidão, que nada

6 - Onde querias estar agora?
Cazuza - Um Trem Para as Estrelas

7 - O que pensas a respeito do amor?
Cazuza - Amor, amor

8 - Como é a tua vida?
Cazuza - Vida Louca Vida

9 - O que pedirias se pudesses ter só um desejo?
Cazuza - Todo Amor que Houver Nessa Vida

10 - Escreve uma frase sábia:
"Só sei que nada sei.” - [ Sócrates]

ou

by Cazuza - O Nosso Amor a Gente Inventa

~

Eu desafio:

http://bdeblogger.blogspot.com/
http://sintomadesaudade.blogspot.com/
http://poemasluar.blogspot.com/
http://sonsdesonetos.blogspot.com/
http://quasepoesia.blogspot.com/
http://fabiosiqueira.blogspot.com/


^^

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

[?]


Sou inundada de perguntas, de serás e de porquês. Sou inundada de um infinito de poucas respostas num mundo inexistente à minha esquerda e…
(fica tudo ao vosso dispor.)
^^

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

No Limite das Palavras

“Se me disseres que me amas, acreditarei.
Mas se escreveres que me amas, acreditarei ainda mais.
Se me falares da tua saudade, entenderei.
Mas se escreveres sobre ela, eu a sentirei junto contigo.
Se a tristeza vier a te consumir e me contares, Eu saberei.
Mas se a descreveres no papel, o seu peso será menor.”

^^
… e assim são as palavras escritas: possuem um magnetismo especial, libertam, acalentam, invocam emoções.
Elas possuem a capacidade de, em poucos minutos, cruzar mares, saltar montanhas, atravessar desertos intocáveis.
Muitas vezes, infelizmente, perde-se o autor, mas a mensagem sobrevive ao tempo, atravessando séculos e gerações.
Elas marcam um momento que será eternamente revivido por todos aqueles que a lerem.
Vive o amor com palavras faladas e escritas. Mata saudades, pede perdão, aproxima-te.
Recupera o tempo perdido, insinua-te.
Alegra alguém e oferece um simples “bom dia”.
Faz um carinho especial.
Usa a palavra a todo o instante, de todas as maneiras.
A sua força é imensurável.


Lembra-te sempre do poder das palavras.


“Quem escreve constrói um castelo.
E quem lê passa a habitá-lo.”
[Autor desconhecido]


Essas palavras não são minhas, mas identifiquei-me plenamente com elas…



^^

Ar em movimento


O vento sublime desperta
Não há quem cale os múrmurios do Norte...
Dizem que um dia o Céu se abrirá em mil pedaços
E que a Noite cairá sobre a Terra com o seu manto diáfano.
Talvez o vento apenas queira dançar...
Talvez as harpas da saudade não soltem a melodia certa ainda...
Ainda hoje pensei que o Mundo era uma concha aberta!
E que, atrapalhados na busca do sentido do ser,
os homens acotovelavam-se entre si,
perdendo a razão!
E nesta perda, a inconsciência brilhava de êxtase,
no seu canto longínquo e suave.
Talvez sejamos como o vento...
Alegres, na dança colorida do ser,
bailamos ao som da vida...

^^

Alguém me interne no paraíso.

Preciso urgente dar um tempo por lá!
(...)
Sorrisos plásticos cumprindo seu papel
Enfeitando um rosto de pedra!
Se a regra é ser tão simpático
Mesmo que seja só pra convencer toda platéia
Abraços vazios, olhares de gelo
Tão descartáveis quanto cascas no chão
Flashes capturam a melhor fachada
Mas quem vê foto não vê coração!
Não quero mais fantoches ao redor
Agindo sempre assim só quando for conveniente
Pra ganhar bônus e somar pontos
À sua carteirinha de hipócrita oficial"
[Pitty]
^^