Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

Redes Sociais

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terça-feira, 19 de maio de 2009

(...)

Photobucket

"Os dias amargos não falam
das palavras que pousam
nos meus lábios.

Prendem-se a olhares secos,
esculpem emoções onde o
corpo se rasga em silêncio

E como músculos promovidos
a respiração, descascam-nas
de sentido, e reclamam dos
olhos , as palavras esquecidas
pela voz."

[eue]

^^

Crepuscular

"A incerteza cai com a tarde
no limite da praia. Um pássaro
apanhou-a, como se fosse
um peixe, e sobrevoa as dunas
levando-a no bico. O
seu desenho é nítido, sem
as sombras da dúvida ou
as manchas indecisas da
angústia. Termina com a
interrogação, os traços do fim,
o recorte branco de
ondas na maré baixa. Subo a estrofe
até apanhar esse pássaro:
com o verso, prendo-o à frase,
para que as suas asas deixem
de bater e o bico se abra. Então,
a incerteza cai-me na página, e
arrasta-se pelo poema, até
me escorrer pelos dedos para
dentro da própria alma."
.

[Nuno Júdice]

^^



(...)

"Vivendo, eu não representava para mim mesmo nenhuma imagem de mim. Porque tinha, então, de me ver naquele corpo, como uma imagem necessária de mim?Imagem que estava ali, na minha frente, quase inexistente, como uma aparição. (…) E eu podia não me conhecer assim. E se por exemplo, nunca mais me visse a um espelho?"
[Luigi Pirandello]

^^


Doces metamorfoses

Não mais as doces metamorfoses de
uma menina de seda
sonâmbula agora na cornija da névoa

o seu despertar de mão a respirar
de flor que se abre ao vento.


[Alejandra Pizarnik]

^^

(...)


"Não pegues na colher com a mão esquerda.
Não ponhas os cotovelos na mesa.
Dobra bem o guardanapo.
Isso, para começar.
.
Extraia a raíz quadrada de três mil trezentos e treze.
Onde fica o Tanganica? Em que ano nasceu Cervantes?
Dou-lhe um zero em comportamento se falar com o seu colega.
Isso, para continuar.
.
Parece-lhe decente que um engenheiro faça verso?
A cultura é um enfeite e o negócio é o negócio.
Se continuas com essa moça fechamos-te a porta.
Isso, para viver.
.
Não sejas tão louco. Sê educado. Sê correcto.
Não bebas. Não fumes. Não tussas. Não respires.
Aí, sim, não respirar! Dar o não a todos os nãos.
E descansar: morrer."
.
[Gabriel Celaya]
^^

domingo, 17 de maio de 2009

O Sofrimento

Porque há dias que questiono:
Valerá um sonho a queda do despertar?



"Penso: talvez o sofrimento seja lançado às multidões em punhados e talvez o grosso caia em cima de uns poucos ou nada em cima de outros. Não a dor, não as pernas trôpegas de nódoas negras, não as costelas partidas a colar entre o sangue pisado, não a cabeça a rachar-se em tentáculos como raios, não a pele das paixões acabadas a abrir rasgões fundos em carne como vergadas de uma impotência absoluta; mas o sofrimento, permanente e constante, como todos os ossos expostos a furar os músculos e a pele."
[José Luís Peixoto]
^^

Arte Poética

"O poema não tem mais que o som do seu sentido,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,
poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva
fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil
árvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procura
de cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormes
e me fizeste nascer de ti para ser palavras que não
se escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido em
emória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,
lugar que não se diz e que significa, silêncio do teu
olhar de doce menina, silêncio ao domingo entre as conversas,
silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silêncio
de ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poema
calado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, em
segredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.
O poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,
a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias
do verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eu
fui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu não
conhecia a palavra poema, quando eu não conhecia a
letra p e comia torradas feitas no lume da cozinha do
quintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papel
e deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimas
e sem metáforas, que te amo, o poema será quando as crianças
e os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.
O poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chama
poema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro de
si é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar para
abraçar o seu pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudo
o que quero aprender se o que quero aprender é tudo,
é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,
não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso são
bibliotecas a arder de versos contados e não é o poema,
não é araiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só podemos
conhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é um
torrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entre
os versos e o mundo, o poema não é a palavra poema
porque a palavra poema é uma palavra, o poema é a
carne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobre
os telhados na hora em que todos dormem, é a última
lembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.
O poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,
tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-se
com grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos e
incertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,
a palavra poema existe para não ser escrita como eu existo
para não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer por
mim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugares
onde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,
o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque me
olhas, o poema é o teu rosto, eu, eu não sei escrever a
palavra poema, eu, eu só sei escrever o seu sentido."

.
[José Luís Peixoto, in A Criança em Ruínas]

^^



Cura?

Reflet.

"A cidade está deserta
E alguém escreveu o teu nome em toda a parte
Nas casas, nos carros,
Nas pontes, nas ruas...
Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura
Ora amarga, ora doce
Para nos lembrar que o amor é uma doença
Quando nele julgamos ver a nossa cura."

[Ornatos Violeta]
.
^^

Tudo Cura o Tempo

Photobucket


"Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera! São as feições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem de durar pouco que terem durado muito. São como as linhas que partem do centro para a circunferência, que, quanto mais continuadas, tanto menos unidas. Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino; porque não há amor tão robusto que chegue a ser velho. De todos os instrumentos com que o armou a natureza, o desarma o tempo. Afrouxa-lhe o arco com que já não tira; embota-lhe as setas com que já não fere; abre-lhe os olhos com que vê o que não via; e faz-lhe crescer as asas com que voa e foge.
A razão natural de toda esta diferença é porque o tempo tira a novidade às coisas: descobre-lhe os defeitos, enfastia-lhe o gosto e basta que sejam usadas para não serem as mesmas. Gasta-se o ferro com o uso, quanto mais o amor! O mesmo amar é causa de não amar, e o ter amado muito, de amar menos."
.
[Padre António Vieira] - Sermões

^^

sábado, 16 de maio de 2009

Exército De Um Homem Só

"Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção -
A gente escreve o resto em linhas tortas nas portas da percepção, em paredes de banheiro, nas folhas que o outono leva ao chão.
Em livros de história seremos a memória dos dias que virão(se é que eles virão)
.
Não importam se só tocam o primeiro verso da canção -
A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão. Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão, escrito à luz de velas, quase na escuridão, longe da multidão.
.
Somos um exército(o exército de um homem só) no difícil exercício de viver em paz.
Somos um exército(o exército de um homem só) sem bandeira, sem fronteiras pra defender...
.
Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção -
A gente escreve o resto e o resto é resto: é falsificação. É sangue falso bang-bang italiano, suíngue falso, turista americano. Livres dessa estória a nossa trajetória não precisa explicação(e não tem explicação)
.
Não interessa o que o bom senso diz, não interessa o que diz o rei, [se no jogo não há juiz não há jogada fora da lei] não interessa o que diz o ditado, não interessa o que o estado diz, nós falamos outra língua moramos em outro país.
.
Somos um exército(o exército de um homem só) sem bandeira, sem fronteiras para defender...
Nesse exército,(o exército de um homem só) todos sabem que tanto faz ser culpado ou ser capaz... tanto faz ..."
.
[Composição: Humberto Gessinger]

^^


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Mais de Mim - IV








Sou uma imaginação grande e uma fé sem fim. Eu acredito nas pessoas, acredito na vida e sobretudo mais em mim... Na minha intuição feminina, nos meus desejos loucos e nesse poder - que nem sei controlar direito - de ser diferentes conceitos e ter tantas transformações numa rotatividade sem fim.
Acredito que amanhã tudo pode melhorar. Se não melhorar, é porque ainda não chegou ao final.
Você aí, me faça sorrir? Vamos lá, não é tão difícil - embora às vezes pareça. Seja simples. Conte-me seus feitos, me faça sentir normal. Escute música comigo. Cante. Olhe nos meus olhos quando for falar comigo.
Pronto.
É como conquistar uma criança com chocolate. Eu também sou levemente ingênua e possuo uma sensualidade que está numa eterna fase de crescimento. Ando séria na rua. Rio em hora errada. E na hora certa de falar e agir - paro.
Tenho "amigos" que quando caio e me machuco, eles dizem: "Não fui eu". Enquanto outros apenas seguram minha mão e me apoiam.
Mas eu só te peço um favor, seja você qual for - quando eu te perguntar se vai doer (ainda mais), seja sincero. Seja gente. Porque gente sente dor e sabe como é. Dói. A gente grita, reclama, esperneia, mesmo sabendo que passa.
E se passar logo, também me diga. Assim economizo meus dramas. Eu não consigo prever tudo sozinha, apesar de imaginar tanto um futuro que continua incerto demais pra mim. Meus planos para amanhã, meus amores de ontem ou do ano que vem, eu já não sei. Não sei se vai doer ou me fazer sorrir. Sinto tanta falta de gente verdadeiramente sincera. Atitudes doces como chocolate, porque palavras eu já tenho: numa coleção preservada em embalagens bonitas.
.
Pra falar a verdade, essa semana estou sentindo falta de mim. Da minha coragem, do meu encanto, da minha loucura, e da fé guardadinha no meu peito. Sinto falta das respostas para minhas perguntas indiscretas e de tudo que eu ainda vou encontrar...

^^

Relógio Sem Ponteiros


"Quando agora te debruças sobre a água do tanque, vês projectado, lá no fundo, um relógio sem ponteiros. Percebes, então, que a ferrugem é também uma qualidade e um atributo da água, e não apenas de alguns metais a que chamamos vis. E percebes ainda que já não são necessários os relógios. Tu já não tens idade, nem o tempo, que partilha do halo e da fluidez da água e é, às vezes, como ela, tão inodoro e insípido, se deixa prender, mesmo num vaso de cristal. E não podes, assim, medir-lhe a respiração. A sua duração, se preferes. Se alguma ainda subsiste, é a que é regulada pelos ponteiros do seu próprio corpo."
.
[Albano Martins]
^^

A Púrpura do Dia

Ode For Cruelty

"Falar-te-ei de como se erguem
em flor as sementes,
de como o luar pode desfalecer
a solidão de um nome
e atirar-nos para o lugar das mãos

ao longe a púrpura dos dias,
do ar respirado, da vida
que não pára de bater
em cada grão de terra
- nas tuas mãos, o meu
coração de lã e o frio
que não mais te tocará
por ser possível ser feliz."


[Vasco Gato]

^^

Perguntinha:

"Quando digo «isto»
é a mim que vês na ponta dos dedos?
Ou é ao olhares-me
que o mundo se revela em ti?"...
.

[Rosa Alice Branco]

^^

(...)


... "inquieta espero
o rosto mítico das palavras...
Um nome que custa falar
não sei se veneno
vida
ou a solidão da palavra silêncio
em lápis-lazúli
esculpida e secreta..."
[Neide Archanjo]
^^

(...)

"Surge o teu corpo
como uma cilada violenta,
a tua presença desejada
e um incêndio
que eu não apago.

Tu vives
na natural harmonia
do teu corpo,
na sua pujança doce,
a eloquente imagem
que me atrai
porque em ti
está um outro
para além de mim.

A tua serena presença
está falando ao corpo,
aos olhos.
A memória é uma devastação
nestes campos
onde não há trigo
e o pão é infinitamente ardente,
como um deus
que nos faltasse
e nós o invocássemos
para nos secar a dor."

[José Luis Monteiro]

^^

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Angústia


"Será possível que Ela me faça perdoar as ambições continuamente esmagadas,
— que um final feliz compense os anos de indigência, — que um dia de sucesso nos adormeça sobre o vexame de nossa fatal incompetência.
(Ó aplausos! diamante! — Amor! força! — maiores do que glórias e alegrias!
— de qualquer jeito, por toda parte, — demônio, deus — Juventude deste ser; eu!)
Que os acidentes de feitiços científicos e os movimentos de fraternidade social sejam queridos como a restituição progressiva da sinceridade primeira?...
Mas a Vampira que nos faz gentis nos manda divertir com o que ela deixa, ou então que fiquemos mais malandros.
Rolar até ferir, pelo ar e pelo mar exaustos; até os suplícios, pelo silêncio do ar e das águas mortais; até as torturas de riso, em meu silêncio atrozmente murmurante."
.
[Jean Arthur Rimbaud]
Livro: Iluminações
^^

Vai dizer que não é assim que funciona?

Recebi por email este pequeno "diálogo", achei tão verdadeiro e atual que resolvi compartilhar com vocês: (O que a Mulher Diz e o Homem Escuta)rsrsrssr...

"O que a mulher diz:

Esta casa está uma confusão!

Amor, tu e eu temos que limpar isto,

As tuas coisas estão no chão e

Ficarás sem roupas para vestir se

Não as lavares agora mesmo!


O que o homem escuta:

blah, blah, blah, blah, Amor

blah, blah, blah, blah, tu e eu

blah, blah, blah, blah, no chão

blah, blah, blah, blah, sem roupas

blah, blah, blah, blah, agora mesmo! "

^^

Não passo pela Vida… E você, passa?

"Já tentei substituir pessoas insubstituíveis
E esquecer pessoas inesquecíveis
perdoei erros quase imperdoáveis.

fiz coisas por impulso,
Já me decepcionei com pessoas
Que nunca pensei que me iriam decepcionar,
Mas também já decepcionei alguém.
abracei para proteger,
sorri quando não podia,
Fiz amigos eternos,
Amei e fui amado,
Mas também já fui rejeitado,
Fui amado e não amei.

gritei e pulei de tanta felicidade,
vivi de amor e fiz juras eternas,
(Arrependi-me muitas vezes)!
chorei a ouvir música e a ver fotografias,
telefonei só para escutar uma voz,
Já me apaixonei por um sorriso,
pensei que fosse morrer de tantas saudades
E tive medo de perder alguém especial.
Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E Tu também não deverias passar!

Vive!
É bom mesmo lutar com determinação,
Abraçar a vida com paixão,
Perder com classe
E vencer com ousadia,
Porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" para ser insignificante.

[Charles Chaplin]

Gundega Dege

^^

domingo, 10 de maio de 2009

Mãe...

Mãe é o sentido da vida,
é a razão de entender como podemos ser fortes,
no momento que todos nos julga impotente.
Mãe é o colo perfeito,
onde as lágrimas de dor
se transformam em consolo e depois de certo tempo
se transformam em aprendizado.
Mãe é o milagre de viver,
é onde tudo começa,
e o amanhecer do viver de cada um.
Mãe,
Uma das primeiras palavras que aprendemos a falar,
e não é uma simples coincidência, é a necessidade de tê-la sempre ao nosso lado.
Mãe,
não importa a distância,
sempre está ao nosso lado, torcendo, orando...
Pedindo a Deus a nossa felicidade.
Mãe,
Merece muito mais que um dia,
Merece muito mais que uma vida.

Feliz Dia das Mães!!!

^^

sábado, 9 de maio de 2009

Ouvir Estrelas

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!"E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
.
E conversamos toda noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizes, quando não estão contigo?"
.
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
.
[Olavo Bilac]

^^

Selo: lista de Desejos


Bom gente, fui indicada pela Pamella Cassillas do blog: "Quem tem um sonho não dança", com o selo de lista de desejos. [Que perigo!!!]
Muito interessante!

Tenho que dizer 8 desejos que tenho e indicar 8 blogs para fazerem o mesmo!

Regrinhas:
Postar oito blogs, oito desejos e avisar aos que ganharam o selo por meio de comentário!
Então vamos aos desejos...

1-Desejo uma ótima educação(em todos os sentidos) para todos;
2-Desejo encontrar felicidade nas coisas mais banais;
3-Desejo ter dinheiro suficiente pra poder viajar e conhecer culturas e costumes de certos países incríveis (tipo: Zeca Camargo em a volta ao mundo);
4-Desejo ter um filho, de preferência menino;
5-Desejo ser uma das pessoa a abrir o baú do Freud, caso esteja viva até lá;
6-Desejo passar num concurso público federal logo após minha formatura;
7-Desejo poder identificar o momento exato em que as pessoas mentem;
8-Desejo sucesso/reconhecimento profissional.

Vamos aos felizardos:

http://pattypbranco.blogspot.com/
http://professorahildahelenasempre.blogspot.com/
http://comcamisinha.blogspot.com/
http://fabiosiqueira.blogspot.com/
http://yeuxaffames.blogspot.com/
http://loiratodosdias.blogspot.com/
http://quasepoesia.blogspot.com/
http://sociedadeblog.blogspot.com/

^^

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Hipocrisia... é o que temos no prato do dia.


Infelizmente o ser humano tem o ridículo hábito de seguir o caminho mais fácil. De julgar sem conhecer. De culpar por não querer se comprometer. De chorar para inverter situações.
Eu pensava que hipocrisia era coisa de político, que maldade só saía no jornal e que covardia era coisa de quem tinha medo.
Com o passar do tempo eu fui descobrindo que há mais pessoas do que você supunha com boas intenções de governar você. Que há mais pessoas do que você supunha que encenariam perfeitamente o papel da vilã da novela das nove. Que há mais pessoas do que você supunha com medo de perder.
Fico triste com tudo isso, logo eu que (ainda) acredito nas pessoas. Não que alguém tenha me passado pra trás ou me decepcionado. Embora frágil, ainda sou forte. Isso é apenas um desabafo diante do mundo. Acho que o mundo precisa de sonhos, cores, e um pouquinho mais de atenção com algo que não seja nosso próprio espelho.
^^

Despertar é preciso

"Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada."
.
[Vladimir Maiakóvski]

^^


(...)


"Desenha com a ponta dos teus dedos
as fronteiras exactas do meu rosto
as rugas os sinais a cicatriz que ficou da infância
o lento sulco das lâminas onde no peito
se enterra o mistério do amor
.
e diz-me
.
o que de mim amaste noutros corpos
noutras camas noutra pele
.
prometo que não choro mas repete
as palavras um dia minhas que sem querer
misturaste nas tuas e levaste
com as chaves de casa e os documentos do carro
- e largaste sobre a mesa com o copo de gin a meio
na primeira madrugada em que me esqueceste."
.

[Alice Vieira]


^^

Mas que sei eu


"Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha."
.
[Ruy Belo]
^^

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Quem eles pensam que são?

"Corrida pra vender cigarro
Cigarro pra vender remédio
Remédio pra curar a tosse
Tossir, cuspir, jogar pra fora
Corrida pra vender os carros
Pneu, cerveja e gasolina
Cabeça pra usar boné
E professar a fé de quem patrocina...
.
Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho, velocidade
Quem mente antes diz a verdade
Satisfação garantida
Obsolescência programada
Eles ganham a corrida antes mesmo da largada.
.
Eles querem te vender,
eles querem te comprar
Querem te matar (a sede),
eles querer te sedar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?
.
Vender, comprar, vendar os olhos
Jogar a rede... contra a parede
Querem te deixar com sede
Não querem te deixar pensar."
.

[Humberto Gessinger]

^^

segunda-feira, 4 de maio de 2009

De Você

"Esse vidro fechado
E a grade no portão
Suposta segurança
Mas não são proteção
E quando o caos chegar
Nenhum muro vai te guardar
De você, de você, de você...
Protótico imperfeito
Tão cheio de rancor
É fácil dar defeito
É só lhe dar poder
E quando o caos chegar
Nenhum muro vai te guardar
De você, de você, de você...

Se tornam prisioneiros das posses ao redor.

Olhando por entre as grades o que a vida podia ser.

E é com a mão aberta que se tem cada vez mais.

A usura que te move só vai te puxar pra trás

Mas quando o caos chegar
Nenhum muro vai te guardar
De você, de você, de você..."
.
[Pitty]
^^

domingo, 3 de maio de 2009

Fragmentos




1
"Me quer ? Não me quer ? As mãos torcidas
os dedos
despedaçados um a um extraio
assim tira a sorte enquanto
no ar de maio
caem as pétalas das margaridas
Que a tesoura e a navalha revelem as cãs e
que a prata dos anos tinja seu perdão
penso
e espero que eu jamais alcance
a impudente idade do bom senso
2
Passa da uma
você deve estar na cama
Você talvez
sinta o mesmo no seu quarto
Não tenho pressa
Para que acordar-te
com o
relâmpago
de mais um telegrama
3
O mar se vai
o mar de sono se esvai
Como se diz: o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites
Inútil o apanhado
da mútua dor mútua quota de dano
4
Passa de uma você deve estar na cama
À noite a Via Láctea é um Oka de prata
Não tenho pressa para que acordar-te
com relâmpago de mais um telegrama
como se diz o caso está enterrado
a canoa do amor se quebrou no quotidiano
Estamos quites inútil o apanhado
da mútua do mútua quota de dano
Vê como tudo agora emudeceu
Que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos a história do universo
5
Sei o puldo das palavras a sirene das palavras
Não as que se aplaudem do alto dos teatros
Mas as que arrancam caixões da treva
e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro
Às vezes as relegam inauditas inéditas
Mas a palavra galopa com a cilha tensa
ressoa os séculos e os trens rastejam
para lamber as mãos calosas da poesia
Sei o pulso das palavras parecem fumaça
Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios alma carcaça."


[Vladímir Maiakovski]
^^

A Criança em ruínas




"Fingir que está tudo bem: o corpo rasgado e vestido com roupa passada a ferro, rastos de chamas dentro do corpo, gritos desesperados sob as conversas: fingir que está tudo bem: olhas-me e só tu sabes: na rua onde os nossos olhares se encontram é noite: as pessoas não imaginam: são tão ridículas as pessoas, tão desprezíveis: as pessoas falam e não imaginam: nós olhamo-nos: fingir que está tudo bem: o sangue a ferver sob a pele igual aos dias antes de tudo, tempestades de medo nos lábios a sorrir: será que vou morrer?, pergunto dentro de mim: será que vou morrer?, olhas-me e só tu sabes: ferros em brasa, fogo, silêncio e chuva que não se pode dizer: amor e morte: fingir que está tudo bem: ter de sorrir: um oceano que nos queima, um incêndio que nos afoga."

[José Luis Peixoto]
^^

Do desespero Humano



"Aos olhos do mundo o perigo está em arriscar, pela simples razão de se poder perder. Evitar os riscos, eis a sabedoria. Contudo, a não arriscar, que espantosa facilidade de perder aquilo que, arriscando, só dificilmente se perderia, por muito que se perdesse, mas de toda a maneira nunca assim, tão facilmente, como se nada fora: a perder o quê? a si próprio. Porque se arrisco e me engano, seja! A vida castiga-me para me socorrer. Mas se nada arriscar, quem me ajudará? Tanto mais que nada arriscando no sentido mais lato ganho ainda por cima todos os bens desse mundo - e perco o meu eu."

[O desespero Humano - Kierkegaard]
^^

Ventos do Sul (sussuro)

Photobucket

"Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo."
.

[Pablo Neruda]

^^

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Diálogo


"Minhas palavras são a metade de um diálogo
obscuro continuando através de séculos impossíveis.
Agora compreendo o sentido e a ressonância
que também trazes de tão longe em tua voz.
Nossas perguntas e resposta se reconhecem
como os olhos dentro dos espelhos.
Olhos que choraram. Conversamos dos dois extremos da noite,
como de praias opostas. Mas com uma voz que não se importa...
E um mar de estrelas se balança entre o meu pensamento e o teu.
Mas um mar sem viagens."

.
[Cecília Meireles]

^^

domingo, 26 de abril de 2009

Vento

"(...) está hoje um dia de vento e eu gosto do vento. O vento tem entrado nos meus versos de todas as maneiras. Só entram nos meus versos as coisas de que gosto. O vento das árvores, o vento dos cabelos, o vento do universo, o vento do verão. O vento é o melhor veículo que conheço. Só ele traz operfume das flores. Só ele tráz a musica que jaze á beira-mar em agosto. Mas só hoje soube o verdadeiro valor do vento. O vento actualmente vale oitenta escudos. Partiu-se o vidro grande da janela do meu quarto"
___________________________________________@Ruy Belo

"Se você for, vou te esperar

Com o pensamento que só fica em você

.

Aquele dia, um algo mais

Algo que eu não poderia prever

Você passou perto de mim

Sem que eu pudesse entender

Levou os meus sentidos todos pra você

.

Mudou a minha vida e mais

Pedi ao vento pra trazer você aqui

Morando nos meus sonhos e na minha memória

Pedi ao vento pra trazer você pra mim

.

Vento traz você de novo

O Vento faz do meu mundo um novo

E voe por todo o mar e volte aqui

E voe por todo o mar e volte aqui

Pro meu peito..."

Jota Quest - [Composição: Márcio Buzelin]

^^

Mais de Mim - III


Gosto de chuva e do frio, gosto de suco (uva, laranja, manga sempre...), não gosto que me acordem bruscamente... gosto de acordar de mansinho, gosto do entardecer, não gosto de fotos nas molduras, gosto das sirenes dos faróis, gosto de olhar horas e horas pro mar, não gosto de prédios, gosto de gaivotas, gosto de Drumont e do Pessoa, gosto de "farturadas", não gosto de injustiça, gosto de ler vários livros juntos e compará-los, não gosto de estrada, gosto de viagens, gosto da lua em quarto crescente, não gosto de cerveja, gosto de vinho branco suave, gosto da liberdade, gosto de ficar abraçada, gosto de "voar" em meus pensamentos, gosto de chocolate branco, gosto de poesia, não gosto de ser "obrigada" a fingir e mentir, não gosto da minha timidez, gosto dos poucos amigos sinceros que tenho, não gosto do meu cabelo (ele me odeia), gosto das fachadas antigas, gosto de ficar em casa assistindo à filmes de suspense, gosto de objetos de vidro, não gosto de comer alface, gosto de fogos de artifício, gosto de tudo muito colorido, gosto de beijos roubados que me deixam sem ar, não gosto de esperar, gosto de deitar-me no chão que a terra dá, gosto de ouvir música alta, gosto de olhar nos olhos, não gosto da cor marrom, gosto de história verossímil, gosto de jeans, não gosto de pessoas previsíveis, gosto de ouvir os sinos e o timbre grave da voz, gosto de fantasias, não gosto de isônia, gosto das minhas mudanças constantes e, sobretudo, da ideia de não saber o que eu vou gostar ou não daqui pra frente ...
^^

Um pouco de Jacques Prévert

Após o sucesso da sua primeira coletânea de poesias, Paroles (1946), Prévert torna-se um grande poeta popular, graças à sua linguagem familiar, seu senso de humor, seus hinos à liberdade e ao jogo que faz com as palavras. Seus poemas passam a serem estudados em todas as escolas francesas do mundo, conquistando o reconhecimento internacional.



"Para pintar o retrato de um pássaro.
Primeiro pinte uma gaiola
com a porta aberta.
Depois pinte
algo gracioso
algo simples
algo bonito
algo útil
para o pássaro.
Então encoste a tela a uma árvore
em um jardim
em um bosque
ou em uma floresta.
Esconda-se atrás da árvore
sem falar
sem se mover...
Às vezes o pássaro aparece logo
mas ele pode demorar muitos anos
antes de se decidir.
Não desanime.
Espere.
Espere durante anos, se for necessário.
A rapidez ou a lentidão do pássaro
não influi no bom resultado do quadro.
Quando o pássaro aparecer
se ele o fizer
observe no mais profundo silêncio
até ele entrar na gaiola
e quando ele assim agir
delicadamente feche a porta com o pincel.
Então,
apague uma a uma todas as grades
tomando cuidado para não tocar na plumagem do pássaro.
Em seguida, pinte o retrato de uma árvore
escolhendo o mais bonito de seus galhos
para o pássaro.
Pinte também a folhagem verde e o frescor do vento
o dourado do sol
e a algazarra das criaturas, na relva,
sob o calor do verão.
E então espere até que o pássaro decida cantar.
Se ele não cantar
é um mau sinal,
um sinal de que a pintura está ruim.
Mas se ele cantar é um bom sinal
um sinal de que você pode assinar.
Então, com muita delicadeza,
você arranca
uma das penas do pássaro
e escreve seu nome em um canto do quadro. "
.
.
[Jacques Prévert]

^^