Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

16.2.12

A Bailarina e o Soldado de Chumbo

De repente toda mágica se acabou
E na nossa casinha apertada
Tá faltando graça e tá sobrando espaço

Tô sobrando num sobrado sem ventilador

Vai dizer que nossas preces não alcançaram o céu?
Coração, que ainda vem me perguntar o que aconteceu
Conta se seu rosto por acaso ainda tem o gosto meu

Com duas conchas nas mãos,
Vem vestida de ouro e poeira
Falando de um jeito maneira
Da lua, da estrela e de um certo mal
Que agora acompanha teu dia
E pra minha poesia é o ponto final
É o ponto em que recomeço,

Recanto e despeço da magia que balança o mundo

Bailarina, soldado de chumbo
Bailarina, soldado de chumbo
Beijo e dor...

Nossa casinha pequena
Parece vazia sem o teu balé

Sem teu carinho guardado
Soldado de chumbo não fica de pé

Nossa casinha vazia
Parece pequena sem o teu balé

Sem teu café requentado
Soldado de chumbo não fica de pé


[O Teatro Mágico]
^^

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