Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

19.6.11

As tuas mãos podem tudo...





Guardo a garganta cheia de sol
escoando luz, libertando ais e suspiros longos...



A falta que tu me fazes é sem limites, um dia dir-te-ei isto.
Palavras para chegar ao silêncio.
Do meio da vergonha, da unidade, guardo a sensibilidade
na boca, lá no fundo -
comichão.
Língua que vai tocar no côncavo, engolir seco.
Agitação da cauda do peixe, um golpe de remo e chuva miudinha
a molhar tolos. Ficamos calmos separados pelos oceanos.
uma escrita seca, óssea.
Uma lama incomoda.
eis aqui!
Comida pelas árvores, a luz pesada do meio da tarde.
- é só o dia de hoje, que bom tê-lo.

[Lidia Martinez]




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