Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

27.9.09

Eu mesmo e meu


(...) Deixem que eu trace o meu próprio caminho:
que outros promulguem leis,
das leis não tomarei conhecimento;
que outros exaltem homens eminentes
e promovam a paz,
eu promovo conflito e agitação;
eu não exalto nenhum homem eminente,
e ainda reprovo bem na cara dele
o que foi dado por mais valioso.

(Quem é você? e de que se sente culpado
secretamente e por toda a vida?
Vai toda a vida virar para o lado?
Vai toda a vida rastejar e resmungar?
Quem é você que por vício dá com a língua nos dentes,
anos, páginas, línguas, reminiscências,
inconsciente já de que não sabe dizer
adequadamente uma única palavra?)
(...)
Eu nada faço por obrigação:
o que outros fazem por obrigação
eu faço por impulso de vida.
Como haveria eu de fazer por obrigação os gestos do coração?

[Walter Whitman]

^^

Um comentário:

Franzé Oliveira disse...

Eu sigo meus próprios passos.
Sigo adiante...
Sempre a frente ao meu tempo.
Fadado ao esquecimento.
Porque para ser lembrado tenho que fazer diferente.
Não quero ser diferente.
Só navegar é preciso...

Bjos.