Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

19.3.09

(...)


"Como se eu fosse um vinho
e tu abrisses os pulsos para me libertar
como se náufrago, sonhasse na tua carne
a firmeza da terra adiada.
.
Como se o voo dos pássaros pairasse aceso
sobre os ramos do teu cabelo
até que as suas asas delirantes
pernoitassem nos teus olhos.
.
Como se eu me rasgasse
na tua mão, e repleta
entrasse em ti como num jardim
como se hoje apenas eu
dançasse na areia movediçada tua boca."
.
[Morrer de Improviso]
^^

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