Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

8.5.11

As Palavras podem ser sangue novo sussurradas ao ouvido em amor




Transfusão serena de vida
A um corpo pedindo carinho
À porta da sensação
Um copo de caminho vário
De sentar a alma entretecida de desejo
Junto à existência desejada do outro
União sangrenta de vida e poesia
Um cosmos corpóreo, rosado, vivo
Inundando a visão do horizonte
De palavras, bálsamos em verbo
Uma cascata corrida de sonho
À foz do quotidiano suave
Rico das riquezas do mundo
E das multidões cá dentro
De músicas e sons conhecidos
Como nomes chamando
E vozes, imagens em filmes
As palavras revelam amor
Nas veias possuídas de textos
Ilusões lavadas de fresco
Só restam como futuro bom
À impressão verdadeira das palavras

Quero dizer-te que há um outro caminho
Ao abraço do outro, um Outro.
Um caminho dos corações palpitantes
E dos idealismos inconfessáveis
Onde facas e alguidares
Se choram lamechas de toadas antigas
De frescos amores

Quero dizer-te - é isto que te quero dizer!
Que às palavras do mundo
Podes ver o mundo de outra forma
E uns olhos despertarão sobre as tuas palavras
Como as tuas palavras te despertam viva
E te fazem viva tão bem

Quero dizer-te - escuta, vou terminar baixinho
Que as palavras te guardam as veias e o olhar
Para que sintas e vejas um novo amor
No horizonte sereno do mundo habitado
Morando onde morou sempre
No sabor das palavras que deixas ser teu alimento...


[Chapeleiro Maluco]





^^

Um comentário:

Daniel Savio disse...

Interessante o poema, mas diria que é transferência de desejos (e isto é tão bom)...

Fique com Deus, menina xará Danielle.
Um abraço.