Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

24.4.11

O ritmo antigo que há em pés descalços


Esse ritmo das ninfas repetido,
Quando sob o arvoredo
Batem o som da dança,
Vós na alva praia relembrai, fazendo,
Que 'scura a 'spuma deixa; vós, infantes
,
Que inda não tendes cura
De ter cura, responde
Ruidosa a roda, enquanto arqueia Apolo
Como um ramo alto, a curva azul que doura,
E a perene maré
Flui, enchente ou vazante.


[Ricardo Reis]


^^

Um comentário:

Blog do Óbvio - Manoel disse...

Danny, querida amiga. Muito legal esta postagem. Interessante as quase que origens de nosso vocabulário. Interessante é que tudo evolui (nem sempre para melhor! rsrs). O bom da vida é ser um pouco mutante, né?
Danny, você é um amor de pessoa (sempre lia você lá no "Céu...").
Uma santa e feliz Páscoa prá todos aí.
Uma carinhosa beijoca no seu coração.
Manoel.