Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

2.11.10

Nada Fica


Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.

Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —
Tudo tem cova sua. Se nós, carnes
A que um íntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que não elas?
Somos contos contando contos, nada.


[Ricardo Reis]


^^

2 comentários:

Talita disse...

Que blog gostoso o teu, voltarei mais vezes aqui, gostei do que encontrei. Se puder dá uma passadinha lá no meu cantinho, to começando agora tatapalavrasaovento.blogspot.com

Beijoss!!! boa noite""

Daniel Savio disse...

Mas todas as regras não tem a excessões?

Então nem todos são cadavares...

Fique com Deus, menina xará Danielle.
Um abraço.