Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

30.10.10

O último poema


Assim eu quereria o meu último poema.

Que fosse terno
dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

[Manuel Bandeira]


^^

2 comentários:

Daniel Savio disse...

Eu entendo que estantes especials tenha se ser intenso , mas que seja intenso para a felicidade, não exatamente, para o fim...

Fique com Deus, menina xará Danielle.
Um abraço.

SrtA. L. disse...

Espero que não seja seu último post, pois ficaria muito

triste...;(

Escolha belíssima, Manuel Bandeira é pérola que

jamais deve deixar de ser lido... bela escolha...

Agradeço seu carinho em me seguir, acho que nem

mereço...rs

Tenha um ótimo final de semana e feriado...

Beijo doce,

;P