Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

23.8.09

Canto chão


Em agosto a pluralidade das palavras pode ser de aço -
como pinceladas de carvão bagos de uvas que
amortecem os passos
de um sonho ou de um desmaio.

nada resiste ao tépido ardor de quem se consome pelos
campos da desordem.
somos pequenos de mais para tear.
o mundo combate-se com bombas de silêncio.
a garganta aquece tudo o que se esquece -
somos tão grandes para dizer nunca.

[Isabel Mendes Ferreira, Canto chão]
^^

4 comentários:

meus instantes e momentos disse...

lindo blog. É muito bom vir aqui...
Maurizio

A.S. disse...

°•~ ∂ąnnι °•~

Um belissimo poema da Isabel...

Lindoooooooooooo...!!!

Tua escolha foi excelente!


Beijos...

Vampira Dea disse...

É agosto deixa a gente assim mesmo... lindo poema.

°•~ ∂ąnnι °•~ disse...

Maurízio,

Somos vítimas dos desencontros, virtualmente, falando.
Volte sempre querido.

A.S.

Obrigada pela visita. Seja sempre bem vinda!

Vampira,
Se em agosto a pluralidade das palavras são de aço, que venha setembro!!!

Danni