Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

6.6.09

Quer me enxergar?

Graça Photobucket

O pouco já não me contenta. Dispenso pedaços. Sou inteira. E quero caminhos inteiros também. Nada de me deixar em partes pelo caminho. Nada de tentar te levar comigo. Eu me insisto. Persisto. Prossigo. Sigo - meus pés, passos, traços e coração. Não ache você, que sou - quem quer que eu seja - pra quando você quiser. O tempo é meu, apesar de nosso. Minha vida não tem ponteiros, nem medidas. Eu voo e vou, até chegar, até mudar. Desenho no pensamento minha imensidão. Não me largo. Mesmo que ás vezes doa, me agarro com minhas unhas pintadas e não me deixo - mesmo quando deixo o vento me levar. Leve eu voo e vou, até chegar, até mudar de humor quando eu achar que você não está certo ou eu estou errada. Depois volto a sorrir. Porque na verdade a gente vive brincando de levar tudo a sério. E nada é para sempre. Nem a gente. Não sou pra sempre, mas sou inteira. Pra quando eu me acabar, 'poder dizer' que eu fui tudo que poderia ser. Faces que ultrapassam a visão e o sentido. Na luz, um espelho. Quer me enxergar? Seja. Se você não for, eu voo - partindo dos seus olhos e os deixando com migalhas. Retribuindo pequenos gestos. No escuro, a intuição. Você arrisca e eu vou com os braços e coração abertos, ao encontro da vida ilimitada que habita meus sonhos. Afinal, nossos mundos são grandes demais para sermos pequenos!
^^

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