Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

6.12.08

Impotente

'...olha pra mim
fica no meu abrigo
dorme no meu abraço
e conta comigo
que eu estarei aqui

enquanto tu sentes
que se quebrou tudo
eu estarei
sempre que te sentires só...'




Ontem, senti-me impotente. Queria dizer-te um montão de coisas, mas as palavras falatavam-me. Tudo o que me passava pela cabeça parecia-me batido e cliché, sem trazer nenhum significado... E por dentro, senti-me petrificar, porque nunca me tinha sentido assim na vida. Foi como um murro no estômago. Foi um medo daqueles que vem do fundo, frio, gelado e é dos piores, porque não é por nós. É um medo de perder os outros, de te perder. Um medo de não poder fazer nada. Um medo de ficar sem ti, mas não dessa forma que toda a gente pensa. Não é um medo de perder qualquer sentimento que possas ter por mim, não é o medo que a nossa amizade se perca, não é o medo do afastamento. É o medo de ficar sem ti. Apenas. Sem volta atrás. Sem poder dizer que gosto de ti. Sem poder fazer nada. Impotente.
Compreendi tudo o que disseste. E gostava que as palavras não me faltassem. Mas faltam. E não me restam mais nada para além das palavras (tu sabes, eu sou feita de palavras...). Um abraço? Ou um beijo? Como disseste, não é disso que sentes falta. Sentes, sim, falta de sentir falta. E o que é que eu posso fazer em relação a isso? Nada. Impotente.Apenas repito e volto a repetir: eu, para tudo. Para o que quer que seja. Para o que te faça feliz (embora eu saiba que nem tu sabes o que te faz feliz, agora... mas acredito que vais descobrir, mais cedo do que pensas). Não é isso o amor? Querer que aqueles que amamos sejam felizes? É isso que eu quero, acima de tudo. E sei que tu também. A diferença é que, ao contrário de ti, eu tenho a certeza de que o vais voltar a ser. Eu tenho a certeza de que vais descobrir o que te falta. E vais deixar de te sentir assim, sem rumo. Podes não chegar lá, tal como eu posso não chegar. Quem sabe? Ninguém tem certezas de nada. Não sei se vais descobrir o caminho que te faça sentir outra vez. Apenas sei que não estás sozinho.

Eu estou aqui. Sempre.
Obs.: Algumas palavras roubadas à música 'O meu abrigo', da Mafalda Veiga
^^

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