Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. Eu simplesmente sinto com a imaginação. Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo, o que me falha ou finda, é como que um terraço sobre outra coisa ainda. Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio do que não está ao pé, livre do meu enleio, sério do que não é. Sentir, sinta quem lê! [Fernando Pessoa, in "Cancioneiro]

7.12.08

Desvio [me]


Saí daquilo que era para ir atrás, daquilo que não sabia se podia ser.
Quis guardar-me num amontoado de tempo que não dedilhava como certo. Deixei ferver no peito vontades que sabia poderem rebentar(até mesmo dentro de mim).
Alheei-me das verdades e dos amores mal arrancados, e deixei que as mãos de um mundo que não era meu plantassem travos de liberdade e de infinito. Fiz dos braços, dos passos, do corpo ferido de cansaços uma forma de parar. De olhar. De ficar. Deixei de correr e de cair por todos os restos amargos de passado para começar a subir a escada do porvir.
Quis amar o mundo lá fora como se tudo nele me pertencesse; quanto mais via, mais queria ver... e o peito sempre aberto de dois lados. Rasgado de luz mesmo no meio. Como se fosse uma estrada onde há lugar para ir e para voltar.
E hoje. Hoje. Hoje. Sou aquilo que era e mais aquilo que não sei dizer.
^^

Um comentário:

Bianca disse...

Amiga!

De onde vem tamanha inspiração??
Vc consegue expressar com tanta facilidade tudo aquilo que eu sinto também, e gostaria de dizer um dia.